62ª Sessão Ordinária - 21/08/2007
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, a questão de falar na tribuna está ficando extremamente difícil. E por sorte, eu diria assim, nós conseguimos ocupar a tribuna no dia de hoje. O problema é que não se respeita o Regimento Interno da Casa. Esta é uma grande verdade, porque se ele fosse respeitado, o deputado que não fala tão frequentemente como tantos outros falam, teria o direito de usar a tribuna no horário de Explicação Pessoal. Mas isso não é respeitado. Na verdade tem-se que fazer fila desde de manhã para fazer a inscrição para ocupar a tribuna e depois já tem a seqüência. E não é assim o certo! Os srs. deputados sabem que este não é o procedimento que está no nosso Regimento Interno.
De qualquer maneira, quero aproveitar esse momento para trazer aqui a tristeza e a lamentação de fatos que ocorrem na nossa região. Primeiramente, melancolicamente, de maneira muito triste, quero citar aqui a morte ou o assassinato número 45 no município de Joinville. Não estamos acostumados com tanta matança, estamos habituados com delinqüentes, com desvios de conduta por parte de pessoas da nossa cidade, mas não com assassinos em tanta quantidade como estamos vendo neste ano. Se bem que já falei e torno a falar que 95% desses que foram assassinados não valiam o feijão que comiam.
Então, na verdade, estão fazendo quase uma limpa do que não presta no município de Joinville. Mas há que se lamentar mesmo assim porque eles não nasceram bandidos, nasceram pessoas como nós, mas tiveram desvio de caráter e de conduta no decorrer da vida. E desses 45 assassinatos, eu diria que pelo menos uns 38 por aí já tinham problemas sérios com a polícia, um fichário completo com a Polícia Civil e com a Polícia Militar. Então, eram pessoas que na verdade perturbavam de maneira bastante forte a comunidade joinvilense, e acabaram terminando suas vidas precocemente. Esse é um fato que só temos a lamentar, que está acontecendo no município de Joinville.
Podem pensar, então, que a nossa cidade está uma insegurança total, que está uma verdadeira loucura?! Eu não diria que é isso, são crimes pontuais, que acontecem na sua maioria no meio da marginalidade, no seio da marginalidade. As pessoas de bem continuam sendo assaltadas, tendo suas casas arrombadas, postos de gasolina, farmácias, pequenos comércios, armazéns, esses são, sim, visitados diariamente no município de Joinville, como também o são em outras cidades de Santa Catarina, e porque não dizer do Brasil.
Agora temos que lamentar, deputado José Natal, a sexta morte, em pouco tempo, de crianças recém-nascidas na nossa região. Só no município de São Francisco do Sul, em menos de 15 dias, tivemos a constatação, se não estou enganado, da segunda ou terceira morte de bebês dentro da sua própria casa. Foram vítimas de violência por parte do pai ou da mãe? Não! O último caso aconteceu nesta madrugada, quando a mãe foi dar de mamar ao bebê, às 3h da manhã. O bebê dormiu, a mãe dormiu também e quando acordou o bebê já estava morto no berço. Isso aconteceu nesta madrugada. Há três dias a mesma coisa, na mesma região. Há uma semana a mesma coisa, na mesma região. O que está acontecendo? É coincidência ou será que está faltando orientação médica às gestantes daquela região, porque todas que perdem os filhos dessa forma são pessoas muito humildes e sem nenhum esclarecimento.
Então, o que me vem à mente é que se aquelas mães tivessem um acompanhamento médico adequado, tivessem uma orientação depois do parto, ao irem para casa, isso não aconteceria. Uma parteira ou um médico deveriam dizer a elas que quando o bebê mama é preciso que seja mantido mais em pé, no ombro, batendo nas costinhas para arrotar. Qualquer mãe sabe que tem que fazer o neném arrotar depois de mamar. É tão difícil, que eu mesmo cansava de bater nas costas do meu filho para fazê-lo arrotar, para depois colocá-lo para dormir.
Quem sabe estão faltando orientações básicas para as mães da nossa região, especialmente de São Francisco do Sul, porque são muitas as mortes de bebês nas mesmas condições. Ninguém esgoelou a criança, ninguém pegou pelo pescoço ou enfiou o travesseiro. Não! São mortes muito provavelmente por afogamento devido à mamada da madrugada e à devolução ao berço sem arrotar.
Então, o que queremos é alertar São Francisco do Sul, uma cidade a qual quero tão bem, para que as autoridades do município, especialmente o prefeito, tomem uma providência no sentido de amenizar a situação, talvez conversando com os médicos, para que os mesmos orientem de maneira substancial as mães, especialmente aquelas mais humildes.
É mais ou menos isso o que teria a dizer. Eu não estava preparado para falar. Tenho "n" assuntos para tratar desta tribuna, sr. presidente, mais fui pego de surpresa até porque fui chamado depois de muitos que estavam inscritos e não estavam presentes quando chamados. Aí acabou sobrando para este deputado, o que, aliás, é motivo de satisfação, porque é difícil conseguir falar desta tribuna. Mas amanhã vamos tentar inscrever-nos para trazer alguns dos nossos trabalhos nesta Casa, a fim de que a comunidade que assiste à TVAL, não só aqui, como na nossa região, possa saber o que nós fazemos de bom para Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)