106ª Sessão Ordinária - 23/11/2011
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, visitantes, hoje é um dia um pouco fora da rotina. Recebemos inúmeras comitivas de estudantes, principalmente na parte da manhã, juntamente com os vereadores mirins do município de Guaramirim, que irão acompanhar o trabalho deste Plenário.
Acompanhava há pouco, sr. presidente, o deputado federal Esperidião Amin, que acabou de se manifestar na Câmara Federal. Ele fez um manifesto da tribuna a respeito do anel viário de Florianópolis e da briga que aconteceu, quase indo às vias de fato, lá em Brasília, no dia de ontem. Foi uma discussão bastante acalorada e por muito pouco não tivemos uma edição da UFC no Congresso Nacional, por parte de alguns parlamentares de Santa Catarina e de autoridades do governo federal, por conta de uma novela que, aliás, em Santa Catarina não nos é estranha.
Essa novela a que me refiro é a do anel viário de Florianópolis, que se vem arrastando há muitos anos e que já tinha, inclusive, um levantamento do número de veículos que circulariam. Mas em Brasília diminuíram o tamanho do anel. E o anel que fizeram não serve para Santa Catarina.
Então, foi uma briga danada, e o ex-governador Esperidião Amin utilizou a tribuna para enaltecer o passo atrás que deram as autoridades do ministério dos Transportes.
Para surpresa de todos, depois de tantos anos descobriu-se que não existe projeto. Está todo mundo discutindo e querendo saber quando as máquinas vão começar a roncar, mas ainda não há projeto. Essa é uma coisa absurda! Tão absurda quanto está sendo a questão da BR-280.
Daqui a pouco, por volta das 17h30, nós nos dirigiremos a Brasília, uma vez que amanhã teremos novamente uma audiência com o ministro dos Transportes para tratar da duplicação da BR-280. Essa, sim, é uma novela com capítulos emocionantes. No último, inclusive, um dos atores não sabia o script. O ministro não sabia que a BR-280 ficava em Santa Catarina! Foi um negócio impressionante. Ficamos boquiabertos. E muito mais boquiaberto ficou o ministro, que pediu licença e ficou uns 15 minutos conversando com os seus assessores para se colocar a par do problema para, então, discutir com a comitiva que estava na sua sala, e uma comitiva respeitável: representantes do empresariado do norte e nordeste de Santa Catarina, três senadores, vários deputados federais, deputados estaduais, vereadores e prefeitos. Todos estavam naquela audiência, e o ministro não sabia que a BR-280 ficava em Santa Catarina!
Diante da pressão, o que ele fez? Afastou-se, tomou conhecimento do problema, voltou e comunicou-nos que marcaria uma nova reunião para passar a Santa Catarina a informação da data em que começaria a duplicação da BR-280, ou seja, a data em que as máquinas começariam a roncar. Mas para nossa surpresa - e o deputado Kennedy Nunes sabe disso, está acompanhando pari passu esse caso -, há dez ou 15 dias recebemos um comunicado do ministério dos Transportes informando que a audiência havia sido adiada, porque o ministro tinha outras duas audiências mais importantes para tratar do que a nossa.
Pois bem, essa novela terá mais um capítulo amanhã, às 17h, em Brasília, e não posso, de forma alguma, estar ausente, porque quero assistir de camarote, quero estar de corpo presente. E não estarei como protagonista, mas como figurante, para ver um dos artistas dessa novela bem de perto, que é o nosso ministro, e saber se ele realmente, agora está inteirado do problema e da urgência que temos em relação a essa BR.
Quem não é do norte e nordeste de Santa Catarina talvez não entenda, talvez não tenha a dimensão exata da necessidade urgente da duplicação da BR-280. E se eu tiver oportunidade, vou falar ao ministro que se ele não quer fazer, se não dá para fazer, se há problemas para fazer, que passe essa rodovia para Santa Catarina, que passem essa responsabilidade para Santa Catarina, e nós, imediatamente, faremos uma parceria público-privada e construiremos uma rodovia paralela à BR-280, com muito menos dinheiro, com muito mais rapidez e que atenderá às necessidades de todos.
Quem não é daquela região talvez não saiba, mas as praias do Evino, da Barra do Sul, da Enseada, de Ubatuba, do Capri e do Forte têm acesso por uma rodovia apenas, a mesma rodovia que dá acesso ao porto de São Francisco do Sul. Ou seja, todos os caminhões que estão transitando para o porto, que já é um congestionamento dos infernos, quando chega o verão misturam-se aos milhares de veículos que se dirigem às praias. É uma esbórnia, é uma confusão dos diabos: é criança chorando, é mulher gritando, são pessoas com fome porque ficam três ou quatro horas na fila, é acidente, é atropelamento, é morte, e o assunto sendo tratado a conta-gotas.
Esperamos que amanhã não aconteça o que presenciamos ontem, quando quase tivemos uma luta livre no Congresso Nacional por causa desse rodoanel de Florianópolis. Espero que amanhã todos, de modo civilizado, possam levar a conversa a bom termo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)