Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

10ª Sessão - 02/02/2006

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, srs. deputados, companheiras e companheiros aqui presentes acompanhando a nossa sessão e telespectadores da TVAL, assomo à tribuna, na manhã desta quinta-feira, para fazer um relato sucinto das atividades das quais tive a oportunidade de participar no 6º Fórum Social Mundial, que ocorreu no período de 24 a 29 de janeiro, na cidade de Caracas, capital da Venezuela.

Essa sexta edição do Fórum Social Mundial foi especial para mim. Das seis edições, tive a oportunidade de participar de cinco: estive no primeiro, no segundo e no terceiro fóruns; no quarto, que foi na Índia, não participei; depois estive presente no quinto, em Porto Alegre, e agora do sexto, em Caracas.

Quero chamar a atenção porque o Fórum Social Mundial nasceu com a predisposição de fazer um enfrentamento aberto com as políticas neoliberais que avançaram na última década por todo continente latino-americano. Mas, sobretudo, para dialogar em um outro espaço, que é também um espaço de articulação política, de coordenação, de comando, de reflexão política dos expoentes da representação do grande capital.

Refiro-me exatamente ao espaço de Davos, na Suíça, que vem ocorrendo já sucessivas vezes também no mês de janeiro, e passou a ser uma trama dos interesses do capital internacional, sobretudo e especificamente, do capital financeiro internacional.

O Fórum Social Mundial nasceu com a disposição de ser uma voz que aglutine, organize e passe a fazer a reflexão dos rumos da humanidade à luz dos interesses dos explorados e dos oprimidos. Por isso vem sendo um evento cada vez mais bem sucedido, porque além de discutir temas de alcance e de interesse de toda a humanidade, a exemplo da questão ambiental, da questão indígena, da questão de gênero, das discriminações com relação às etnias, às mulheres, ele faz esse debate a partir de um compromisso alternativo dos explorados e dos excluídos, como forma de se contrapor a essa trama, a essa articulação política que vem ocorrendo nas reuniões na Suíça, em Davos, que é a representação do pensamento dominante do período em que nós vivemos.

Eu trouxe - e vou fazer chegar às mãos dos srs. deputados - um jornal chamado Terra Viva, que é uma edição que acompanhava diariamente os debates que estavam ocorrendo no Fórum Social Mundial, em Caracas. Dentre as reflexões para as quais quero chamar a atenção, está aqui a de um dos membros do Comitê Internacional do Fórum Social Mundial, Roberto Sávio. A matéria estampa uma entrevista com ele, em que diz que urge aproveitar esta década de esquerda.

A avaliação é de que há um refluxo, um revés daquilo que era um desenvolvimento quase natural dos projetos, do ideário, do pensamento neoliberal, em que, inclusive, buscavam dizer que uma outra sociedade não era possível e que a utopia que nós, da esquerda, desenvolvemos, projetando uma nova sociedade socialista, era impossível e que já se vivia no presente a própria utopia. A utopia já estava presente, que era a utopia capitalista que já havia chegado e sob os parâmetros das políticas neoliberais.

Roberto Savio diz exatamente o contrário: que foi o neoliberalismo que fez ressuscitar novamente o ideário socialista - e renasce neste Fórum Social Mundial como nunca vi, com tanta energia -, porque o fracasso das políticas neoliberais para melhorar a qualidade de vida, dar uma perspectiva de futuro para a sociedade foi comprovado. O projeto fracassou. Não há perspectiva para a humanidade, se continuarmos com as políticas neoliberais.

Lá, diante de todo esse debate, eu me lembrava do governador Luiz Henrique da Silveira, porque ele, no ano passado, esteve presente no Fórum Social Mundial, mas teve uma participação meteórica. Fez lá um proselitismo, uma propaganda de governo e, inclusive, foi vaiado no Fórum Social Mundial em Porto Alegre. Mas com tanta reflexão, com tanta discussão, acho que o governador Luiz Henrique deveria ir aos fóruns sociais mundiais para ouvir, para discutir os grandes pensadores, os grandes defensores de uma perspectiva distinta da qual ele está afiliado, que são as políticas que estão sendo desenvolvidas pelo projeto neoliberal. Digo isso porque sou professor, fui aluno desde o primário até a pós-graduação d UFSC e sei que às vezes uma boa palestra, uma boa aula, uma boa reflexão mudam o rumo da vida de muitas pessoas.

Por isso a importância de fóruns que façam uma reflexão à esquerda, uma reflexão alternativa, porque existem muitas pessoas que já estão dominadas por uma visão elitista, excludente, comprometida com os interesses do capital. E dentre eles, aqui quero fazer esta alusão, nós temos o governador Luiz Henrique da Silveira.

O Fórum Social Mundial diz que um novo mundo é possível. Eu tive a oportunidade de participar no Poliedro, que é um espaço extremamente grande, com a presença do presidente da Venezuela, Hugo Chavez, que deixou claro que quando se fala que um outro mundo é possível, o que nós estamos falando é da alternativa socialista. E ele mesmo diz que é socialismo ou morte, porque se deixarmos que o desenvolvimento da sociedade capitalista chegue as suas últimas conseqüências, nós vamos abrir cada vez mais espaço para a barbárie e para a própria lógica de autodestruição, porque a espécie humana, diferente de todos os outros animais, é a única que produz a possibilidade da sua autodestruição. E isso acontece exatamente pela lógica de funcionamento da sociedade capitalista.

Essa autodestruição está sendo seguida passa a passo. E nós temos que refletir para um outro caminho. E esse caminho é, sem sobra de dúvida, a alternativa socialista que precisamos a partir das energias, dos movimentos sociais, das articulações políticas. Neste 6º Fórum Social Mundial em Caracas devemos aglutinar forças para fazer com que a humanidade altere os rumos.

Sr. presidente, vou voltar ao tema numa outra oportunidade.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)