Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

91ª Sessão Ordinária - 30/11/2004

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, senhores que nos ouvem, telespectadores da TVAL quero discorrer um pouco sobre a questão tão debatida nesta tarde aqui.

Quero, com isenção absoluta, porque fiquei tomando conhecimento do ocorrido - eis que estive viajando neste final de semana - pela imprensa e pelos pronunciamentos do dia de hoje.

Procurei obter algumas informações complementares a respeito do assunto. Mas eu quero fazer algumas colocações sobre o ângulo da minha ótica, como observador, que já militou na Oposição, que se sentiu muito à vontade quando era oposicionista, porque a coisa melhor do mundo é fazer oposição. Indiscutivelmente que é. Tanto é que as Oposições estão engordando, estão aumentando neste Plenário, porque é bom fazer Oposição. Mas por outro lado quem é Governo tem que ser Governo, quem é Governo tem que assumir por inteiro a condição de ser Governo, tem que assumir os bônus, se existirem, e os ônus, com certeza absoluta, se esses existirem também.

Por exemplo, há pouco tempo nós vimos, assistimos pela imprensa, eu confesso que no primeiro momento fiquei estarrecido com o que eu via e ouvia, a figura de um perseguido da ditadura militar, uma liderança forte, um resistente da Oposição brasileira, que ao chegar ao Governo, ocupando um cargo estratégico do Governo Federal, teve um joio na sua equipe.

Eu falo do José Dirceu. José Dirceu ficou abalado quando Waldomiro Diniz, homem de confiança absoluta, foi pego com a mão na botija. Denunciado por um seu comparsa, não restou dúvida que para a Oposição foi um prato cheio. Tentaram envolver o José Dirceu.

O esforço do Governo Federal foi descomunal, do Governo por inteiro e dos Líderes do Governo, das pessoas que tinham que defender o Governo para preservar a figura do Ministro José Dirceu. E eu acho que agiram corretamente. Era precipitada a decapitação de uma figura do talento de José Dirceu. E as coisas evoluíram e hoje está andando aí o processo na Justiça, no Ministério Público.

E a figura de José Dirceu, a meu ver, até prova em contrário, eis que ele tinha um assessor, mas imagino que ele não sabia, não poderia através de uma denúncia ser julgado e condenado, sem a menor consideração com o seu passado, com a sua história.

O Governo usou de todos os meios. Eu não o condeno por isso. Preservou um figura que tinha um colaborador que era um malfeitor, que sofria do mal do desvio de conduta.

Pois bem, para mim o episódio Balé Bolshoi é a mesma coisa. Inclusive aqui alguns oradores da Oposição tiveram a cautela de preservar o Balé Bolshoi, o que é bom.

Eu diria o seguinte: do Governador, porque é muito simples... Sou de um tempo em que se fazia oposição, mas tínhamos cuidado com a figura da autoridade do Governador, do Presidente do Tribunal de Justiça e outros.

Mas aqui estão meio que afrontando e desrespeitando a figura do Governador do Estado que, queiram ou não, foi eleito democraticamente.

Acho que isso precisa ser esclarecido. Passaram-me às mãos uma nota do Instituto Escola de Teatro Bolshoi, que peço a transcrição nos Anais da Casa, que dá providências adotadas que culminaram com o esclarecimento dos fatos.

O bravo, ordeiro, progressista e orgulhoso, no bom sentido, povo de Joinville, também não pode ser misturado, e aqui todos tiveram a cautela de não fazer isso, o que seria muito injusto se o fizessem.

Cautela e canja de galinha não faz mal a ninguém. As providências serão adotadas, o levantamento terá que ser feito, supletivamente às providências que estão sendo adotadas. Não conheço o processo na esfera judicial e de investigação do Ministério Público, mas a escola tem sido uma vitrine para o Estado de Santa Catarina, indiscutivelmente .

Acho que com relação a isso ninguém discorda. Acho que até mesmo no calor dos debates é de bom alvitre esse cuidado, para não incorrermos em injustiça, que é igual a despejar um saco de penas do alto da torre e depois não poder resgatar todas.

Vou me inteirar mais para discutir e fazer uma análise à luz da importância, primeiro do Balé Bolshoi e o que ele representa não só para Joinville como também para Santa Catarina.

E o Brasil, agora, depois de muito tempo começou a melhorar o relacionamento com a Europa, com o Velho Mundo, o que é muito bom, porque até então era um alinhamento ideológico com a América do Norte, apenas e tão-somente.

A Sra. Deputada Simone Schramm - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Pois não!

A Sra. Deputada Simone Schramm - Nobre Deputado, gostaria de fazer a leitura de que Estado brasileiro que leva o nome de santa é hoje a porta de entrada para os russos não apenas pela liberação de carne para a Rússia como também pelo intercâmbio que vem aumentando.

(Passa a ler)

"Em 2003, Santa Catarina exportou para a Rússia 150 milhões de dólares e importou apenas 15 milhões. Em outubro deste ano, o Estado já exportou 218 milhões, e tudo começou em 1999, quando foi inaugurada a filial de Teatro Bolshoi, em Joinville."

Quero dizer ao Deputado Joares Ponticelli que não são as palavras da Deputada Simone Schramm e sim da jornalista Kátia Mello, da revista Isto É, de veiculação nacional, como também as palavras do jornalista Moacir Pereira, e não permito que ele coloque palavras na minha boca.

Não fiz referência aqui que as criança da Escola Balé Bolshoi são coitadinhas. São crianças de talento em potencial. Não são coitadinhas, como foi dito aqui pelo Deputado Joares Ponticelli. Ele que me respeite, e quero dizer que aqui não estou acobertando nada. Estou exigindo respeito nesta Casa à Escola de Balé Bolshoi.

Vamos discernir o que é a escola e o que é a Paramount. Inclusive solicitei o envio de requerimento à Mesa, no sentido de convidar o Sr. João Prestes, e há pouco dizia ao Deputado Wilson Vieira que assino com ele o requerimento, porque ele tem o direito de fazer a sua defesa.

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Agradeço o aparte de V.Exa. E quando disse que cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, não significa dizer que estou defendendo o acobertamento puro e simples. Em absoluto! Mas também estou dizendo que é precipitada a denúncia e o julgamento a quem não compete julgar, assim como a condenação. E já disse isso em outra oportunidade.

Acho que o Balé Bolshoi significa muito hoje para Santa Catarina e para o Brasil. É motivo de orgulho da brava gente de Joinville. Acho que disso ninguém discorda. Acho também que virar a metralhadora para o Governador Luiz Henrique da Silveira é também, no mínimo, uma falta de respeito com a autoridade do Governador.

Acho que o cidadão, então Prefeito, com certeza talvez tenha que se pronunciar, mas o Governador do Estado?! Estão aí as leis que permitiram e aí está o Ministério Público e aqui está a Assembléia Legislativa, que poderão muito bem buscar os esclarecimentos necessários.

Agora, ficarmos aqui numa retaliação pura e simples porque alguém resolveu assumir a Oposição?! Acho que o papel está correto, assumiu a Oposição, tudo bem. Agora, isso não dá o direito de fazer daqui um monólogo sem uma reação de qualquer natureza a todo e qualquer tipo de acusação.

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)