102ª Sessão Ordinária - 05/10/2009
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, companheiras deputadas, companheiros deputados, já dizia o grande poeta que "Se quiseres cantar o mundo, cante a sua aldeia". E Fernando Pessoa complementava que "o rio que passa na minha aldeia é o rio mais belo, é o rio que ajuda a agregar". E é importante saber que as suas margens reúnem forças que podem conter esse rio. Então, se o poeta estivesse em Florianópolis, ele iria dizer que a lagoa que passa na nossa aldeia é a mais bela lagoa.
Estou falando na Lagoa da Conceição. Por quê? Porque nesse último final de semana, pude presenciar algo que me preocupa muito nesse mundo moderno, que são os gargalos, os engarrafamentos para as praias, principalmente na região da bacia da Lagoa da Conceição. Toda a avenida Major Ortiga, assim como a avenida das Rendeiras, no sentido praias da Joaquina, Mole, Galheta, Barra, enfim, qualquer fluxo no sentido do Rio Vermelho era um engarrafamento só, com carros na maioria de fora. São engarrafamentos de três a quatro horas, no mínimo. A partir das 17h eram milhares de carros funcionando e parados, emitindo dióxido de carbono.
Será que não temos alternativas de transporte? Existe, sim! Há 15 dias, fizemos uma viagem da Barra da Lagoa até a Lagoa da Conceição, mostrando que de barco é possível chegar mais rápido do que de carro. A cooperativa, a associação de pescadores, as comunidades, as ONGs, organizaram-se para fazer essa viagem e chamaram a imprensa. E foi constatado que existem disponibilidades de barcos equipados. Inclusive, quando fomos prefeito da Capital de todos os catarinenses fizemos o transporte marítimo da Lagoa até a Costa da Lagoa, do Rio Vermelho até a Costa da Lagoa, onde moram somente 500 famílias, chegando a um total aproximado de 1.600 pessoas.
Esse transporte marítimo, devido o esforço, é feito por barqueiros. Ele cresceu, melhorou, aperfeiçoou-se, obedecendo às regras da Marinha, quanto aos pontos de parada, enfim, são bem organizados. E esse transporte é feito com tranquilidade.
Então, está havendo uma injustiça, sim, porque se você mora em qualquer município da Grande Florianópolis e quiser vir para o centro paga apenas uma passagem, mas aqueles moradores pagam uma passagem de barco até a Lagoa e outra da Lagoa até o centro. Ou seja, pagam de ida e volta quatro passagens. São mais de R$ 8,00 só de passagens. Essas pessoas, devido à questão de ter o direito ao vale transporte, têm dificuldade em ter empregos.
Ora, não se corrigiu essa distorção. Os passageiros de outros municípios pagam apenas uma passagem. E internamente é o único caso que existe no município de Florianópolis em que as pessoas pagam duas passagens para virem até o centro e voltar.
Por isso, as cooperativas e os barqueiros se reuniram e mostraram que é possível ampliar e melhorar o transporte marítimo. E muito temos lutado por essa atividade, no sentido de oferecer alternativas para este verão. Se o transporte marítimo deu certo na Costa da Lagoa, onde tem aproximadamente 1.600 pessoas, por que não vai dar certo na Barra da Lagoa, que tem 12 mil pessoas morando, as quais poderão fazer essa viagem em menos de meia hora? Mas não é somente a Barra da Lagoa. Isso pode ser feito do Rio Tavares até a Lagoa, até os restaurantes da Barra da Lagoa, pode ser feito do centro até a Barra da Lagoa, da Barra da Lagoa até a Costa da Lagoa, do Canto do Araçá até a Barra, da Barra até o Rio Vermelho, da Lagoa até o Rio Vermelho.
Poucas pessoas sabem, mas nos fundos do Hotel Engenho, onde é a montante parajusante do rio, na saída da barra do Rio Vermelho, esses barcos navegam com 60cm de calado. Essa viagem foi feita e mostrada à imprensa, à comunidade e ao núcleo de transportes. Inclusive, todo o processo de autorização está encaminhado ao núcleo de transportes. Pasmem, senhores, mas o núcleo de transportes disse que não conseguiu ainda pegar a assinatura do responsável pela mobilidade. Então, imaginem neste verão o engarrafamento de toda essa região, que é a mais bela da nossa Ilha.
Está lá somente para assinar, mas não conseguiram pegar a assinatura do companheiro e amigo que conheço ao longo dos anos, João Batista, para autorizar o funcionamento, que já poderia começar agora, com a aproximação do verão, para mostrar que temos alternativas para as pessoas chegarem à Lagoa. Elas deixariam os seus carros e iriam para várias localidades de barco, num passeio tranquilo, levando suas famílias e voltando sem ficarem naquele eterno engarrafamento.
Só para terem ideia, fizemos um pedido, através da associação dos restaurantes de todas essas regiões, que dá aproximadamente quase 100 restaurantes.
Então, não há necessidade de o abastecimento desses restaurantes ser feito por caminhões, que ajudam a engarrafar o trânsito - às vezes são oito caminhões engarrafando aquele trecho. Esse abastecimento pode ser feito através de barcos.
Quanto ao nosso transporte marítimo, chegamos inclusive a fazer esse transporte em águas externas, onde o Deter era o responsável. E nós o fizemos enquanto prefeito, por 89 dias. Mas, depois, não fomos mais autorizados. Mas fizemos como experiência, do centro até Canasvieiras, até a Tapera, Santo Antônio, enfim, a várias localidades. E nas águas internas implantamos cooperativas. Mas Florianópolis cresceu. E essa região é a mais frequentada pelos nossos turistas.
Até pergunto qual a única praia popular que o povo pode frequentar em Florianópolis? Antigamente tínhamos várias. Tínhamos a praia de Fora, no centro, Itaguaçu, no continente. Hoje, a única praia popular é a praia da Barra e um pouco do Campeche e do Moçambique também. Mas para fazer esse trajeto a população perde uma média de quatro horas nos engarrafamentos. Então, é um direito que a população tem usar o barco para completar o trajeto, fazendo o caminho inverso. E há uma reivindicação dos moradores nesse sentido.
Portanto, quero cantar, sim, a nossa Lagoa da Conceição. Quero lembrar o que o nosso poeta Zininho fez, agora, em outros tempos, de forma equilibrada, de forma sustentável e com mobilidade. E não é só porque a palavra é moderna e bonita, mas, sim, porque devemos fazer ocorrer na prática. Já o fizemos e esperamos o mesmo desta administração com relação ao turismo.
Quero registrar aqui, mais uma vez, o grande projeto também relacionado à questão marítima, porque temos que trabalhar muito nisso. Sou um lutador dessa questão do projeto do estaleiro em Imbituba, com os interesses da Construcap, o interesse do governo do estado, as leis de incentivo para que esse projeto ocorra.
Já temos o EBX, em Biguaçu, do Eike Batista, com um bilhão de dólares. E esse será de 1,2 bilhão gerando cinco mil empregos naquela região...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)