Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

19ª Sessão Ordinária - 03/04/2003

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. Presidente e Srs. Deputados, confesso que venho à tribuna, na manhã de hoje, motivado pelas palavras do Deputado João Rodrigues, do PFL. Ouvi o seu discurso e não poderia ficar calado. Por isso, quero me referir as suas palavras e lamento que ele não se encontre, neste momento, no Plenário.

O Deputado e a Bancada do PFL vêm questionando o PT de Santa Catarina, perguntando para que lado estaria o PT, com relação ao Governo Federal. Mera provocação. Disseram, inclusive, que no dia de ontem, que o PT deveria deixá-los ocupar o espaço da Oposição.

Ora, o espaço da Oposição, no caso do PFL, sequer foi resultado da disputa eleitoral de 2002. Desse o resultado que desse, o PFL automaticamente seria Oposição, Deputado Reno Caramori, porque o PFL não se apresentou para disputar as eleições presidenciais. Um Partido da magnitude eleitoral e da estatura política do PFL, omitiu-se do processo eleitoral para discutir o projeto nacional.

A Oposição foi automática. O PFL não teve candidato à Presidência da República e à vice-Presidência, e teve uma candidatura que iniciou e foi abortada pelo episódio da Lunus.

O PFL teve uma ala que apoiou Ciro Gomes, outra ala que apoiou José Serra, e outra que descarregou os votos no Lula. Qualquer resultado que desse na eleição, ele seria Oposição, porque enquanto Partido Político não tinha conteúdo programático a ser apresentado à sociedade na eleição de 2002.

Nós não sabemos o que o PFL apresentou, porque enquanto Partido foi nulo politicamente.

Então, é claro que vai ter que fazer Oposição. Agora, o que acho estranho é que parece que eles ainda não assimilaram o resultado eleitoral.

Ora, aí vem uma incoerência: se não disputaram a eleição, se não tinham candidato, se não tinham programa para disputar o conteúdo do projeto para o Brasil... E ainda assim não assimilaram o resultado! Omitiram-se, furtaram-se ou, então, foram incompetentes, incapazes e não conseguiram sequer se organizarem para ter uma cara própria. Agora vão ter que ficar lamentando, lamentando, lamentando.

Então, se observamos essa situação no plano federal, até vamos entender. Mas se observarmos a posição deles no plano estadual, a coisa fica mais confusa. Será que o Governo anterior fez algumas preferências dentro do PFL com relação ao Show do Milhão? Será que agora estão sentindo falta do calor das relações entre os Deputados, que aqui eram a base de sustentação do Governo Amin, e a relação com o Executivo, que tanto aqui desta tribuna denunciamos? E agora estão acordando para o fato de que não têm mais aquela situação que tinham, era aquele negócio de subvenção social para entidade "a", de subvenção social para entidade "b". Tem Município que está com saudades de recebe subvenção social pelas mãos dos Deputados.

Espero que essa reforma administrativa, a tão chamada descentralização... Pode ser útil, acabando com aquela situação que os Deputados eram intermediários de cheques nas comunidades e nos Municípios.

Espero que essas administrações regionais tirem o palanque, o trampolim eleitoral de muitos Deputados e que elas sejam, efetivamente, administrações e não comitês eleitorais, como se tentou fazer aqui no período anterior.

Então, estranho esse tipo de comportamento do PFL. E digo mais: os jornais trazem no dia de hoje que o PFL vai mudar de nome, mais uma vez. O que justifica o Partido da Frente Liberal mudar de nome? Qual é a motivação, a razão disso? O que está acontecendo? Dizem que vão criar agora um Partido popular. O PFL, Partido Liberal, carregava a sua doutrina ideológica no seu próprio nome. Partido popular é um nome água com açúcar, não diz nada! É para continuar escondendo os verdadeiros posicionamentos, que, infelizmente, não se fizeram presentes no debate eleitoral da eleição 2002 para a Presidência da República.

Quero dizer também aqui, lamentando, mais uma vez, a ausência do Deputado João Rodrigues, que veio à tribuna, falou durante 10 minutos, e saiu pela porta lateral, que todos os jornais trazem, no dia de hoje, a seguinte matéria: Confiança em Lula chega a 80% - pesquisa do Ibope e da Confederação Nacional da Indústria. E os dados gerais são assim: aprovação ao Governo Lula, 75% da população; nota média, 6,8; votariam em Lula novamente 64% da população brasileira.

Então, aquela manifestação, aquele discurso de vocabulário limitado, bate-estaca, querendo que em 90 dias tudo seja resolvido como se tivéssemos eleito não um Presidente da República, mas um mágico, alguém que tivesse a possibilidade de fazer milagres... Não! Estamos aprumando; herdamos uma situação e na semana que vem faremos esse debate aqui.

Deputado Antônio Carlos Vieira, sabíamos que no processo eleitoral, por exemplo, o Risco Brasil chegou a bater 2.400 pontos. No dia de ontem, o Risco Brasil chegou a 900 pontos. É a primeira vez na história deste País que o Risco passa para baixo de mil pontos. Isso é uma demonstração da capacidade que podemos aqui operar, é o que chamamos de fundamentos macroeconônicos da economia, que estão sendo neste momento gerenciados.

Não vamos aqui desqualificar, neste momento, o debate político. O que o Deputado João Rodrigues quer é discutir factóides. Acabou, Deputado Pedro Baldissera, e vamos esperar qual será a próxima pauta! Acabou e ele ficou sem discurso com relação ao Frigorífico Chapecó, porque a solução foi trazida. E ele ficou só na tribuna falando, falando, falando! E foi o Deputado Pedro Baldissera que saiu da Assembléia Legislativa e, junto com o Prefeito Pedro Uczai, foi buscar solução!

Então, esse tipo de comportamento aqui, não vamos aceitar! Vamos fazer o bom debate e a boa luta política.

Muito obrigado, Sr. Presidente!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)