13ª Sessão Ordinária - 21/03/2006
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, no último dia 17, este deputado, juntamente com os deputados Nelson Goetten e Rogério Mendonça, participou do movimento em que o setor produtivo daquela região fechou, por algumas horas, a BR-470.
Temos vindo a esta tribuna várias vezes para dizer que o setor madeireiro juntamente com o setor moveleiro está vivendo uma situação dramática e possivelmente todos os empresários vão fechar suas indústrias.
Na minha terra, no ano passado, 1.200 trabalhadores do setor madeireiro foram demitidos. Houve um movimento ordeiro, pacífico, bem organizado, proposto pela indústria Rohden e alguns sindicatos, que de uma forma ordeira e pacífica alertaram Santa Catarina e o Brasil das dificuldades que esse setor produtivo está vivendo.
Circularam lá, sr. presidente, um panfleto e um adesivo. O adesivo, em respeito aos meus amigos deputados do PT, não vou mostrar e nem vou ler, vou guardar. Em respeito a v.exas., srs. deputados do PT! Agora, o panfleto sou obrigado a ler porque assumi compromisso com o município de Pouso Redondo, que é a sua terra, deputado Dionei Walter da Silva, com os empresários, de que eu ia ler o que eles estão alegando.
(Passa a ler)
"O desemprego será inevitável!
Nossa região, concentrada na exportação de produtos da madeira, encontra-se sob forte impacto de queda do dólar frente ao real, o que está gerando grandes e graves prejuízos como:
O que fazer se o dólar de hoje é o mesmo de 2001?
As receitas caíram mais de 40%;
O combustível subiu neste período mais de 187%;
A energia elétrica subiu mais de 192%;
A madeira em tora subiu mais de 184%;
Aumento da mão-de-obra em 94%.
Para as empresas:
Perda da competitividade no mundo globalizado;
Sucateamento da indústria por falta de investimento;
As empresas investiram mais de uma década de trabalho na conquista do mercado internacional;
Prejuízos financeiros.
Para os funcionários:
Perda do emprego;
Desvalorização da mão-de-obra;
Pagamentos atrasados.
Para a sociedade:
Desvalorização dos Imóveis;
Redução de vendas no comércio;
Desemprego.
O que o governo pode fazer?
Liberar os créditos de PIS/Cofins;
Liberar créditos de ICMS."
O governo do estado, mas infelizmente não vêm os recursos da famosa Lei Kandir.
(Continua lendo)
"Valorizar o dólar em R$3,00(três reais);
Reduzir os juros;
Repactuar as dívidas dos exportadores junto às instituições financeiras;
Abrir linhas emergenciais de crédito para os exportadores.
AS EMPRESAS EXPORTADORAS ESTÃO SENDO INVIABILIZADAS E O DESEMPREGO SERÁ INEVITÁVEL."[sic]
Participei no dia 17, como foi dito, desse movimento. O deputado Rogério Mendonça esteve presente, assim como o deputado Nelson Goetten. Foi um movimento pacífico, ordeiro, através do qual se advertiu, levou-se ao conhecimento da sociedade brasileira a situação dramática que está vivendo esse setor produtivo. Não sabemos as conseqüências, deputado Rogério Mendonça. Não sabemos o que vai acontecer. Mas alguma coisa tem que ser feita.
Nós assistimos lá, deputado Altair Guidi, a um empresário, que há 46 anos atua na mesma empresa, chorando. Ele disse para todos escutarem que estava falido! Mas que não fora por culpa dele, porque não jogara dinheiro fora, não colocara dinheiro em farra ou em jogo. No entanto estava falido porque o governo o havia quebrado com essa política econômica desastrosa!
Realmente, deputado Herneus de Nadal, assistimos a mulheres chorando. Não eram somente os empresários, não! Porque empresários havia em torno de duzentos. Mas havia mais de mil trabalhadores, empregados: mulheres, homens, todos pedindo clemência, pedindo pelo amor de Deus que os ajudassem, que permitissem que chegassem em casa e olhassem no fundo dos olhos dos seus filhos e das suas esposas, deputado Lício Silveira!
A situação se agravou de uma forma tal que a empresa Rohden, a maior produtora de portas de madeira, quem sabe, do Brasil, que tem sua sede em Salete e Pouso Redondo, está fechando. Se não está fechando, está diminuindo sua produção. Com isso, o prejuízo é do próprio governo, porque é uma empresa que deixa de gerar tributos e deixa de empregar mão-de-obra.
Deputado Rogério Mendonça, na minha terra, somos o maior produtor do mundo de cabos de vassoura. Nós exportamos toda a produção para a Europa e para os Estados Unidos. Já há gente trabalhando no vermelho e não sei mais o que fazer. Já fizemos todos os apelos, fizemos reuniões, manifestações e não sabemos mais o que fazer, porque não vemos sensibilidade na política econômica, na equipe econômica do governo em modificar esse estado de coisas.
O governo está preocupado em pagar US$ 15 bilhões antecipados para o Fundo Monetário Internacional, mas não está preocupado com o setor produtivo. Não vejo, srs. deputados, com toda sinceridade, essa euforia de que está tudo bem, de que a balança comercial teve um superávit não sei de quanto.
Nós vemos a agricultura mal, deputado Gelson Sorgato, e ainda hoje v.exa., na comissão, fez referência de que todo o setor produtivo da agricultura está vivendo um momento difícil. Portanto, é nosso dever fazer algo. É meu dever vir aqui me manifestar, como também lá usei da palavra, como usaram os deputados Rogério Mendonça e Nelson Goetten.
Quero fazer o alerta de que a política econômica do governo federal é desastrosa, vai inviabilizar o setor produtivo do Brasil. Dentro de pouco tempo v.exas. vão ver o grande número de desempregados que irá haver em toda a nação brasileira.
O Sr. Deputado Rogério Mendonça - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Pois não!
O Sr. Deputado Rogério Mendonça - Deputado, só queria fazer eco as suas palavras e dizer que realmente vimos aquela mobilização de empresários, de funcionários do setor madeireiro e poucas vezes vimos esse setor se mobilizar da forma como aconteceu. Aliás, nunca vimos da maneira como fizeram, e se o fizeram daquela forma é porque estão no fundo do poço. O que havia de gordura para queimar já queimaram. Estão num processo, hoje, de demissão muito grande e querem manter os contratos porque são em dólar, mas quanto mais eles mantiverem os contratos, maior será o prejuízo. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.
Então, a situação é triste. Participamos juntos realmente daquela mobilização. Somos solidários ao setor madeireiro, que é tão importante para a economia brasileira e infelizmente vem sofrendo tanto em função dessa política injusta do governo federal.
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Agradeço a v.exa. a sua manifestação e como disse hoje, pela manhã, na reunião da comissão de Justiça, o deputado Gelson Sorgato, também vivem momentos difíceis o plantador de feijão, de milho, de soja, de alho e de cebola. Santa Catarina está pagando um preço muito alto sem dever em função do problema da febre aftosa em outros estados.
Nós, que cumprimos com o nosso dever, estamos pagando as conseqüências por irresponsabilidade daqueles que não cumpriram com o seu dever. E as conseqüências se tornam cada vez mais desastrosas no cenário econômico do Brasil.
Quero dizer, deputado Gelson Sorgato, que esta Casa tem que advertir as autoridades sobre o que está acontecendo com o setor produtivo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)