Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Clésio Salvaro

44ª Sessão Ordinária - 21/06/2005

O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Sr. Presidente e Srs. Deputados...

O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me permite um aparte?

O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Pois não!

O Sr. Deputado Manoel Mota - Deputado, eu gostaria de complementar o meu pronunciamento, já que o meu tempo foi tomado pelos Deputados Afrânio Boppré e Joares Ponticelli.

O Deputado Joares Ponticelli disse que eu tinha uma casa em Palhoça e faltou com a verdade; disse que uma avenida em Braço Norte foi asfaltada com o dinheiro do Badesc e faltou com a verdade porque R$ 800 mil foram a fundo perdido; disse que no ano passado a minha esposa era Secretária-Adjunta e faltou com a verdade!

O Sr. Deputado Joares Ponticelli (Intervindo) - Nunca foi?! Sr. Presidente, foi Secretária ou não?

O Sr. Deputado Manoel Mota - Este ano não foi Secretária! V.Exa. faltou com a verdade.

Então, quem falta com a verdade nas ações, falta com a verdade sempre! É isso que faz aqui no Parlamento!

Obrigado pela oportunidade do aparte, Deputado!

O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, venho a esta tribuna nesta tarde de terça-feira para falar, primeiramente, das convenções do PSDB, que iniciaram no dia 19 de junho e irão terminar o ciclo no dia 30 de junho.

Nesta primeira etapa, o Partido realizou as convenções em mais de 250 Municípios, e nós vamos trabalhar para chegarmos até o dia 30 de junho complementando este ciclo das convenções do PSDB, realizando-as nos 293 Municípios do Estado.

No Município de Criciúma, que é a nossa base, mais de 640 convencionais compareceram às urnas para prestigiar a convenção do PSDB. Isto ocorreu também nos outros 250 Municípios. Este é o Partido da Social Democracia, que está-se consolidando em todos os Municípios; este é o Partido que quer, no dia 3 de outubro de 2006, fazer o próximo Presidente da República; este é o Partido que quer, em 2006, estar disputando na majoritária o Governo do Estado; este é o PSDB que está-se fazendo presente em todos os Municípios, já que a sua militância é termos em cada Município um diretório montado e pelo menos um Vereador para levar a mensagem do PSDB a todos os cidadãos catarinenses.

Este é o PSDB, o Partido que mais cresce no Estado de Santa Catarina e o que mais cresce em todo o território nacional. E nós não crescemos em cima da desgraça alheia, não. Nós crescemos em cima das nossas propostas, do nosso ideal e do nosso objetivo.

Sr. Presidente, eu já falei do PSDB, e agora quero voltar a falar da tribuna desta Casa sobre um caso que comoveu toda a região Sul, nos últimos dez dias. Trata-se do jovem Giovane Vieira da Silva, de apenas 29 anos e que, como tantos milhares da nossa região, vão para os Estados Unidos em busca de uma oportunidade.

O Giovane e o seu irmão eram moradores do Município de Içara, pagaram R$ 60 mil para que os coiotes facilitassem a travessia do canal do México e foram para os Estados Unidos. Com 29 anos, casado, pai de dois filhos - uma menina de três anos e uma outra de um ano e dois meses , foi para lá porque não tinha uma oportunidade de emprego aqui. Igual a ele, outras 30 mil pessoas estão lá fora dando um duro danado.

Assim ele foi, trabalhou durante nove meses até que, há dez dias, num acidente de trabalho, uma parede caiu sobre o seu corpo, deformando-o completamente e tendo, naquele momento, morte instantânea.

E aí vai o meu registro para a comunidade catarinense que reside nos Estados Unidos: a solidariedade prevaleceu. Todos eles, irmanados, com o único objetivo de fazer com que pelo menos a família pudesse ter o corpo de volta no Município de Içara. Todos os catarinenses que lá vivem trabalharam de uma forma muito solidária, porque esta notícia, a exemplo de tantas outras, também comoveu os nossos irmãos catarinenses.

A Secretaria de Estado da Coordenação e Articulação, na pessoa do Roberto Tim, a quem quero render aqui os meus cumprimentos porque ele também entrou em contato na Embaixada e no Consulado a fim de liberar o corpo. Mas os meus cumprimentos também vão... E gostaria, Sr. Presidente, que esta Casa aprovasse uma moção de cumprimentos aos nossos catarinenses que lá trabalharam e lutaram para liberar o corpo. E, muito mais do que isso, trabalharam e cotizaram-se para pagar quase US$ 10 mil, que foi o custo da funerária e do traslado do corpo até a nossa região.

O corpo chegou na última sexta-feira, por volta das 23h. Milhares de pessoas o aguardavam. Toda a comunidade sul catarinense estava aguardando no Município de Içara a chegada desse corpo e o sepultamento ocorreu no sábado, por volta das 14h.

O Sr. Deputado José Serafim - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Pois não!

O Sr. Deputado José Serafim - Muito obrigado, Deputado Clésio Salvaro.

Gostaria, inicialmente, de pedir a V.Exa. que me permita também assinar esta moção de sua autoria porque sei quantos aqui do Brasil estão nos Estados Unidos. Milhares de pessoas da nossa região de Criciúma estão lá, e quando acontece um caso como este, da morte de um brasileiro, sabemos quanta dificuldade há para que se consiga trazer o corpo.

Então, gostaria de pedir a sua autorização para também assinar esta moção e parabenizar os companheiros que foram solidários lá nos Estados Unidos.

O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Aceito, com muita alegria, a sua assinatura, Deputado José Serafim, já que V.Exa. conhece a comunidade sul catarinense, lembrando que ela se cotizou, pagou quase US$ 10 mil, cerca de R$ 25 mil, e é uma comunidade que remete para a região Sul do Estado em torno de US$ 30 milhões todos os meses. O que movimenta a economia, Deputado Francisco Küster, e o que gera outros milhares de empregos na nossa região é o dinheiro que vem dos nossos corajosos desbravadores catarinenses, que vão para lá em busca de uma oportunidade.

O Sr. Deputado Francisco Küster - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Pois não!

O Sr. Deputado Francisco Küster - Deputado Clésio Salvaro, em primeiro lugar, quero me congratular com o registro que V.Exa. faz das convenções do PSDB, que superaram a expectativa da Direção Estadual. É claro que houve, como sempre ocorre, algumas disputas, o que é da essência da democracia. Mas o Partido continua crescendo, consolidando-se, o que é muito bom.

Ato contínuo, com relação ao assunto que V.Exa. acaba de registrar também, o do passamento de um conterrâneo seu do Sul do Estado além fronteira e que contou com a solidariedade da nossa gente, quero dizer que quando a pessoa - e isso é da índole do ser humano - está longe da sua terra, ela sabe ser solidária.

V.Exa., não raras vezes, tem revelado a importância que é para a economia do Sul do Estado a atividade exercida pelos seus conterrâneos lá nos Estados Unidos.

Lamento que esta morte tenha ocorrido. Meus pêsames aos familiares e meus cumprimentos a V.Exa. pelo registro que faz.

O SR. DEPUTADO CLÉSIO SALVARO - Muito obrigado, Deputado Francisco Küster.

A participação do Governo do Estado foi fundamental, e a participação da comunidade catarinense residente nos Estados Unidos também foi fundamental. Mas precisamos registrar a ausência do Poder Público Municipal, do Prefeito de Içara, que sequer uma corbelha mandou e muito menos um ônibus para ajudar a fazer o traslado da comunidade onde residia o Giovane Vieira da Silva até o cemitério.

Eu posso assegurar, Deputado Altair Guidi, que mais da metade das obras da construção civil do Município de Içara são tocadas com o dinheiro que vem dos Estados Unidos. Não tenho dúvida em afirmar. O material de construção, as lojas de materiais elétricos, os empregos gerados na construção civil, as olarias, as cerâmicas, os areais, enfim tudo é gerado, pelo menos mais da metade da economia daquele Município, com o dinheiro que vem dos Estados Unidos. E o poder público municipal de Içara ficou distante, lamentavelmente. Não tinha ninguém da Prefeitura, nem da assessoria de imprensa, nem da assistência social. O que aconteceu com o Giovane Vieira da Silva acontece com outras pessoas que trabalham lá fora. Afinal de contas, Sr. Presidente, a nossa economia é tocada por milhares de pessoas que trabalham lá fora.

No início deste ano aconteceu um caso semelhante no mês de fevereiro, quando também um jovem lá morreu trabalhando; no final do ano passado também teve um outro jovem que lá morreu, em meados do ano passado...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)