Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

59ª Sessão Ordinária - 24/08/2005

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Mas também é uma honra para mim ser chamado de Nelson Goetten de Lima e Silva, porque os Silva neste Brasil ajudaram a fazer uma bonita história.

E agora, deputada Ana Paula Lima, estou sem nada, sem revista, sem nada, sem cópia de jornal, desarmado, então. Mas agora eu venho não para falar com a responsabilidade que tenho quando falo pelo meu partido, pelo PFL. Eu venho aqui para dar uma explicação pessoal. E por isso eu permaneci até este momento aqui, deputados Joares Ponticelli e João Henrique Blasi. Aliás, deputado João Henrique Blasi, eu queria fazer uma citação aqui.

Para quem está no plenário assistindo aos debates, é importante ver quando alguém que cometeu um equívoco ou um erro vai à tribuna e de forma clara e incisiva repara esse erro. Pode, como diz o deputado Joares Ponticelli, não justificar, mas que fica bem para quem assiste fica.

Então, aí fica aquele sentimento de como é importante uma posição, quando ela é firme, como é importante reconhecermos o erro, até porque ninguém é perfeito e todos estão sujeitos a erro. Imaginem um governante, uma estrutura de governo, como pode ser muitas vezes tomado pelo erro, pelo equívoco e, às vezes, até pela má intenção. E o governo fica exposto, mas é natural isso.

Agora, é bonito quando se vê uma atitude de grandeza como essa dos parlamentares Joares Ponticelli e João Henrique Blasi, num bonito debate, num importante debate democrático da tribuna desta Casa.

Deputado Onofre Santo Agostini, um dia eu até brinquei, dizendo que aprendi a odiar muito o deputado Onofre Santo Agostini e o deputado Julio Garcia também. Por isso é bom desmamar, desgrudar um pouco, sair de um bloco, porque isso nos dá oportunidade de olhar de fora, porque quem olha de fora vê as coisas de uma forma diferente.

E confesso (e aproveito esta tribuna, porque parece que está virando um confessionário) que cometi por muitas vezes grandes injustiças contra esse parlamentar que tão bem representa o planalto e a gente catarinense, como é v.exa., deputado Onofre Santo Agostini. Hoje eu conheço bem v.exa. Tive a oportunidade de conhecê-lo, de saber dos seus valores, da sua preocupação e das suas qualidades. E também foi assim que aconteceu com o presidente, deputado Julio Garcia.

Tenho que reconhecer, porque eu tinha um conceito. Muitas vezes o conceito é formado sem conhecermos a pessoa. Quando conhecemos a pessoa e passamos a conviver com ela, ou nos igualamos a ela ou acabamos por avaliá-la com muito mais critério. E o critério que eu tenho hoje de v.exa. é de um parlamentar extraordinário e um bom amigo.

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Pois não!

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Agradeço pela colocação de v.exa. Pode ter certeza de que a recíproca é verdadeira. Também tenho uma grande admiração pelo trabalho que v.exa. tem desenvolvido nesta Casa.

V.Exa. tem razão quando cita aqui o exemplo dos deputados João Henrique Blasi e Joares Ponticelli. Como é difícil quando somos acusados sem ter chance de defesa.

Há pouco ouvi o pronunciamento da representante de Campos Novos defendendo os seus interesses, que é justo. Mas ela fez uma acusação, na minha opinião, de forma totalmente equivocada, porque falar mal dos outros sem dar chance de defesa é terrível.

Ela falou que o PFL é o grande responsável, queira o PFL ou não. Isso não está certo, deputado. O PFL usou de uma prerrogativa legal, consultou o seu corpo jurídico e entrou com uma ação. Legalmente, não fizemos nada escondido.

Não estamos aqui dizendo que eles não têm direito, queremos que a Justiça diga. A Justiça que diga que eles têm direito. Mas nós somos acusados. Não, não é que o PFL não queira. Espera aí! Vamos devagar com o andor que o santo é de barro! Nós somos a favor. Hoje tenho certeza absoluta de que o PFL defende os interesses do povo, mas principalmente do setor que produz.

Não foi o PFL que concedeu os títulos de propriedade desses fazendeiros que produzem em toda a região. Se alguém errou, que pague por esse erro, mas não o PFL. Não foi o PFL que concedeu o direito, que registrou o documento. Então, foi injusta a forma como foi colocado aqui.

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Incorporo ao meu pronunciamento a importante colocação do nobre companheiro e amigo, deputado Onofre Santo Agostini. Quero dizer aqui que isso é uma coisa de ordem pessoal, deputado Dentinho. Por algumas vezes venho sendo questionado: afinal de contas, deputado Nelson Goetten, por que v.exa. não se manifesta mais contra o governo do estado de Santa Catarina e só bate no PT? Por que está só batendo no PT? Acho que esse é um bom questionamento. É um questionamento que, no mínimo, merece que eu venha até esta tribuna dar uma explicação.

Quero, nesta minha explicação, primeiro dizer uma coisa: vejam como as pessoas mudam de posição e como é fácil questionar os outros.

Lembro que tivemos duas grandes e importantes oportunidades para Santa Catarina. Uma vez foi quando a dona Angela Amin foi para o segundo turno. Ela foi a melhor prefeita do Brasil por cinco vezes e o PT fechou questão contra dona Angela e impôs a ela uma derrota. Não permitiu que uma valorosa mulher catarinense pela primeira vez governasse este estado.

Na segunda vez, depois de um grande esforço realizado para organizar as finanças do estado de Santa Catarina - e aí está o deputado Antônio Carlos Vieira, que fez um grande trabalho, que se tem revelado como um grande parlamentar, mas muito mais competente como administrador, e o Deputado Celestino Secco, que fazia parte do governo e trabalhou diuturnamente para ajudar a resgatar a credibilidade do estado de Santa Catarina -, Esperidião Amin candidata-se à reeleição. E o que o PT faz? Ele consegue, tendo todo o Brasil para percorrer, trazer o candidato a presidente da República a Santa Catarina, olhar nos olhos dos catarinenses e dizer que "este aí" não merece ser o governador dos catarinenses; que eu e o meu partido não estamos a favor de que Santa Catarina tenha Esperidião Amin como governador dos catarinenses.

Sr. presidente, quem falou isso foi o PT. Hoje, o PT muda o discurso e vem a esta tribuna questionar. Eu quero dizer, com toda a franqueza que me cabe: sabem por que eu mudei o meu discurso, catarinenses que estão me ouvindo? Foi porque aprendi a conhecer o governador dos catarinenses.

Luiz Henrique da Silveira foi uma das mais gratas surpresas que aconteceram na minha vida. A pessoa do governador dos catarinenses surpreendeu- me pela sua forma gentil, educada e preocupada com as coisas de Santa Catarina e especialmente do Alto Vale. Tirou-me o discurso, de fato, o governador dos catarinenses, eis que nunca na história nem eu nem o povo do Alto Vale vimos um governo tão presente quanto o de Luiz Henrique da Silveira. Só neste ano, por certo ele deve ter ido mais de 30 vezes ao Alto Vale, e no comparativo de obras, eu nunca vi no Alto Vale a realização de tantas obras num governo só.

Então, se isso vale para o resto de Santa Catarina, eu não sei, porque eu não conheço toda Santa Catarina. Tenho andado muito, mas não conheço toda. Mas lá no Alto Vale, sem precisar mudar de partido, de posição ou de cara, cabe a grandeza do reconhecimento em nome do meu povo e em nome da gente de bem que quer o bem e faz o bem, que trabalha pelo bem e que sabe reconhecer, porque assim é o nosso povo, sabe reconhecer quem tem valor, quem tem qualidade e quem faz.

O governador Luiz Henrique da Silveira tem dado essa contribuição para o Alto Vale, acredito, não fazendo mais do que o seu dever, porque ele é o governante dos catarinenses, mas dá uma boa lição quando não discrimina e atende todos os prefeitos, independentemente se são d o PP, do PPS, do PDT, do PT ou de qualquer outro partido!

Isso me surpreende. E eu tenho que vir aqui, meu líder, deputado Antônio Ceron, neste momento, falar em Explicação Pessoal que temos na figura de Raimundo Colombo a esperança de oferecer para Santa Catarina a renovação como candidato a governador, mas também temos que ter a grandeza, e preparados estamos para essa eleição, do reconhecimento.

Então, eu não mudei por acaso, eu mudei por um gesto e a pedido da minha gente, por um gesto do governo, que está fazendo a sua parte pelo Alto Vale do Itajaí, fazendo a sua parte, no meu entender, por Santa Catarina. E eu tenho que fazer justiça neste momento e dizer obrigado ao governador e torcer para que ele continue sempre lutando, sem discriminação e tentando dar o melhor de si em favor desse povo maravilhoso, dessa gente que trabalha e luta, dessa gente que tem fé e coragem, que é a gente de Santa Catarina, da qual eu, com muito orgulho, faço parte.

Então, para isso e para reconhecer isso...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)