Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

13ª Sessão Ordinária - 19/03/2003

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e companheiros Deputados, venho à tribuna nesta tarde de quarta-feira para tecer alguns comentários com relação, principalmente, às manchetes dos jornais de hoje.

Mais uma vez parece que os assuntos são dois que pauteiam os jornais do nosso Estado nesses últimos 90 dias ou nesses primeiros dias deste ano de 2003: a guerra do Iraque e a briga do PSDB e do PMDB por cargos. Parece que aqui bomba não tem, mas arranhões e descontentamentos são muitos.

Estava vendo aqui hoje que de fato o PSDB tem algumas razões. Vejam que na lista dos 25 Secretários empossados, apenas um é do PSDB. Creio, Deputado Lício Silveira, que já estou ficando com um pouco de pena do PSDB, os 30% aqui foram enganados. Está mais ou menos como a história do Besc, enganaram, pregaram mais uma mentira, e essa foi para o PSDB.

Os jornais também estão dando destaque às negociatas que estão sendo realizadas a cada dia, na busca do PSDB se transformar na verdadeira filial do PMDB.

Por certo o PSDB vai pagar muito caro, porque o eleitor está atento a essa disposição com as negociações e, acima de tudo, à postura dos peessedebistas, que estão se transformando em governistas a qualquer preço.

Vai ter um custo e estou convencido disso. Mas aqui nesse jornal, Deputados Lício Silveira e Celestino Secco, tem algumas coisas interessantes. Agora os Secretários estão sendo empossados. Mas na hora da posse começou a surgir um questionamento interessante: o Secretário vai assumir e, afinal de contas, quem vai ser a faxineira?

É verdade que uma Secretaria precisa de uma faxineira, porque existe uma estrutura e é preciso alguém para limpar. Então, não serão só mais 14; ou será que um dos 14 vão fazer a limpeza?! É preciso alguém para o cafezinho. Daí vai ser um dos 14 que vão servir o café ou será preciso mais um? Lembramos que o Secretário precisa de um motorista. Mas, afinal de contas, vai ser um dos 14 ou será preciso contratar um motorista? Descobriram que agora também a Secretaria precisa de segurança, de guarda. E não sabem se serão um, dois ou três dos 14 que vão fazer a guarda do prédio ou se vão ter de contratar um guarda.

Daí é que vai começar a farra; daí é que vai chegar a hora em que a cobra vai fumar; daí é que vai ser mostrado para Santa Catarina o que vão significar, em termos de despesas, essas Secretarias; daí que vão ser centralizados todos os problemas, que vamos debater muito nesta Casa, que vão fazer com que o Governo de Santa Catarina vá pagar muito e se arrependa por ter exagerado no número de Secretarias.

Mas, por outro lado, algumas manchetes de jornais chamaram muito a atenção, porque fomos muito maltratados e ofendidos durante quatro anos nesta tribuna. É uma pena que não esteja aqui o Deputado Ronaldo Benedet. Quando acontecia um crime em Santa Catarina, diziam que o culpado era o Esperidião Amin: "Mais um assalto no Governo Esperidião Amin; Mais três assassinatos neste final de semana por culpa deste Governo incompetente de Amin". Escutávamos isso toda a semana.

Hoje temos o Secretário João Henrique Blasi, que foi um grande Companheiro nosso, um homem de bem, mas que mostra que não é o Governador Luiz Henrique da Silveira o responsável por esses crimes. As manchetes noticiam meia dúzia de assassinatos por final de semana. Hoje só uma página de jornal diz: "Assaltantes levam pânico a cinco cidades de Santa Catarina; Desconhecido mata a tiros servente de pedreiro; Quadrilha mantém família refém; Casa invadida por assaltantes; Dupla faz limpa em motel; Mais três feridos em briga; Golpista tira R$23 mil de aposentado". Estas são as manchetes. Eu só fico imaginando e questionando: "Ah, se nós fôssemos Governo".

Por isso, gostaria de dizer que concordo com o que o Deputado Rogério Mendonça disse ontem. Perdemos a eleição, sim, e temos consciência de que as urnas são sábias e decidiram. E respeitamos a decisão das urnas.

Agora, sem dúvida nenhuma, se fôssemos Governo, o que estaríamos escutando hoje se a manchete fosse essa: "Secretaria não tem verba para o Troca-Troca de 2003"! O Secretário Moacir Sopelsa, que foi um Deputado atuante e crítico, sempre fazendo Oposição nesta Casa, diz: "É pelo alto volume da dívida que está a vencer na Secretaria, sendo que R$5 milhões estão vencendo e R$5 milhões vão vencer em curto prazo".

Ora, Secretário Moacir Sopelsa, imagine se o senhor tivesse, juntamente com o Governador Luiz Henrique da Silveira, recebido um Estado com três folhas de salários atrasadas, com mais de R$1 bilhão de dívida vencida na praça, sem crédito nenhum nacional ou internacionalmente e, mais do isso, com uma arrecadação de R$174 milhões!

Como o senhor agiria neste momento, Secretário? Como agiria o Senhor Governador Luiz Henrique da Silveira, se a situação fosse essa? E ainda se visse que 73% daquele valor estava comprometido com despesas?!

Hoje, além da situação equilibrada do Estado; além de a realidade ser outra; além de termos uma condição de folha de salário tranqüila; além de termos o crédito resgatado, temos um Estado que neste mês, mais uma vez, surpreendeu com a arrecadação, chegando próxima a R$400 milhões, graças à competência do Governo que administrou Santa Catarina por quatro anos, que foi o Governo Esperidião e sua equipe.

Então, não podemos aceitar o que está publicado nesse jornal. Como ficaria se estivéssemos governando Santa Catarina e disséssemos para os agricultores que não poderíamos mais tocar o programa Banco da Terra, o programa da Renda Mínima, que era um programa fantástico de reflorestamento, elogiado até pela ONU, que tínhamos em Santa Catarina? Quantos cheques até agora foram entregues ao agricultor?

Como seria o programa Troca-Troca da Semente e do Calcário, se estivéssemos governando Santa Catarina e as notícias fossem essas? Como seria se estivéssemos governando Santa Catarina e tivéssemos prometido que o Besc seria do Estado e, de repente, lêssemos no jornal o Deputado Adelor Vieira, que é do PMDB, dizer indignado: "Besc só deverá ser privatizado em 2004". Então, é ele, que está acompanhando todos os debates com relação à questão da venda do Banco do Estado de Santa Catarina, que está dizendo. O que aconteceria conosco se tivéssemos prometido em praça pública que o Banco seria dos catarinenses e agora implacássemos dessa forma na imprensa e nos jornais?

Então, é isso que quero dizer. Como é bom virmos à tribuna para questionar, para chamar a atenção daqueles que prometem, que enganam, que mentem e que inventam com objetivo apenas politiqueiro!

Como é bom virmos aqui cobrar ações de Governo, obras paradas, contratadas, como temos no Alto Vale do Itajaí e em Braço do Trombudo, vergonhosamente. O que justifica a paralisação de uma obra contratada com recursos reservados do Banco Mundial? O que garante a continuidade daquela obra, que tem prazo para ser entregue? E já vamos para noventa dias de Governo!

Como é bom virmos aqui cobrar: por que não há solução? Só faltava virem aqui com o mesmo discurso, dizendo que não há dinheiro, que há dificuldades financeiras! Só nos faltava escutar isso: "Ah, mas não dá para reformar a escola, porque não tem dinheiro". E daí pergunta-se: "Mas não fizeram ainda um convênio com o transporte escolar? E respondem: "Como fazer, se não tem o dinheiro"!

Agora, é disso que gostamos: de ver a Oposição vir aqui para dar esse tipo de explicação, porque fomos muito maltratados durante os quatro anos, fazendo todos os esforço para acertar Santa Catarina, organizá-la e devolvê-la ao Governo que a assumiu em condições de governabilidade, como um Estado que mais cresce na Nação brasileira. E isso foi graças ao esforço, à seriedade e à responsabilidade com que o Estado foi governado!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)