Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Carlos Vieira

111ª Sessão Ordinária - 09/12/2010

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, deputado Sargento Amauri Soares, vamos continuar na sua linha de raciocínio. Eu aguardei, como v.exa. deve ter aguardado, assim como muitos dos srs. deputados e a população catarinense, por aqueles barcos russos que o então governador Luiz Henrique da Silveira anunciou após uma brilhante visita à Rússia, que esperávamos ser de interesse para o estado de Santa Catarina, mas, infelizmente, não foi. O ex-governador disse que traria esses barcos russos para disponibilizar o transporte de massa pelas nossas águas.

Também esperamos, deputado Sargento Amauri Soares, pela recuperação da ponte Hercílio Luz, porque tivemos a colocação, inclusive, aqui ao lado, de um outdoor por um empresário, felicitando o governador pela devolução da ponte Hercílio Luz à população catarinense. Isso ocorreu há seis anos, e a ponte continua como está, mas se não cair já é lucro!

Estamos também esperando, deputado Sargento Amauri Soares, por aquele metrô de superfície que serviria às nossas comunidades, anunciado como um transporte barato. Nós continuamos esperando!

E a minha emenda, deputado sargento Amauri Soares, srs. deputados, tem o objetivo de colocar recursos no PPA para estudos sobre a construção da quarta ponte. E se ao final desse estudo chegar à conclusão de que os barcos russos do então governador Luiz Henrique serão mais atuantes, que será factível, tudo bem. Da mesma forma, se após fazer esse estudo chegarem à conclusão de que a ponte Hercílio Luz, colocada à disposição da população, mais um metrô de superfície, resolverá o problema, tudo bem, não se constrói a quarta ponte! Não precisa construir a quarta ponte.

Eu até chego a imaginar o dia em que vamos destruir as duas pontes que temos e só deixar a ponte Hercílio Luz, os barcos e o metrô de superfície ou então podemos cortar as amarras da ilha de Santa Catarina desligando-a do continente. Talvez seja melhor para os moradores da nossa ilha e para os moradores do continente, que talvez tenham mais dificuldades de virem para cá usufruir das belezas naturais da nossa ilha de Santa Catarina.

Deputado Sargento Amauri Soares, nós temos que cair na realidade. É um sonho os barcos russos do então governador Luiz Henrique da Silveira; é um sonho imaginar a ponte Hercílio Luz aberta ao tráfego; é um sonho do então governador Luiz Henrique da Silveira termos o metrô de superfície; é um sonho, também, termos aqui, nas nossas baías, barcos transportando passageiros de lá para cá. É um sonho!

Talvez fosse melhor, deputado Sargento Amauri Soares, pensarmos em outra solução. Uma solução um pouco mais draconiana. Por que não aterrar? Vamos acabar com a ilha, vamos aterrar definitivamente o nosso canal e não precisaremos mais construir pontes. E vamos jogar a nossa ilha a Deus dará. Vamos continuar construindo prédios públicos lá no interior da ilha. Talvez se consiga desafogar o nosso trânsito.

V.Exa. conhece, deputado Sargento Amauri Soares, o trânsito interessante dos caminhões de lixo? Acho que os srs. deputados ainda não acompanharam os caminhões de lixo aqui de Florianópolis. Sabe como é que acontece deputado, Flavio Ragagnin? O lixo doméstico do continente, do Estreito, por exemplo, é recolhido por aqueles caminhões da Comcap, que fazem um belíssimo trabalho - e aqui vão os meus elogios à Companhia de Melhoramento da Capital -, mas, depois de cheio, o caminhão, srs. deputados, atravessa a ponte e vai até o Itacorubi, onde faz um transbordo, isto é, o lixo recolhido por caminhões pequenos são despejados em caminhões maiores e seguem viagem, atravessando a nossa ponte novamente, até Biguaçu. Olhem bem o desperdício de óleo, o desperdício de tempo e o incômodo no nosso trânsito. Mas ninguém se dá conta disso, ninguém. E sabem por quê? Porque falamos muito, mas ninguém tem coragem para decidir nada! Infelizmente essa é a verdade!

Quem, hoje, dos administradores públicos, seja municipal ou estadual, tem coragem para enfrentar essa situação? Ninguém. Vamos continuar na mesma situação, no mesmo marasmo. A ilha é tão bonita, vamos construir prédios públicos no seu interior, quanto mais no interior da ilha, melhor, porque fica mais perto das praias. Ou vamos construir fora do centro, porque não há uma beira-mar norte para atrapalhar, daí seguir viagem para Canasvieiras, Jurerê, Rio Vermelho, talvez Lagoa. Mas é assim que acontece a vida, deputado Sargento Amauri Soares.

Então, aqueles que pensam um pouquinho pelo menos procuram dar uma ideia para melhorar. E por isso a minha proposta dessa emenda que objetiva o estudo.

Eu gostaria até, deputado Sargento Amauri Soares, que nesse estudo que deve ser feito não se incline pela nova ponte. Tomara que não! Tomara que a decisão seja no sentido de que é bem melhor levar a capital daqui para fora, pegar o Centro Administrativo e jogá-lo para o continente, pegar a estação rodoviária... E eu não sei por que cargas d'água, em 1982, ela foi inaugurada na ilha, quando o correto seria que fosse inaugurada no continente. E daí os moradores do continente já ficariam por lá e não precisariam atravessar a ponte.

Deputado Sargento Amauri Soares, eu acho que nós precisamos conversar muito a respeito de transporte. Quando v.exa. fala dos empresários do setor, eu acho que nós precisamos discutir quem são eles. E v.exa. vai estranhar algumas figuras! O senhor vai imaginar: "Puxa, mas eles também têm propriedade de empresa de ônibus? Mas como"? Impressionante, mas têm! Quando eu falo "eles" v.exa. já começa a botar uma pulga atrás da orelha porque já sabe quem são! Mas ninguém discute, ninguém fala!

Deputado Silvio Dreveck, nós só fazemos de conta. Nós fazemos de conta que não há problema nenhum no nosso trânsito; fazemos de conta que o transporte, hoje, é livre e faceiro pelas nossas baías. Vamos ver agora, no verão, muitos barcos de milionários saindo do nosso Iate Clube em direção a Jurerê Internacional. Talvez levem meia dúzia de pobres empregados! Acredito que sejam os empregados de barcos e não os empregados de empresas, não os empregados que realmente precisam dar o seu suor para ganhar o dia-a-dia.

Mas eu gosto de sonhar. Eu sou um sonhador. Eu fico, todo dia, colocando o meu dinheirinho na minha mesinha de cabeceira para pagar o ticket do metrô de superfície! Eu estou louco para pagar o metrô de superfície! Eu acho que vou morrer e não vou pagar metrô de superfície em Florianópolis!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)