83ª Sessão Ordinária - 17/10/2006
O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, funcionários desta Casa e demais pessoas que acompanham esta sessão.
Quero, no horário do Partido dos Trabalhadores, nesta tarde, falar um pouco sobre o momento, sobre a conjuntura que estamos vivendo, que o nosso país e o nosso estado estão atravessando. Momento esse importante e relevante para a sociedade brasileira, uma vez que estamos às vésperas de um segundo turno, faltando um pouco mais de dez dias para as eleições. Vou trazer esse tema, porque o que estamos ouvindo e assistindo faz com que nos indignemos.
Nas campanhas, tanto em nível nacional com o candidato do meu partido, o candidato Lula e seu adversário, e aqui no estado, com os dois candidatos, sem exceção, existem poucas propostas daquilo que se pretende fazer por este país e por este estado, mas existem muitos ataques.
A sociedade, as pessoas que ouvem, que assistem e que lêem sobre isso, com certeza devem estar bastante indignadas. Muitas vezes parece ser apenas um jogo onde o que importa é estar no poder, é tirar os seus para colocar os nossos, tirar os nossos para colocar os outros. Estou me referindo aos cargos. Parece uma disputa de poder e de cargos, de empregar pessoas. Eu penso que política não é para isso e não pode ser assim. Não vejo a política e nem o mandato como algo finito, ou um cargo que só sobrevive quando se tem um poder que precisa ser ocupado pela mesma pessoa ou pelo mesmo grupo durante muito tempo. Não vejo assim!
Quando fiz a opção de não ser mais candidato a deputado estadual, tinha claro e presente que esse espaço que tive o privilégio e a honra de ocupar por oito anos deveria ser ocupado por um outro companheiro do meu partido e tomei a decisão de não ser mais candidato a deputado estadual.
E nas eleições agora, em segundo turno, todos os dias nos programas de rádio e de TV, o que se ouve mais são acusações mútuas de todos os lados, estou me referindo a todas as candidaturas. Penso que a sociedade brasileira, os eleitores e a população não merecem isso.
Muitas vezes é importante falar a verdade sobre o que ocorreu, e vem ocorrendo, mas estão extrapolando nessas informações, indo além daquilo que merece ser colocado como verdade. Estão mentindo para enganar as pessoas!
Quero deixar aqui o meu desagravo e inconformismo com essa situação que estou presenciando como cidadão e eleitor. Penso que a sociedade não merece isso. As pessoas são inteligentes o suficiente para não aceitarem e não admitirem mais esse tipo de campanha baixa, suja, sem escrúpulo, sem critério algum, na qual o que vale é o jogo, e ganha quem bater mais. Acho que tem que ser o contrário: as pessoas mais lúcidas, com mais firmeza naquilo que pretendem fazer, e pelo passado que têm, merecem, sim, o respeito e o reconhecimento.
A campanha está chegando a um nível muito baixo! Eu já vi - e tenho certeza de que alguns colegas aqui também já viram - alguns carros circulando pelo estado de Santa Catarina com o desenho de uma mão com quatro dedos, simbolizando a mão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que falta um dedo, e com o símbolo de proibido, como se estivessem atingindo só o presidente da República. Essas pessoas inescrupulosas, que com certeza devem fazer parte da campanha do Alckmin, têm a coragem de colocar um adesivo no carro estampando uma mãozinha, que falta um dedo, com o sinal de proibido. Elas não estão afetando apenas o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República, mas estão discriminando todos os portadores de deficiência deste país.
Um cidadão já disse que queria acabar com essa raça! Com certeza essas pessoas inescrupulosas, que colocam um adesivo no carro simbolizando um aleijado, uma pessoa deficiente, e com um sinal de proibido, devem fazer parte da família desse cidadão que um dia disse que queria acabar com essa raça de trabalhadores deste país.
Então, quando a campanha chega a esse nível, dá a dimensão do tipo de político que ainda temos neste país e que nós devemos acabar com ele, sim. O povo deste estado e deste país tem que ver nos carros, com muita atenção, isso que estou falando: um adesivo estampando uma mão com quatro dedos, com o símbolo de proibido, e sentir a indignação que eu senti, ontem, ao ver um carro em Joinville com esse adesivo. É lamentável que esse tipo de pessoa ainda exista e tenha a coragem de discriminar alguém por faltar um dedo na mão! O que vão fazer essas pessoas, se o sr. Geraldo Alckmin, por acaso, chegar ao poder? As pessoas que têm coragem para fazer isso, terão coragem para mais o quê? De acabar com este país, de continuar vendendo o seu patrimônio, que é o melhor que eles sabem fazer?!
Portanto, nós não aceitamos e não queremos esse tipo de campanha! Gostaríamos de pedir, com muita clareza, ao eleitor catarinense que nos ouve, assiste-nos e acompanha o nosso trabalho, que fique indignado também com essas pessoas que têm coragem de fazer campanha para o Alckmin, que têm coragem de botar o desenho de uma mão de um aleijado e dizer que é proibido votar num aleijado.
Queremos dizer a vocês, catarinenses, e a todos que estão nos assistindo que quem defende a candidatura de Geraldo Alckmin defende um outro país! Não defende o Brasil! Não defende os trabalhadores! Não defende os portadores de deficiência! Discrimina o povo brasileiro, o povo catarinense e os portadores de deficiência!
Não é pouca coisa que está em jogo. Sempre que estive nesta tribuna, procurei apresentar, durante esses quase oito anos que aqui estou, propostas para melhorar a vida dos catarinenses. Penso que todos nós, políticos, devemos ter em mente que cada espaço de poder que ocupamos deve ser para o bem das pessoas e não para demagogia, para ofensas e para discriminação.
Então, estou bastante indignado com o nível das campanhas porque o Lula não merece isso. Não é porque lhe falta um dedo, que ele merece ser discriminado. O presidente Lula tem honrado o seu mandato e feito por este estado algo que muitos presidentes nunca fizeram. Basta olharmos a recuperação dos portos aqui em Santa Catarina, feita para aumentar a exportação e melhorando com isso a sua infra-estrutura.
É inadmissível que alguém coloque no carro um adesivo desses. Como é que podem discriminar um portador de deficiência, deputado Altair Guidi? Como é que se admite isso? Como é que a justiça permite isso?
Portanto, que nós nos indignamos, façamos a nossa parte e saibamos escolher com decência, com dignidade e com clareza o melhor para o nosso Brasil. Eu não tenho dúvida de que o melhor é deixar que o governo Lula continue a governar este país. Pegamos um Brasil estourado, com o Risco País nas alturas. Este era um país no qual ninguém mais confiava e por isso o Risco País estava mais de dois mil pontos. Recuperamos a auto-estima do brasileiro, desenvolvemos este país, recuperamos a sua economia e geramos empregos!
Então, precisamos deste governo da decência, que gera empregos e cuida dos mais pobres; precisamos deste governo que não discrimina ninguém e que governa para todo mundo.
Concluindo, quero fazer este apelo à sociedade catarinense: está na hora de Santa Catarina rever a sua posição de primeiro turno, fazer com que o Lula dê uma virada neste estado e mostre ao país, acima de tudo, quantos benefícios o governo federal já trouxe para cá. Espero que o povo deste estado possa, reconhecendo isso, também dar o seu voto e a sua contribuição.
Este é o apelo que faço, indignado que estou com essa campanha baixa e suja que estão fazendo contra o presidente da República e, por conseqüência, contra todos os deficientes deste estado e deste país. Espero que essa minha indignação possa ser também a de milhares de irmãos nossos catarinenses.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)