5ª Sessão Ordinária - 19/02/2008
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Sr. presidente, deputado Julio Garcia, deputados colegas parlamentares, deputadas, visitantes que participam desta sessão.
Assomamos à tribuna para prestar contas da nossa viagem à Europa, entre os dias 3 e 14 de fevereiro. O objetivo central dela - e nós nos preparamos há alguns meses - foi compreender as diferentes experiências tecnológicas na área de energias renováveis. Por isso focamos a nossa viagem no sentido de compreender e buscar as melhores experiências do mundo na área de tecnologias de energia renovável. Estivemos na Alemanha e na Itália, e gostaríamos de fazer aqui uma síntese da nossa viagem, dizendo da sua importância e dos encaminhamentos que vamos tomar a partir dela.
Primeiro, queremos dizer que visitamos o Instituto de Energias Renováveis no norte da Alemanha, que está construindo todo um aparato público e articulado com empresas privadas para o desenvolvimento de políticas na área de energias renováveis.
Estivemos visitando o Centro de Tecnologia de Energias Renováveis, também no norte da Alemanha, constituído pelo poder público - 51% - e pelo poder privado - 49%. Então, trata-se de um Centro de Produção Tecnológica na área de energias renováveis, como energia eólica, energia solar, energia térmica e outras energias da biomassa. Essa experiência de um centro tecnológico mostrou a necessidade de o nosso poder público não só apoiar as empresas, mas produzir tecnologias. E foi por isso que percebemos que a Alemanha é um dos países que têm as melhores tecnologias do mundo na área da energia renovável.
Estivemos visitando a Biogas Nord, uma empresa que tem representação brasileira, inclusive, e está produzindo, na área do biogás, através de dejetos suínos, bovinos, extrato de milho ou outros dejetos, inclusive de lixo orgânico urbano, energia elétrica, energia térmica e fertilizantes.
Há meses tenho defendido a tese, inclusive desta tribuna, de que, lamentavelmente, as várias posições de técnicos aqui em Santa Catarina são no sentido de resolver o problema dos dejetos de suínos produzindo biogás somente, biodigestores. E nós nos convencemos agora, mais do que nunca, que só há razão para o biodigestor, se gerar energia elétrica, ou energia térmica, ou as duas energias, além da produção de fertilizantes. Eu me convenci de que existe tecnologia no mundo para dar essa resposta social, econômica e ambiental ao nosso estado de Santa Catarina.
Voltei convencido de que, se houver vontade política do governo, das empresas estatais e da organização da sociedade civil, há possibilidade de, a médio prazo, darmos uma resposta ambiental e econômica para os dejetos de suínos aqui do estado de Santa Catarina. Fiquei muito feliz de ter construído esse estudo e verificado in loco que existe tecnologia disponível para gerar a energia que tanto precisamos, e inclusive para manter a preservação ambiental, gerando renda para os nossos agricultores.
Também visitamos - e divulgamos à imprensa os nossos objetivos da visita, e foi tudo público - empresas de biogás e de energia eólica. Inclusive, tivemos a oportunidade de subir num instrumento que gera energia eólica, que chamamos popularmente de cata-vento, de 100 metros de altitude. E naquele espaço gera-se 1.8 megawatts de potência, ou seja, 1,800 milhão de quilowatts de energia através de uma única hélice de energia eólica.
A Europa, mesmo com um inverno prolongado, possui muita tecnologia na área de energia solar. E nós, que temos tanto sol, tanta biomassa, tanto vento aqui no Brasil, poderíamos buscar essas alternativas.
A PCH é uma experiência extraordinária de energia elétrica, de produção de alimento, de produção e repovoamento do rio com os peixes, com uma tecnologia simples. E eu me convenci da importância desse processo construído.
O Sr. Deputado Professor Grando - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Depois concedo um aparte ao deputado Professor Grando, que é especialista também na área ambiental. E fico feliz de v.exa. participar da minha fala, através de um aparte.
Por último, quero dizer que participei da feira agrícola na Itália, em Verona, sendo que um pavilhão inteiro era só sobre bioenergia. As tecnologias disponíveis em toda a Europa foram destinadas para produzir: energia solar, energia eólica, biogás, energia elétrica, energia térmica e PCHs.
Por isso volto feliz da Alemanha, da Itália, enfim, dos países que visitei, e prestarei contas através de um relatório detalhado, com fotografias, com material escrito em alemão, deputado José Natal, em italiano e em espanhol - o italiano e o espanhol são mais fáceis, mas o alemão é uma língua extremamente complexa e difícil.
Em maio, vamos realizar, junto com a Universidade Federal e com o apoio da Mesa Diretora, através do presidente da Assembléia e outras entidades, um grande evento aqui em Florianópolis, com a presença de especialistas europeus, alemães e italianos, para que possamos promover aqui no estado de Santa Catarina e no Brasil políticas e uma legislação nova para garantir a compra dessa energia.
O Sr. Deputado Professor Grando - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Pois não!
O Sr. Deputado Professor Grando - Quero parabenizar v.exa. e dizer que nós, que tivemos a oportunidade de representar o Brasil e esta Casa, também prestamos conta, assim como o deputado Valmir Comin.
No mundo moderno, hoje globalizado, usa-se muito o termo replicar. Se dá certo num lugar, tem que dar em outro lugar. Se dá certo na Alemanha, nos Estados Unidos e na Austrália, tem que dar certo aqui.
E Santa Catarina é o estado que pode ser beneficiado por energias alternativas com o financiamento de crédito do carbono. Vejam que, na questão dos dejetos suínos, como relatou o deputado Valmir Comin, quatro empresas virão, sendo que cada uma gerará 30 megawatts aproveitando os dejetos do suíno, da galinha e do peru. Há também a questão do carvão e do saneamento.
Então, Santa Catarina realmente tem que investir na tecnologia moderna e na energia alternativa.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Muito obrigado, srs. deputados!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)