Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

100ª Sessão Ordinária - 08/11/2011

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Deputado Moacir Sopelsa, companheiro Padre Pedro Baldissera, deputado Volnei Morastoni, que é médico nesta Casa, neste horário do partido eu resolvi fazer uma deferência especial ao presidente Lula.

A revista Carta Capital estampa na sua capa o presidente Lula. A matéria, que tem como título "A doença e a estupidez", diz o seguinte: "O Brasil se acha inteligente e bem informado exibe outra vez a sua ignorância e grosseria". Essa matéria que a Carta Capital traz em relação ao Lula ressalta as manifestações preconceituosas que houve na imprensa em relação ao câncer que o nosso presidente teve. Chegaram, em determinado momento, Padre Pedro Baldissera, a fazer uma elação de que Lula vai-se utilizar desse câncer para, nas eleições do ano que vem, trazer a comoção em benefício do Partido dos Trabalhadores.

Primeiramente, quero dizer que se Lula é o que é, se chegou aonde chegou, se presidiu o país da forma que presidiu, se mostrou a fórmula de combate à crise internacional que vivenciamos, ele fez tudo isso sem câncer. Muito pelo contrário, combatendo o câncer do pessimismo de que nada tinha jeito, de que este país não tinha solução.

A partir do momento em que começamos a observar as manifestações em redes sociais, de segmentos que envergonham pela forma de procedimento, vimos que isso mostra claramente a postura preconceituosa com relação a um operário que virou presidente e com alguém que, sem ter frequentado bancos de universidades, hoje recebe prêmios, como de doutor honoris causa, fora do Brasil, reconhecendo esse cidadão como doutor do mundo pelo que representou. Tanto é que, após ter o câncer, a primeira medida que tomou com os médicos que fizeram diagnóstico foi dizer: "Temos que informar ao povo brasileiro, e não escondam nada!"

O câncer do ex-presidente Lula, que é de laringe, é um câncer medianamente grave. Eu diria que é um câncer mais grave do que o câncer que presidente Dilma Rousseff teve. É um câncer que, segundo o diagnóstico, tem em torno de 3cm, na garganta, na região da glote, no pomo-de-adão, como se costuma dizer popularmente, próximo às cordas vocais. É um câncer de 3cm inoperável, em que ele terá que ser submetido à quimioterapia e à radioterapia, que normalmente ocasionam sequelas maiores, deputado Volnei Morastoni.

Mas o mais importante - e aí a sociedade catarinense que nos ouve tem que observar - é que esse tipo de câncer de laringe ocorre predominante em homens. Segundo: tem relação com cigarro. Terceiro: tem também relação com a ingestão de bebida alcoólica. E na medida em que fizeram o diagnóstico do câncer, as manchetes estamparam que o câncer de Lula era em decorrência da bebida, querendo caracterizá-lo como um alcoólatra.

Foi mais uma ação preconceituosa, porque o Lula fuma extemporaneamente. Ele não é nem foi um tabagista. Faz um ano e meio que parou de fumar e nem é um alcoólatra inveterado, bebe como qualquer outro cidadão comum. Mas, no entanto, a imprensa tentou caracterizar isso.

Uma das outras coisas importantes relacionadas a esse tipo de câncer é que representa 25% dos tumores de cabeça e de pescoço e 2% do total dos cânceres registrados epidemiologicamente. Isso é muito comum, principalmente em quem fala muito alto.

Por isso, deputado Moacir Sopelsa, quem fala muito alto também tem que ter muito cuidado, porque o esforço vocal desencadeia, quando se tem predisposição à patologia em determinadas circunstâncias. Além disso, na história familiar, o Lula tem quatro irmãos que tiveram câncer e um deles, inclusive, na laringe.

O outro ponto preconceituoso foi dizer que o Lula deveria se tratar pelo SUS para ver como funciona, como se o SUS fosse um sistema totalmente ineficiente. Esquecemos que o Lula tem plano de saúde e utilizou-o para se tratar. Eu também, se tiver um câncer de laringe, não vou me tratar pelo SUS, não porque desconheça os serviços prestados pelo SUS, porque a grande maioria dos tratamentos de câncer do Brasil é feita pelo SUS. Inclusive, o hospital Sírio Libanês faz tratamento pelo SUS dessas doenças e cirurgias cardíacas.

Começaram a fazer o desafio de que o Lula não poderia tratar-se numa instituição privada, teria que se tratar pelo SUS. Mas, se ele tem um plano de saúde, por que o questionam por utilizar um direito que paga para ter, assim como eu?

O presidente do Paraguai teve um câncer linfático e veio se tratar no Brasil. Também se tratou no Sírio Libanês. O presidente Hugo Chávez disse que tinha um tumor no abdômen, mas até hoje não se sabe o tipo de tumor. É um critério pessoal.

Devemos ter claro que enquanto esta nação tiver essas posturas preconceituosas deixamos de validar um sistema público de saúde, que tem a sua eficiência. O SUS tem sido um sistema de caráter universal, que atende gratuitamente à grande maioria da população brasileira e tem um dos maiores programas de saúde na distribuição de medicamentos mundo afora. É um sistema que se aprimora a cada dia; é um programa muito recente.

Deputado Padre Pedro Baldissera e deputado Volnei Morastoni, que preside a comissão de Saúde, nós, do PT, vamos continuar enaltecendo o papel do SUS, assim como fez o deputado Dado Cherem enquanto secretário deste estado, reconhecendo a sua eficiência e a importância do seu aprimoramento.

Em segundo lugar, combateremos o preconceito que existe neste país em relação a figuras como, por exemplo, o ex-presidente Lula. Grande parte da mídia e da oposição ainda não se convenceu do papel preponderante desse cidadão na condução do Brasil, na construção de uma perspectiva diferente. Tanto que o Lula, após a primeira quimioterapia, fez um depoimento que foi colocado na internet em que diz o seguinte: "Não há espaço para o pessimismo; se o dia de hoje não estiver bom, vamos transformar o dia de amanhã num dia melhor".

Assim, o nosso papel é fazer deste Brasil um...

(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)