99ª Sessão Ordinária - 30/10/2013
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO AGUIAR - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, comunidade catarinense, não posso deixar de fazer a defesa da classe médica, pois nem todos os médicos merecem críticas. Alguns, talvez. Não sei qual é a sua formação, deputado Maurício Eskudlark, mas há muitos advogados dinheiristas também! Quero dizer a v.exa. que existem bons médicos que fazem o seu trabalho.
Agora, se a saúde vai mal não é por culpa dos médicos, mas dos governos: federal, estaduais e municipais.
E digo mais, aqui não devemos fazer críticas às universidades brasileiras. Os nossos estudantes de Medicina merecem respeito. Há pessoas que criticam os médicos. Logo, quando precisarem ser atendidas, devem procurar os médicos da Bolívia, devem consultar-se com eles, devem tratar-se com eles! Sem problema algum!
Nós achamos que a classe médica merece respeito. Ela tem os seus problemas como qualquer classe tem. Mas se a saúde no Brasil e em Santa Catarina se encontra de pé é porque os médicos a sustentam, porque pagam do seu bolso os congressos e as especializações de que participam. Um curso de Medicina tem seis anos de duração, mais os três anos de especialização, são nove anos, deputado Kennedy Nunes, estudando para se tornar um especialista!
Penso que é lícito que o médico receba o que é justo pelo seu trabalho. Por exemplo, o Sistema Único de Saúde - SUS - não paga dignamente os médicos. Acho que os médicos merecem mais respeito do governo federal, do governo estadual e do governo municipal. A classe médica é uma classe abnegada, podem ter certeza, catarinenses. Já pensaram quantas vidas foram salvas em Santa Catarina? Será que só existem coisas ruins na medicina praticada no Brasil? Vamos pensar em coisas boas. Vamos pensar em construir uma medicina cada vez melhor. Fazer com que a medicina de primeiro mundo seja levada às pessoas mais pobres, às mais necessitadas, àquelas que realmente precisam.
Muitos médicos, catarinenses, trabalham uma vida inteira gratuitamente, cumprindo sobreaviso, atendendo à população. O médico tem, sim, um profundo respeito pelo ser humano e faz tudo para ajudá-lo, para salvar vidas. Claro que ninguém faz nada sozinho. Os médicos não trabalham sozinhos, mas com o auxílio das enfermeiras, dos auxiliares de enfermagem, dos técnicos de raios X; no centro cirúrgico contam com o auxílio dos instrumentadores e dos técnicos da UTI. Enfim, todos os funcionários públicos dos hospitais constroem no dia a dia uma medicina melhor para todos nós.
Srs. deputados, os números mostram que a mortalidade infantil em nosso estado é uma das menores do Brasil. Isso significa que damos saúde à gestante e ao seu filho que está vindo ao mundo. Significa também que estamos melhorando a qualidade do serviço médico. Mas para isso temos que ter os equipamentos e a infraestrutura necessária e, acima de tudo, o respeito da classe política.
Defendo, sim, a classe médica porque acho injusto falar somente sobre as coisas ruins da medicina. Precisamos também ver as coisas boas, quantas vidas são salvas, quantos pacientes são atendidos. Fazemos a saúde em conjunto e não de forma solitária ou individualista.
Meu discurso hoje não era sobre esse assunto, mas sobre o grande evento realizado no município de Taió com o governador do estado, quando pedimos que aquela região seja contemplada com uma estrada de 14km, ligando a colônia Ruthes à Moema, permitindo que os viajantes passem por Mafra e percorram um caminho mais curto para Curitiba.
O Sr. Deputado Maurício Eskudlark - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO AGUIAR - Pois não!
O Sr. Deputado Maurício Eskudlark - Parabenizo v.exa. pelo discurso e quero dizer que, inclusive, o meu homenageado deste ano com a Comenda do Legislativo será o ex-deputado Stélio Boabaid, que é um grande médico, conhecido como pai dos pobres por atender todo mundo sem horário marcado, com dinheiro ou sem dinheiro. Realmente há grandes médicos, inclusive amigos meus.
Minha indignação, e talvez v.exa. possa orientar-me, é que me chegou a informação de que o corpo clínico do Hospital Regional de Chapecó estaria sendo contra a possibilidade de outros médicos realizarem cirurgias naquele hospital. Sei que v.exa., como médico e deputado, é um dos mais benquistos da querida Canoinhas, minha terra natal. Sei da sua dedicação e de um grande número de médicos. Mas não dá para admitir que alguns médicos possam barrar a entrada num hospital público de outros médicos. Talvez até tenha me expressado mal, mas essa é a linha do meu pensamento, com todo respeito à classe médica pelo trabalho que realiza.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO AGUIAR - Com relação à essa questão, acho que cada corpo clínico teu seu regimento. Desconheço o que está acontecendo lá, mas vou procurar informar-me para poder emitir melhor uma opinião.
Quando há um regimento para o corpo clínico, ele tem que ser cumprido, mas a princípio todos os médicos que têm qualificação têm direito a trabalhar em qualquer hospital.
Mas estávamos falando de Taió. Queremos, juntamente com os deputados Aldo Schneider e Jailson Lima, que também estiveram no evento, fazer uma reunião com os prefeitos para que a licitação para o projeto dessa obra seja realizada pelo governo estadual ainda este ano.
Era o que tínhamos a dizer, sr. presidente, deputado Kennedy Nunes.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)