Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

90ª Sessão Ordinária - 22/11/2005

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, uma saudação especial aos que nos acompanham quer seja pela TVAL ou pela Rádio Alesc, aos presentes e aos meus conterrâneos que nos assistem neste momento.

A nossa cidade de Lages está em festa hoje, deputado Herneus de Nadal, 239 anos! Farei dois registros e, em seguida, vou falar com muito orgulho sobre a cidade de Lages, da nossa querida região serrana, município pólo, deputado Antônio Ceron e sei que v.exa. e o deputado Sérgio Godinho não vão deixar por menos.

Sr. presidente, o primeiro registro que quero fazer é da realização da convenção nacional do PSDB, ocorrida sexta-feira próxima passada, em Brasília, um grande evento cívico da maior importância.

Naquela oportunidade, foi eleito o novo presidente do nosso partido, o senador Tasso Jereissati. Na executiva quase todos são conhecidos nossos, alguns amigos com os quais convivemos na Assembléia Nacional Constituinte.

Lá estava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito José Serra, da cidade de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin, do estado de São Paulo, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, enfim, as maiores lideranças do PSDB e um número muito expressivo de militantes.

Santa Catarina se fez presente com uma delegação bem forte, bem numerosa: movimento das mulheres e dos jovens e nós outros, delegados à convenção nacional.

Foi eleito como primeiro-secretário do partido em nível nacional o nosso companheiro senador Leonel Pavan, a quem cumprimentamos. E acreditamos que foi uma escolha feliz porque o primeiro-secretário tem tarefas específicas e o senador Leonel Pavan está preparado para desempenhá-las.

Outro registro, sr. presidente, que quero fazer é que transcorreu o cinqüentenário da posse na presidência da República do nosso catarinense mais ilustre, o dr. Nerêu de Oliveira Ramos, que no dia 11 de novembro de 1955 assumia a presidência da República Federativa do Brasil. O dr. Nerêu Ramos era de berço político, filho de ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal, seu progenitor Vidal José de Oliveira Ramos e dona Tereza Ramos.

Eu quero crer que não é apenas um lageano que in memoriam reverenciamos nesta oportunidade, que orgulhou muito os lageanos e, por extensão, todos os catarinenses. O registro é outro, sr. presidente: quero falar com orgulho redobrado dos 239 anos de história da nossa querida Lages, a rainha da serra!

Exatamente nos idos de 22 de novembro de 1776 chegava aos campos de Lages, Antônio Correia Pinto de Macedo, designado que foi pelo governador de São Paulo da época para fundar uma cidade, para criar uma cidade forte, consistente, para frear o avanço dos castelhanos.

Antônio Correia Pinto de Macedo, que já era conhecido na região porque era fazendeiro, tinha gados na região, hesitou muito, mas acabou concordando. Deslocou-se para Lages com uma caravana numerosa, a suas expensas - naquela época não existia orçamento, nem subvenção, não existia nada -para fundar Lages. E foram três as escaramuças que culminaram, na terceira, com a fundação da cidade de Lages.

A primeira incursão foi na localidade de Taipas, às margens do rio Caveiras, que não deu muito resultado. A segunda, foi às margens do rio Canoas; de igual forma uma enchente frustou o intento de criar a cidade naquela localidade. Posteriormente, a terceira ocorreu onde está localizada, hoje, a cidade de Lages.

O fundador de Lages se encontra sepultado na Catedral Diocesana. Antônio Correia Pinto de Macedo, que nasceu em Portugal, veio para o Brasil, era bandeirante, e fundou a nossa cidade.

Lages, 239 anos de história, uma boa história! Já ostentamos por muito tempo o maior PIB, a maior população, o maior colégio eleitoral e o maior território do estado. Hoje, perdemos algumas posições, mas nem por isso perdemos o orgulho de ser a cidade mais hospitaleira do estado de Santa Catarina, sem demérito às demais cidades. O povo lageano é hospitaleiro!

Forjado nas agruras da adversidade, não raras vezes temperaturas negativas de cinco, seis graus abaixo de zero, no verão temperaturas elevadas de 30, 35 e até 36 graus de calor, mas pessoas de bom caráter, de boa índole, de fino trato, pessoas que gostam de ser visitadas, que gostam de receber bem aqueles que lá acorrem em visitas ou para fazer negócios.

Temos um parque industrial bastante expressivo, apesar da crise que no momento - e quero crer que seja passageira - nos assola, principalmente no setor madeireiro, mas o parque industrial é bastante expressivo.

Na área de serviços, Lages também se projeta alvissareiramente, pois temos extensão para progredir e crescer. O território está numa região privilegiada, no altiplano serrano. O clima é um dos melhores existentes no nosso país. Se por um lado temos o frio, por outro não tememos o calor. E sem sombra de dúvida pode ser o dia mais quente de verão que dormimos sem muita preocupação com o excesso de calor.

O clima é bom, é saudável e os lageanos orgulham-se muito de lá residir! Os migrantes, os nossos irmãos que tiveram que sair de Lages para ganhar a vida em outros estados, em outros municípios, alguns deles começam a retornar e há uma expectativa muito grande para o retorno deles.

O município de Lages já foi cogitado para ser a capital do estado de Santa Catarina. Houve, inclusive, um projeto de lei aprovado pela Assembléia Provincial à época, que chegou a ser sancionado, mas nunca implementado, que mudava a capital do estado da cidade do Desterro para a cidade de Lages.

Quero crer que à época este foi um equívoco, porque se tal tivesse ocorrido, acho que o progresso do estado de Santa Catarina seria bem mais expressivo do que é hoje. De qualquer forma, amamos muito também a nossa capital, a nossa ex-Desterro, cidade de Florianópolis, nada a ver com cidade de Floriano, mas a nossa querida Florianópolis.

Lages também já foi proclamada República, deputado Sérgio Godinho! Foi ligada à República Juliana e à República Gaúcha. E foi em Lages que aconteceu o primeiro boicote econômico. Hoje é muito comum os povos e as nações se digladiarem, ou seja, os poderosos imporem sanções, boicote econômico. Existem casos em que nações e países sucumbem por falta de recursos e de acesso a bens, principalmente remédios e por aí afora.

Lages sofreu um violento boicote quando aderiu à República Rio-Grandense com a proclamação da República Lageana. O boicote durou um ano! Não podia chegar sal e nem outros produtos que iam daqui, serra abaixo para serra acima.

Tudo isso aconteceu em Lages, não é deputado Antônio Ceron?

Lages também foi palco de grandes batalhas, de grandes pugnas. Muitos ilustres lageanos revoltosos tombaram em combate na cidade para fazer valer a vontade e a soberania do seu povo, o que ela é hoje.

Costumo dizer sempre que quem não cultua a sua história, o seu passado, com certeza absoluta não terá futuro. Nós nos orgulhamos muito do nosso passado, do passado da nossa querida terra, da história da nossa querida Lages. E por certo temos um futuro garantido, um futuro assegurado, porque temos de tudo: matéria-prima, gente hospitaleira, gente competente, território e o melhor clima para sobrevivermos naquela cidade.

Parabéns, cidade de Lages! Parabéns, lageanos! Parabéns, conterrâneos que escolheram aquela terra para residir! Felicidades a todos os lageanos, os nativos e os forasteiros, que acorreram àquela cidade para lá residir!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)