Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

47ª Sessão Ordinária - 29/06/2004

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, a minha presença na tribuna nesta oportunidade será para discorrer sobre os eventos deste final do mês de junho.

O calendário eleitoral estabeleceu prazos para as convenções, mas, via de regra, nós, os políticos, ficamos apostando em algum acontecimento aqui, ali ou lá, e repente, embretado no prazo, acabamos decidindo tudo ou quase tudo, Deputado Celestino Secco, no penúltimo ou no último dia.

Lages, desta feita, não foge à regra, em se reportando ao meu Partido, o PSDB.

Mas é bom retroagir um pouco na história, no tempo. Lages tem uma tradição política muito forte, muito arraigada, pois foi berço político do PSD durante décadas, e de lá partiram sete Governadores do Estado.

Não existe um Município de Santa Catarina que tenha dito a oportunidade de ter tantos Governadores do Estado de Santa Catarina como Lages.

Com o advento do golpe de 64, ressurgiram dos escombros, da extinção dos Partidos Políticos pelo Ato Institucional nº 2, a Arena, o Partido do Governo, e o manda brasa MDB, Partido da Oposição.

Organizamo-nos na Oposição, no velho MDB de guerra. Em 1969 eu me elegia a Vereador e perdi para o falecido Evilásio Neri Caon. Em 1972, Juarez Furtado se elegeu Prefeito de Lages (Arena e MDB). Ali construímos um projeto político: fizemos o sucessor de Juarez Furtado, que foi seu vice o depois Senador da República, Dirceu Carneiro. E eu seria o candidato seguinte à Prefeitura para levar avante o projeto, para projetar Lages ao ponto de voltar a governar o Estado de Santa Catarina. E tínhamos condições, tal a repercussão das decisões políticas emanadas de Lages.

E aí, num lance de desentendimento interno, eu, que deveria ser o candidato, fui batido nas prévias para o lançamento da candidatura a Prefeito, e o então Deputado Federal Juarez Furtado acabou saindo candidato. Ele era, sem sombra de dúvida, o favorito, mas acabei perdendo. E de lá para cá houve alternância.

Mas os artistas desse projeto já não mais brilharam tanto quanto antes. Surgiram outras estrelas: o atual Prefeito, o ex-Prefeito Paulo Duarte, mais tarde Fernando Agustini, Décio Ribeiro...

A política em Lages gravita entre duas forças. Não importa o nome. Uma da Situação e outra da Oposição, de tal sorte que seria uma aventura desse decano da política, com 60 anos de idade, enfrentar uma candidatura quando tem dois candidatos já colocados. De um lado o atual Prefeito, que é forte, indiscutivelmente, e do outro o Deputado Federal, também ex-Prefeito, Fernando Agustini. Ambos vão polarizar os votos e as atenções do eleitorado lageano .

Em algum momento estive como candidato nesse embate, na oportunidade em que Fernando Agustini desistiu de ser candidato, querendo emplacar a Secretária-Adjunta da Saúde. Como não pegou muito bem, eu fui cogitado para ser o candidato. Situação de extrema honraria, e eu ia encarar, sim, Deputado Antônio Ceron, mesmo sabendo das dificuldades, reconhecendo o favoritismo do Prefeito João Raimundo Colombo. Mas o Deputado Fernando Agustini resolveu colocar a sua candidatura e, indiscutivelmente, ele é mais páreo do que esse peão aqui para o embate contra o Prefeito João Raimundo Colombo.

O PSDB ficou dividido, a situação política desse Partido, que nasceu em 1988, quando já fui candidato a Prefeito naquela época, com desempenho razoável. Naquela oportunidade dividimos. O Deputado Antônio Ceron era do PMDB e eu do PSDB. João Raimundo Colombo concorreu e ganhou as eleições porque nós dividimos, senão teríamos ganho. Antônio Ceron pelo PMDB e eu, do PSDB, como vice do PT. Perdemos as eleições!

Agora, se passasse pela minha cabeça uma candidatura a Prefeito de Lages nesse embate eleitoral, teria me preparado há muito, teria construído, porque não existe milagre que faça acontecer na última hora.

Por isso o embate vai ser Fernando Agustini e Raimundo Colombo.

Como disse, a situação do PSDB ensejou a que chamássemos, supletivamente, para ajudar nos encaminhamentos, a direção estadual. E fizemos um apelo para seguirmos a trilha democrática para a decisão, para os encaminhamentos em Lages.

Vamos ter uma reunião, dentro de três horas, em Lages, quando lá estará o Presidente do Diretório Estadual, Dalírio Beber, que ainda Deputado será, se Deus quiser, para encontrarmos uma solução.

Quero deixar bem claro que o PSDB tem ainda, em Lages, uma parceria com o Prefeito João Raimundo Colombo, que tem dispensado ao PSDB de Lages um tratamento de respeito. Mas surgiu um projeto novo, diferente. E para o bem de Lages é bom ter uma oposição, sim, até para estabelecer o contraditório e a partir desse, surgir mais e melhores propostas para um novo período de Governo.

Reconhecemos o favoritismo do Prefeito João Raimundo Colombo. Não ousaria dizer o que vai acontecer hoje à noite, mas ouso dizer, sim, que vamos trilhar, porque lutamos muito contra qualquer medida autoritária para que o encaminhamento se dê dentro do processo democrático e que a decisão seja de igual forma democrática, respeitada a vontade da maioria dos convencionais, mas que tenham esses também a isenção necessária para bem se pronunciar na convenção no dia de amanhã.

É o apelo que tenho feito aos meus companheiros. Estive por um bom tempo afastado de Lages, mas retornei e estou com domicílio eleitoral e residência em Lages. Encontrei resistências e dificuldades dentro do meu Partido para me estabelecer como liderança política, mas sou dos que não fogem à luta; sou dos que não correm da raia sem uma boa disputa, para ver o resultado. Satisfaz-me muito, Deputado Antônio Carlos Vieira, ver o resultado.

Sou apaixonado por urna e por voto. Já disputei três eleições. Se eu soubesse que o cenário que se descortinava para a minha terra este ano, para esse embate eleitoral seria o que está acontecendo, teria me preparado, após a minha derrota à Assembléia Legislativa, para concorrer ao pleito em Lages. Teria me preparado, mas não me preparei!

Portanto, a minha candidatura à Prefeitura de Lages, neste momento, é descartável porque a eleição vai bipolarizar. De um lado o Prefeito, que, repito, no momento é o favorito, e do outro lado Fernando Agustini, que já foi Prefeito e é também um candidato com forte apelo popular.

Então, vou participar do embate eleitoral desta feita, mas não como candidato.

Espero que o meu Partido tenha sapiência, sabedoria de, hoje, em Lages, deixar alinhavada a decisão para amanhã e que essa seja a mais sábia, a mais inteligente e que, acima de tudo, seja uma decisão democrática.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)