38ª Sessão Ordinária - 15/05/2007
O SR. DEPUTADO GELSON MERÍSIO - Sr. presidente e srs. deputados, antes de abordar o tema a que tinha me proposto e que vou fazê-lo em seguida, não posso me furtar do debate proposto pelo deputado Kennedy Nunes sobre um tema que para mim, assim como tenho certeza de que para todos os srs. deputados é muito próximo, que é a questão da saúde.
Desde o início do meu mandato, há pouco mais de três anos, eu tenho, e mantenho, em Florianópolis, uma casa chamada Casa do Oeste, que recebe as pessoas que vêm para cá para fazer tratamento, fazer exames e que precisam de uma acomodação, porque não têm onde ficar.
Da mesma forma, tenho, em Chapecó, uma Casa do Oeste, que pode receber até 40 pessoas, que está sempre lotada, diga-se de passagem, para aquelas pessoas pobres da região que precisam ir a Chapecó, especialmente, fazer tratamento oncológico.
Eu tenho também, em Xanxerê, uma casa que recebe as pessoas, em função da referência em cardiologia, que atende toda a região oeste.
Digo isso para deixar claro e evidente duas coisas: primeiro, o carinho pelo tema e, segundo, a constatação de que de fato nós temos anomalias no sistema de saúde, até porque na Casa do Oeste, em Florianópolis, que eu mantenho, já passaram mais de 7 mil pessoas do oeste por lá. E seria muito bom que essas pessoas pudessem ser atendidas próximas às suas casas, seja em Chapecó, em São Miguel d'Oeste ou em Joaçaba.
Mas também temos que ser justos e fazer uma referência ao trabalho que está sendo feito pelo secretário Dado Cherem, pela Carmen Zanotto e pela equipe da secretaria da Saúde.
Nesse período em que eu tive contato com essas pessoas, nesse período em que eu conversei com essas pessoas e que as acompanhei, pude constatar que é inegável que nós melhoramos consideravelmente o serviço de atendimento à saúde. Na região oeste, melhoramos muito as nossas referências, melhoramos muito o atendimento dos nossos hospitais.
Mas também é evidente e é claro que a saúde sempre será um tema em que a demanda será sempre maior do que a oferta de serviços. Até porque, com a evolução tecnológica, para um exame de ponta, e o deputado Jailson Lima há de concordar comigo, como a ressonância magnética, a tomografia ou um outro exame desse tipo, a cada ano, teremos novas tecnologias, melhores diagnósticos, e os melhores exames se apresentam quase sempre nas capitais e criam, por si só, um fluxo de pessoas lá do interior que querem também ter acesso a essas novas tecnologias, o que é absolutamente justo.
Estou dizendo isso por um dever de justiça, para reconhecer os problemas que ainda temos, mas também para reconhecer o esforço, o trabalho e a significativa melhoria que tivemos no atendimento às pessoas, especialmente àquelas que eu conheço mais, que são as pessoas do oeste. Por isso faço este registro de solidariedade ao secretário Dado Cherem e a toda a sua equipe.
O segundo assunto que trago à tribuna, com toda sinceridade, não me traz nenhum prazer. Quando eu trouxe para debate esse assunto, na semana passada, imaginei que seria a última ocasião em que trataria desse tema, até porque errar faz parte da cultura humana e seguidamente nós nos encontramos em caminhos que precisam ser corrigidos, mas é bom que seja corrigido rapidamente esse problema, quando ele for detectado.
Eu fiz, desta tribuna, um comentário sobre o que acontecia com relação ao tratamento dispensado a esta Casa, no caso específico pela secretária da Ação Social, Dalva Dias. E o fiz com toda a educação e respeito à pessoa da secretária, pela sua função e até porque alguém que chega ao cargo de secretária de estado, com certeza tem merecimento e também o nosso respeito.
No entanto, ontem, na coluna do jornalista Paulo Alceu, por quem tenho o maior respeito, a secretária disse que não estava brincando de ser secretária e que está trabalhando e defendendo, com determinação e zelo, a sua função, que o deputado Darci de Matos havia desmarcado um encontro com ela, que a agenda dele deveria ser mais importante do que a dela, o que também não aconteceu. E, ao encerrar, ela disse que deve ter algo por trás desses ataques.
Primeiro, devo dizer que não houve nenhum ataque, e sim uma constatação que deve ser feita, e a tribuna é o local apropriado, porque temos legitimidade para falar.
Por fim, a secretária disse que a razão desses ataques que vêm do PFL, partido que ela já conhece, deve ser porque há algum cargo que está sendo disputado.
Deputado Herneus de Nadal e srs. líderes, essa atitude da secretária com o partido não foi respeitosa, ainda que fosse adversário, e também não foi uma atitude respeitosa com os parlamentares. Além disso, a referida secretária entrou em contato com a Casa pedindo direito de resposta nesta tribuna sobre o comentário que eu havia feito.
Então, quero dizer à assessoria da nobre secretária e a ela própria que esta tribuna é facultada a todo cidadão catarinense e brasileiro e que a ele basta disputar a eleição e receber, como no meu caso, mais de 40 mil votos, que ela lhe será franqueada, porque aqui é a tribuna para quem tem o exercício de liderança popular, para quem representa uma parcela da população. Se a secretária quiser isso, ela terá que seguir esse pressuposto. Agora a sua função é atender, resolver os problemas, dar atenção a quem representa a população, no caso os deputados, explicar por que, no caso de Joinville, desde dezembro, não são pagos os convênios para as entidades sociais, pois para tudo há explicação e compreensão. Mas não podemos ter compreensão quando se manda pelo jornal um recado desaforado como esse, não apenas ao deputado Darci de Matos, porque não foi ele quem falou, e sim o líder da bancada, mas ao partido e às pessoas que fazem parte dele. Foi um ataque que ela fez e nós não podíamos deixar de passar em branco sem fazer este registro.
Quero, mais uma vez, dizer que não temos absolutamente nada pessoal com relação à secretária. Fizemos este registro para que sirva também de referência para os outros secretários, independente de partido político; não importa se é da base do governo, se é do PT ou do PP, o deputado é um representante do povo. Não há ninguém aqui que tenha recebido menos do que 20, 30, 40 mil votos. Ele representa, portanto, uma região, uma população que merece, no mínimo, o direito de conversar com o seu representante que exerce uma função pública.
Está feito o registro e espero, sinceramente, que haja, por parte da secretária, a humildade necessária para retomar o diálogo e, acima de tudo, estabelecer uma relação respeitosa com esta Casa e com os seus parlamentares.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)