Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jaime Duarte

111ª Sessão Ordinária - 18/10/1999

O SR. DEPUTADO JAIME DUARTE - Inicialmente, gostaria de agradecer à Bancada do PMDB a deferência, especialmente ao Deputado Romildo Titon.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, ouvi atentamente o discurso do Deputado Francisco de Assis, Líder do PT, que fez uma alusão bastante positiva, segundo ele, sobre a convenção do PT no último final de semana em Balneário Camboriú. S.Exa. fez referência a possíveis coligações com os demais Partidos que se colocam no campo da esquerda, e disse claramente que o PT decidiu pela não-coligação com o PPS. Fez uma alusão de forma indireta, mas, com certeza, estava se referindo a nós.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que tenho a responsabilidade, que é dura, que é difícil, de dirigir o PPS de Santa Catarina. Não é fácil hoje ser dirigente partidário, construir um Partido pequeno como o nosso, trabalhar na projeção, traçar perspectiva de futuro para o nosso Partido.

Em segundo lugar, gostaria de dizer que o nosso Partido é sério, é um Partido histórico, com 77 anos de vida neste País, que está crescendo muito nos últimos tempos. O nosso Partido tem treze Deputados Federais, três Senadores, duzentos Prefeitos, quarenta Deputados Estaduais, mil e quinhentos Vereadores e duzentos mil filiados, e tem, de forma bastante democrática, o direito de traçar o seu próprio destino. Isso faz parte do processo democrático.

Querer aparelhar Partidos, parece-me, não é a melhor forma de solidificar a democracia que queremos ver neste País.

O PPS de Santa Catarina quer, sim, unir-se aos demais Partidos que se colocam no campo do centro para a esquerda para construir um novo projeto, porque considera isso extremamente responsável para o futuro do País, até porque ninguém consegue governar sozinho. Não há como, hoje, manter a governabilidade em cima de um só Partido.

Entendemos que a construção de um projeto é uma coisa fundamental para mantermos a governabilidade, para implementar as mudanças que o povo espera.

Por isso, vemos com tristeza essa decisão ou esse indicativo do "não", o indicativo do excluir sem consultar.

Nós, como Partido, temos autonomia, podemos nos coligar ou não, assim como o PT. Na verdade, sequer fomos consultados se queríamos participar de uma decisão ou não, se o nosso Partido poderia ser analisado ou não.

Nós temos autonomia, temos uma visão de futuro. Somos um Partido diferente. Temos um programa diferente. Claro que temos uma trajetória muito parecida com a do Partido dos Trabalhadores. Achamos que este País não pode virar a página da sua história sem lembrar da organização, da luta, da autenticidade dos companheiros do Partido dos Trabalhadores.

Agora, nós, com certeza, também merecemos respeito. O nosso Partido, em nível nacional, tem uma liderança de visibilidade que pode ter tido contradições mas, acima de tudo, tem o direito de construir essa alternativa.

Espero, sinceramente, que possamos construir essa alternativa com a participação de todo o bloco democrático popular e progressista. Este País está num atoleiro tão grande que duvido muito que uma força política sozinha, seja de esquerda ou de direita, seja capaz de levantá-lo e de colocá-lo no caminho da modernidade.

Este País atravessa uma crise tão difícil que os indicativos econômicos e sociais colocam-no numa situação mais precária e abaixo dos países da África Central. A ninguém é dado o direito da verdade, da exclusão, e para isso precisamos unir forças e todos aqueles que queiram construir um novo projeto. Então, este País precisa, sim, de uma proposta positiva, progressista e de ampliação, mas nunca de exclusão.

Nós respeitamos a posição que foi adotada, não tem problema. Em vários Municípios estávamos até elaborando uma proposta em conjunto, mas se não dermos continuidade, não tem problema algum, somos um Partido em crescimento, e a história vai registrar que só cresce quem amplia e não quem se isola.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)