Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Professora Odete de Jesus

87ª Sessão Ordinária - 17/11/2004

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - (Passa a ler)

"Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, venho até esta tribuna, hoje, para falar de uma data que marca o calendário histórico, uma data importantíssima, que não poderíamos deixar de passar em branco. O dia 20 de novembro, sábado próximo, é o dia em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra.

A data retrata uma disputa pela memória histórica e preserva a memória da nossa história brasileira.

Nessa data de 1695 foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande exemplo de resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade.

Os movimentos sociais escolheram esta data para mostrar o quanto o País está marcado por diferenças e discriminações raciais.

A idéia de marcar o dia no calendário é também uma luta pela visibilidade do problema, pois o tema do racismo sempre foi negado, como se não existisse.

Quando se fala em consciência, logo lembramos da capacidade de perceber o que acontece em nossa volta, perceber as diferenças, perceber os nossos direitos e respeitar os direitos dos demais.

É importante que nós, catarinenses, e nós, brasileiros, Srs. Deputados, destaquemos esta data como o Dia Nacional de todos os brasileiros que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de Nação que contemple a diversidade engajada num processo histórico."

Então, Sr. Presidente, esta Deputada, de maneira alguma, poderia deixar essa data do dia 20 de novembro, no próximo sábado, passar em branco.

No meu gabinete tenho funcionários muito competentes, Sr. Deputado Antônio Ceron, Líder do PFL e são negros e brancos! Não podemos compartilhar com discriminação.

Infelizmente, Deputado Celestino Secco, V.Exa. que é professor, em escolas existe a discriminação! A cota para freqüentar as universidades é uma prática maligna! Somos todos iguais, precisamos aspirar o ar para viver, temos as mesmas necessidades fisiológicas e todos querem o seu espaço. A discriminação ao negro, ao pobre e à mulher ainda impera neste nosso Brasil. Temos que liquidar com essa prática maligna.

Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)