16ª Sessão Ordinária - 15/03/2011
O SR. DEPUTADO GILMAR KNAESEL - Deputado Reno Caramori, que preside esta sessão, demais colegas deputados, imprensa, na mesma linha do eminente deputado Nilson Gonçalves, também assomo à tribuna para fazer o registro das consequências tristes e dos momentos difíceis que está vivendo o médio vale do Itajaí, especialmente as cidades de Pomerode, Jaraguá do Sul e parte de Rio dos Cedros e Blumenau.
Na quinta-feira à noite da semana passada caiu uma chuva que durou mais ou menos duas horas, sendo despejados 140.000mm/h naquela região, ocasionando a maior enchente da história da minha cidade. São gravíssimas as conseqüências: moradias, indústrias, estabelecimentos comerciais, pontes, estradas, escolas e postos de saúde foram inundados, algo nunca visto na história! As pessoas, claro, sempre ficam preocupadas quando chove, mas como nunca havia chegado a esse limite, ficaram aguardando dentro das suas casas que parasse de chover e que a água baixasse, mas isso não ocorreu e a água continuou caindo provocando toda essa catástrofe.
Além da perda patrimonial que todas as pessoas tiveram, 80% das indústrias e do comércio da minha cidade foram atingidos. Matéria-prima, produtos acabados, maquinários, enfim, tudo foi perdido, causando prejuízos de toda a ordem.
Dessa forma, hoje já há uma preocupação no sentido de que muitas coisas precisam ser feitas para evitar, quem sabe, futuras enchentes, principalmente o desassoreamento dos rios, dos riachos, para que voltem a ter níveis razoáveis. É importante também evitar que novos aterros sejam feitos ao longo dos rios e dos afluentes; é importante que seja restabelecido o serviço público e que seja dado atendimento rápido no sentido de consertar os equipamentos danificados das indústrias.
Quero dizer que desde a primeira hora recebemos o apoio da Defesa Civil Estadual. E quero fazer referência ao major Márcio Luiz Alves, especialmente ao futuro secretário Geraldo Althoff, que foi pessoalmente visitar, no sábado de manhã, a região, levando a sua solidariedade e vendo de perto, in loco, as graves consequências das chuvas.
Foram disponibilizados materiais de primeira necessidade, como colchões, alimentos e água, sendo liberado também um primeiro recurso, mesmo que pequeno, para que os prefeitos pudessem começar a fase de recuperação das vias urbanas e de toda a infraestrutura.
Mas volto a dizer que o prejuízo foi muito grande. Não temos ainda, deputado Manoel Mota, o levantamento do montante dos prejuízos. Fala-se em milhões para recuperar o parque industrial, toda a economia da cidade, especialmente a malha viária urbana e rural, além dos postos de saúde e das escolas.
Temos certeza de que teremos o apoio tanto do governo do estado, do próprio governador Raimundo Colombo, com quem já falamos pessoalmente em três oportunidades, quanto do governo federal, através de nossa representação política. Queremos saber também da possibilidade da liberação do Fundo de Garantia para as pessoas físicas, a exemplo do que já ocorreu em outro momento, há dois anos. Além disso, uma linha de crédito para as indústrias e o comércio, no que se refere a capital de giro, seria importante, a fim de que as empresas pudessem fazer novamente os investimentos necessários e a região voltasse o mais rapidamente possível à normalidade.
No que diz respeito às indústrias e ao comércio, vamos solicitar a ajuda da secretaria da Fazenda. O deputado Jean Kuhlmann, parceiro e amigo, já se colocou à disposição no sentido de solicitar a postergação da cobrança do ICMS dessas empresas, para que elas possam ter fôlego novamente para o reinvestir.
O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO GILMAR KNAESEL - Pois não!
O Sr. Deputado Manoel Mota - Quero cumprimentar v.exa. e dizer que Santa Catarina foi muito prejudicada devido aos alagamentos e às enchentes. As empresas ficaram sem trabalhar alguns dias e com isso houve um prejuízo grande já Como as máquinas molharam, para fazer a retomada da produção leva pelo menos um mês.
Então, quero cumprimentar o governador Raimundo Colombo, que teve a visão e a coragem de criar a secretaria da Defesa Civil, que vai ajudar muito e com maior rapidez.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO GILMAR KNAESEL - Muito obrigado, deputado Manoel Mota.
Quero dizer a v.exa., que tem acompanhado os problemas climáticos, que parece que a natureza escolheu Santa Catarina como seu alvo. Começou em 2004, na região sul, em Sombrio. E v.exa. lembra, por certo, das consequências do furacão Catarina que afetou a região. Depois disso, praticamente em todos os verões tivemos desastres climáticos no estado.
Mas quero cumprimentar o prefeito Paulo Maurício Pizzolatti e a vice-prefeita Gladys Dinah Sievert, que à frente da administração de Pomerode fizeram todos os encaminhamentos dos primeiros socorros, dos primeiros acompanhamentos. Quero cumprimentar também todos os servidores da prefeitura municipal, especialmente os Corpos de Bombeiros Voluntários de Timbó, Indaial, Blumenau e Pomerode, que foram solidários na ação de socorro, mostrando, acima de tudo, seu espírito humano de auxiliar aqueles que mais necessitavam.
Quero também me solidarizar com o prefeito Fernando Tomaselli, de Rio dos Cedros, um dos municípios mais atingidos. Estivemos lá e estamos dando uma atenção especial ao referido município.
Assisti a uma matéria, no final de semana, num programa de televisão, que falava sobre esse fenômeno, especialmente o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão, mostrando o lado histórico de tudo isso. Esse programa foi muito claro ao mostrar que esses fenômenos estão acontecendo há milhões e milhões de anos, mas nunca numa sequência tão rápida. O grande causador desse processo de transformação climática da Terra é o aquecimento global. Se nada for feito, se não estagnarmos o aquecimento global, nos próximos 100 anos poderá ocorrer uma explosão no planeta e o fim dos tempos.
Já ouvimos falar sobre isso, mas todo mundo pensa que está muito distante, muito longe, mas a verdade é que se não observarmos o que os cientistas, os geólogos e os estudiosos estão-nos alertando, acabaremos, sim, muito em breve, dando razão àqueles que há muitos anos vêm alertando para essas mudanças. Então, se nada for feito estaremos comprometendo definitivamente a vida no planeta Terra.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)