Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

60ª Sessão Ordinária - 25/08/2005

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, quero dizer que tenho pelo deputado Vânio dos Santos muito respeito. Acho que a política catarinense, no plano partidário, ganhará muito se s.exa. for presidente do PT nesse reencontro do PT com seus ideais originários, o PT que está perdido, que está perplexo em meio a tudo que acontece por aí.

O povo que tinha visto um montão de coisas e estava cheio de desencanto apostou no milagre da promessa; sonhou com as promessas fáceis. O povo acreditou na pregação messiânica que aconteceu por este país afora. Onde está a esperança do povo? O que é que aconteceu de novo neste país? É escândalo sucedendo escândalo.

Tenho poupado o presidente Lula e lamento a condição em que se encontra o meu amigo José Genoíno. Lamento! Os demais já deviam estar na cadeia. Poupo o PT. O PT é imprescindível para a democracia. Tem que sair dessa, deputado Vânio dos Santos! Mas não posso calar-me diante de tudo o que acontece. Se no meu partido existir desvio de conduta, sejam os culpados punidos exemplarmente. Não podemos contemporizar. O povo esperava mudança! O povo esperava melhorias! E o que o povo teve? O que é que aconteceu nestes quase três anos de governo? Desencanto, desilusão.

Receberam os prefeitos? Receberam. Mas o que aconteceu além de um sorriso agradável de uma pessoa simpática, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva? Nada mais aconteceu para os prefeitos. A união federal nunca centralizou tanto quanto faz agora. O meu pronunciamento foi para condenar a falta de repasse dos recursos devidos a Santa Catarina, na ordem de R$ 676 milhões. Eles nos são devidos e o governo federal não repassa.

Disseram v.exa. e a atuante e aguerrida deputada Ana Paula Lima que não têm culpa pelos escândalos do mensalão, pelas patifarias que praticaram até então alguns elementos de seu partido. Porém se há no meu partido quem pratica atos dessa natureza, precisa ser punido exemplarmente.

Senão vejamos: o que aconteceu não foi denunciado pelo PSDB, pelo PFL; não foi o PDT, que está na Oposição também. Quem denunciou Antônio Palocci? Foi seu ex-amigo e assessor na prefeitura de Ribeirão Preto, Rogério Buratti. Quem primeiro atingiu José Dirceu foi seu amigo e confidente, seu assessor de confiança absoluta, Waldomiro Diniz. Quem botou a boca no trombone contra o esquema Marcos Valério foi o deputado Roberto Jefferson, da base de apoio, de sustentação, amigo fraterno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conseqüentemente, seu aliado. Quem ganhou uma Land Rover da GDK, empresa da área de petróleo que disputa licitações milionárias, foi o Silvinho. Não fomos nós que denunciamos. Quem foi aquinhoado com algumas centenas de milhares de reais foi Henrique Pizzolato. Quem assinou os empréstimos de milhões para o PT, com o aval de Marcos Valério, foi o à época presidente do partido, lamento uma vez mais, o meu amigo José Genoíno, que caiu nessa esparrela. Esse não merecia o que aconteceu, mas caiu. Não foi o PSDB, presidente deputado Julio Garcia; não foi o PFL quem denunciou; não foi o PDT; não foi Fernando Gabeira quem denunciou; não foi o PPS.

Quem estava por trás de tudo era o tesoureiro do PT, o "dilúvio", que está tragando o PT. Mas não vai acontecer porque o PT é imprescindível para a democracia brasileira. Os Waldomiros, os Burattis, os Silvinhos, os Valérios, os Delúbios. Isso é fogo amigo? Não! Isso aí é conflito de quadrilha. Lamentavelmente.

O PT não merece o que está passando. E o cidadão, operário de ontem e presidente hoje, Luiz Inácio Lula da Silva, não merece o que está passando.

O Sr. Deputado Vânio do Santos - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Deputado Vânio dos Santos, como gosto de debater com v.exa., em seguida concederei gentilmente um aparte, pois v.exa. tem um temperamento semelhante ao meu; é um homem sério, combativo, aguerrido.

Sobre a questão da greve em Florianópolis, que aqui anuncia com antecedência, também vamos discutir. Não faz muito o meu gênero, como deputado estadual, roubar as condições do parlamentar municipal, do vereador, mas irei debater essa questão também.

O Sr. Deputado Vânio dos Santos - São três questões objetivas, para não tomar seu tempo. Com relação à greve, não peço apenas para debater, mas que uma comissão de parlamentares possa ir ao prefeito Dário Berger para fazer com que assine logo com os empresários o acordo para evitar que ela aconteça. É muito objetivo; não precisa nem debater. Iremos juntos, hoje à tarde, ao prefeito Dário Berger, mas estou alertando aqui, cinco dias antes de a greve acontecer.

Quanto ao segundo assunto, são os repasses para os municípios. Gostaria de marcar com v.exa. um debate para fazermos comparações. Estarei de posse de dados do quanto o governo Lula está repassando para os municípios de Santa Catarina e v.exa. trará os de seu governo.

Em terceiro lugar, diante de sua inquietação quanto à questão da ética, eu acredito em v.exa. e sei que irá inscrever-se semana que vem para defender, veementemente, a continuidade da CPI para investigação e apuração de irregularidades no Balé Bolshoi.

Muito obrigado, deputado.

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. deputado Vânio dos Santos, como eu disse a v.exa., a CPI do Balé Bolshoi é uma implicação, uma perseguição a Joinville e a sua cultura. Não há a CPI dos Correios? Eles que investiguem lá! Há vereadores em Joinville... Por que os deputados vão perseguir a cidade de Joinville? Para que os deputados vão tentar fazer caça às bruxas? Até parece que é porque Prestes é um comunista! Parece que estamos retornando aos tempos da caça às bruxas! Eu não tenho nada a ver com o Balé Bolshoi! Penso que esse não é assunto para a Assembléia Legislativa. Insistir nessa tese é querer agredir a honra da gente de Joinville.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)