96ª Sessão Ordinária - 03/12/2008
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, é claro e evidente que, neste momento em que Santa Catarina está vivendo essa tragédia, quando assomamos à tribuna desta Casa não podemos, de forma alguma, deixar de fazer alguns comentários sobre a calamidade que ocorreu em algumas regiões do nosso estado.
A verdade, sr. presidente e srs. deputados, é que nós tivemos, na semana passada, especialmente na região de Joinville e Jaraguá do Sul, seriíssimos problemas quando lá ocorreram chuvas que há muitas décadas não aconteciam, mas tivemos também uma solidariedade nunca vista em nossa região. Eu até pedi ao pessoal do meu gabinete que desse entrada nesta Casa a um projeto para denominar Joinville como a capital da solidariedade em Santa Catarina. E o deputado Kennedy Nunes, que é da minha cidade, da minha terra, sabe com bastante profundidade, com bastante clareza o que isso quer dizer para nós, de Joinville. Joinville é capital catarinense da solidariedade humana! Comove a todos o nível de solidariedade do povo joinvilense.
Infelizmente, não foi possível dar entrada nesta Casa a esse projeto, porque nós já somos a Capital da Dança, e pelo projeto apresentado pelo deputado Silvio Dreveck agora só podemos ser capital de alguma coisa uma única vez; uma cidade não pode receber duas homenagens no mesmo sentido. No caso, como Joinville já é a Capital da Dança, não pode ser sacramentada também como a capital da solidariedade.
De certa forma, até houve por parte do deputado Silvio Dreveck a intenção de dar um ordenamento a isso. Porque aqui mesmo nesta Casa nós estávamos tendo um festival de projetos, era capital de tudo quanto é lado, era uma avalanche de projetos nesse sentido. Com o projeto do referido deputado foi possível dar um ordenamento a isso tudo. De qualquer maneira, nós, joinvilenses, vamos ter em nossos corações, com certeza absoluta, Joinville como a capital da solidariedade.
E passado esse momento mais difícil, a hora agora também é de agradecer àqueles que deram pouco ou muito de si para ajudar a amenizar o sofrimento do próximo, demonstrando através de atos, de ações a sua solidariedade e o seu sentimento cristão e de amor a esse próximo que teve dificuldades.
Fica aqui o agradecimento aos bombeiros voluntários de Santa Catarina, especialmente aos da nossa região; à Polícia Militar e Polícia Civil; à Defesa Civil; aos nossos amigos do Graer, que são os policiais do helicóptero da nossa região e de todos os helicópteros que trabalharam em Santa Catarina; aos funcionários públicos municipais, estaduais e federais; aos médicos e enfermeiras; aos soldados do Exército; ao pessoal do Samu; aos paramédicos, ao pessoal da imprensa; às entidades filantrópicas; aos clubes de idosos e de mães; às empresas, aos empresários e estudantes; ao Poder Judiciário; e até mesmo a um segmento dos que estão privados de sua liberdade, os detentos, que também entraram nessa corrente; às cozinheiras; aos voluntários anônimos; aos escoteiros; às igrejas de todos os credos; aos proprietários de caminhões e de lanchas.
Enfim, agradecemos a todos, indistintamente, que, de alguma forma, procuraram se solidarizar com o próximo, especialmente ao nosso governador Luiz Henrique, ao nosso secretário Regional Manoel Mendonça, aos deputados de nossa região. E posso citar aqui dois deputados, e especialmente o deputado Kennnedy Nunes, com quem cruzei lá no Jativoca. Ele estava andando pelo trilho para chegar a algumas casas, enquanto eu chegava numa Besta carregada com colchões e um monte de coisas. Nós nos encontramos lá em determinados lugares. Deputado Kennedy Nunes, um voluntarioso, um grande abraço a v.exa.!
E é hora também, sr. presidente, de ter piedade com aqueles que não se sensibilizaram com tudo o que aconteceu e tocaram as suas vidas como se nada tivesse acontecido: aos que cobravam R$ 5,00 por um litro de água; aos que chegaram ao cúmulo de cobrar R$ 150,00 por um botijão de gás; aos que foram pedir alimentos e água nas áreas secas para vender nas áreas flageladas; àqueles que esperaram as pessoas saírem de suas casas para roubar o que restou; aos que saquearam residências e supermercados para levar tudo o que viam pela frente sem sequer estar necessitados. Só resta pedir a Deus que tenha piedade deles pela insensibilidade e pela ganância que os tornam cegos para tudo e para todos, sr. presidente. Para essas pessoas, Deus certamente deve ter reservado alguma coisa que nós não sabemos.
Muito obrigado, sr. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)