29ª Sessão Solene - 22/11/2004
O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Excelentíssimo Sr. Deputado Onofre Santo Agostini, Primeiro vice-Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, neste ato representando o Sr. Presidente, Deputado Volnei Morastoni;
Excelentíssimo Sr. Ricardo Guariglia, Ministro Conselheiro da Embaixada da Itália no Brasil;
Excelentíssimo Sr. Raul Furlan, Secretário de Desenvolvimento Regional de Joaçaba, neste ato representando o Governador do Estado;
Excelentíssimo Sr. Armindo Haro Neto, Prefeito de Joaçaba;
Excelentíssimo Sr. professor Aristides Cimadon, magnífico Reitor da Unoesc;
Excelentíssimo Sr. Mário Trampetti, Cônsul da Itália no Paraná e em Santa Catarina;
Excelentíssimo professor Genésio Teo, Presidente da Fundação Unoesc;
Excelentíssimo Sr. Gianluca Cantoni, Presidente do Comitê Paraná/Santa Catarina;
Excelentíssimo professor Joviles Vitório Trevisol, Pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Unoesc - Joaçaba;
Excelentíssimo Sr. Carlos Guilherme Ziggeli, Diretor Superintendente do Sebrae de Santa Catarina, senhoras e senhores.
É com dupla satisfação que me dirijo, nesta bela cidade de Joaçaba, aos concidadãos brasileiros, especialmente aos de Santa Catarina e, da mesma forma, aos concidadãos italianos.
O meu primeiro motivo de satisfação é a rapidez com que este encontro foi realizado, somado com a dimensão que ele atinge. Isso tudo, com certeza, é resultado dos avanços do mundo no terreno da tecnologia da informação, um resultado que significa aproximação entre os povos pela democratização da informação.
Há poucos anos um encontro como este demandaria um tempo enorme de preparação para contatos, viagens e a cobertura das distâncias. Hoje, tudo é mais fácil, temos a ‘infovia’ que encurta os caminhos, que democratiza o conhecimento, que aproxima as pessoas pelas idéias. Mas além da comunicação e a facilidade que tivemos, sem sombra de dúvida, houve uma disposição muito grande dos organizadores que, com a tecnologia, com parceria, com amor à italianidade, conseguiram realizar um encontro dessa dimensão.
Temos pronta a base para a troca de experiências para um intercâmbio concreto, seja ele educacional ou comercial, seja tecnológico ou de turismo. Mas a realização deste evento não surgiu por acaso, houve e ainda haverá com certeza até o final, muito esforço, muito trabalho e muita dedicação.
E nesse sentido, primeiramente, gostaria de parabenizar o Secretário Executivo do Fórum Brasil-Itália, na Assembléia Legislativa, o Sr. Mauro Beal, mola mestra na organização deste evento.
Quero agradecer e parabenizar, também, o Núcleo de Estudos Italianos da Unoesc, pelo pioneirismo em acreditar e em aceitar a parceria na realização de um evento desta amplitude.
Quero agradecer também à Embaixada da Itália no Brasil, através do Ministro Conselheiro Ricardo Guariglia, que, mesmo estando há pouco mais de um ano no Brasil, nos deu total apoio.
Da mesma forma, ao Consulado-Geral da Itália para o Paraná e Santa Catarina pelo apoio total através do Cônsul Mário Trampetti, que muito tem ajudado a italianidade em Santa Catarina.
Nosso agradecimento ao Governo do Estado de Santa Catarina, através do representante Raul Furlan, pelo apoio que nos tem dado para que este evento se realize.
Como já disse, eu tenho dupla satisfação em estar aqui em Joaçaba neste dia. Primeiro, pelo evento em si e, segundo, por podermos homenagear essas famílias que tanto contribuíram para o desenvolvimento do Estado de Santa Catarina.
É uma alegria especial para mim, sem dúvida alguma, até porque há mais de um século meu bisavô italiano, Carlo Tridapalli, emigrou de San Benedetto Pó para recomeçar a vida em Nova Trento, que fica no Vale do Rio Tijucas, assim como esta cidade de Joaçaba fica no Vale do Rio do Peixe.
E ao lembrar de minha Nova Trento natal recordo as histórias de meu avô, Luiz, filho de Carlo. Histórias contadas por meus tios, nos alegres encontros que até hoje nos reúnem na velha casa de família.
Meu avô, Luiz Tridapalli, dividia seu tempo, na minúscula comunidade, entre o ofício de ferreiro, as funções de delegado local e o pistão da Filarmônica Padre Sabattini. A pacata Nova Trento se agitava em raras ocasiões. Quando o sino da igreja tocava fora da hora da missa, alguém tinha morrido. Outra agitação era a cerimônia da matança do porco, um acontecimento gastronômico, que virava festa de toda a vizinhança.
Na quietude cotidiana da primeira metade do século XX, as notícias chegavam pelo rádio. Era o Repórter Esso, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Quando a segunda grande guerra se aproximava, de tempos em tempos chegava à colônia uma autoridade subalterna, a mando do ditador Getúlio Vargas. A missão era punir quem falasse italiano. Era proibido falar italiano ou qualquer língua estrangeira, na onda de nacionalização imposta pelo Presidente Getúlio Vargas.
Meus tios mais velhos se lembram até hoje. Na casa de meu avô delegado, as crianças eram escondidas no sótão, no dia de visita do fiscal de idiomas. E ali ficavam os nove irmãos, confinados até o fiscal ir embora. As crianças permaneciam mudas e tinham que se contentar com uma refeição de queijo e salame, estocados no sótão que fazia às vezes de despensa. Já o fiscal se fartava de polenta com galinha, refeição feita a capricho e regada ao vinho local, na casa do delegado Luiz Tridapalli.
Lembrei desta história, verdadeira, para dar idéia do grau de dificuldade que os italianos aqui radicados enfrentaram, na construção de uma nova vida, identificada com a terra de adoção.
Fico feliz, hoje, ao verificar os frutos da imigração italiana na gastronomia, no canto e na dança, na religiosidade, na arquitetura, no modo de imaginar, construir e montar a casa, no vestuário, na entonação do falar, na música, mas especialmente na alegria de viver, estão bem vivos os ensinamentos dos nonos.
É brava a gente que veio primeiro, que aqui fincou raízes, que persistiu diante das dificuldades, que fez da ciência um exercício de paciência, que se obrigou a trocar a civilização já aprendida pelo cabo da enxada, pelo recomeço, que plantou para poder colher, é esta brava gente que nos inspira.
O relógio do tempo andou depressa, a tecnologia avançou, o mundo é como uma aldeia global. A civilização italiana pode chegar até nós. A criatividade brasileira pode chegar até a Itália. É hora, pois, de unirmos forças para colher das sementes plantadas, o melhor fruto: o fruto da solidariedade, da ajuda mútua, o fruto da tolerância, do respeito pelas diferenças, o fruto pródigo do saber que se multiplica, que dá mais qualidade para a vida e que faz do mundo um lugar melhor para todos vivermos em paz.
Muito obrigado!
(Palmas)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)