15ª Sessão Ordinária - 10/03/2011
O SR. DEPUTADO GILMAR KNAESEL - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, esse tema, com certeza, já foi abordado por outros parlamentares e ainda há pouco o deputado Sargento Amauri Soares fez uma referência à questão.
Como ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte e também como deputado catarinense não poderia deixar de fazer o meu registro pessoal sobre esse momento marcante, de visibilidade para Florianópolis, nossa capital, e também para o nosso estado, no espaço maravilhoso conquistado através de uma escola de samba do Rio de Janeiro, a Grande Rio, que destacou no seu enredo a nossa capital, Floripa, a Ilha da Magia.
Claro que todos acompanharam os desdobramentos, a angústia daquela escola que teve o seu barracão atingido por um incêndio que destruiu mais de três mil fantasias e todos os carros alegóricos. Contudo, em menos de um mês, com muita dedicação, com muita superação, a escola foi para a avenida.
Quero registrar, portanto, esse espaço de visibilidade que a nossa capital ganhou. O Carnaval do Rio de Janeiro é considerado um dos maiores eventos ao ar-livre do mundo. É assistido direta e indiretamente por mais de um bilhão de pessoas através da televisão, jornais, internet. Portanto, não apenas no Brasil, mas no mundo todo é um grande destaque. E é, sem dúvida, uma das coisas mais criativas, uma questão cultural. É um grande teatro e, por que não dizer, uma grande ópera que é levada para a avenida.
A nossa Ilha da Magia, principalmente o folclore destacado tão bem por Franklin Cascaes ao longo de sua vida, as bruxas, que podem ser lenda ou um pouco verdade, enfim, estão dentro da nossa cultura e foram muito bem exploradas pela Grande Rio.
Estive assistindo ao desfile de Carnaval no Rio de Janeiro e fiquei emocionado, como tantos outros, ao ver artistas, esportistas e personalidades desfilando na avenida. Nossos ícones, nossos destaques, a ponte Hercílio Luz, que é o maior símbolo do turismo de Santa Catarina, o Guga, nosso maior símbolo esportivo, ovacionado na Marquês de Sapucaí tanto quanto Roberto Carlos, despertaram grandes emoções na Marquês de Sapucaí. Quero fazer esse registro porque lá estive e vi a interação do Guga com todos que lá assistiram ao desfile.
Também há a questão das nossas cinco escolas de samba, que tiveram o seu espaço de destaque, assim como os nossos dois times de futebol, Avaí e Figueirense. O conjunto do desfile mostrou ao Brasil e ao mundo esta nossa ilha maravilhosa, este nosso cartão postal, do qual todos nós, catarinenses, nos orgulhamos.
Quero aqui dizer que se houve dinheiro público ou não, porque muitas vezes se discute isso, é irrelevante. O que se ganhou de mídia, deputados, é algo impagável, pois não se consegue contratar uma mídia dessas. É uma mídia espontânea, que valor nenhum é capaz de pagar.
Ao longo dos anos em que estivemos à frente da secretaria tentamos trabalhar com grandes eventos esportivos, culturais, com participação em feiras, congressos, mas, acima de tudo, procuramos aproveitar a mídia que esses grandes eventos geram para mostrar o lado místico, o lado cultural e fortalecer esse segmento que é tão importante, economicamente, para o nosso estado.
Sei que houve uma pessoa que teve uma participação especial, que trabalhou muito para aproximar a Grande Rio da nossa ilha. Refiro-me ao empresário Max Gonçalves, um dos dirigentes daquela escola, a quem quero cumprimentar. Quero cumprimentar também o presidente da escola, Hélio Ribeiro, e o carnavalesco Cahê Rodrigues, que fizeram um grande trabalho na Acadêmicos do Grande Rio.
É claro que, como comentava há pouco com o deputado Edison Andrino, já entrando um pouco na questão do folclorista Franklin Cascaes - não sou manezinho, moro aqui há muitos anos, mas não tenho o sotaque original -, o manezinho diria que a bruxa estava solta! Primeiramente pelo incêndio, depois porque na avenida não choveu a noite toda, as demais escolas desfilaram sem chuva, mas quando a Grande Rio entrou na Marquês de Sapucaí caiu uma tromba d'água, deputado Reno Caramori. Entretanto, assim que terminou o desfile, parou a chuva.
Como se não bastasse, o primeiro carro alegórico era uma bruxa, cujo chapéu não conseguiu passar por um dos travessões da avenida, onde ficam as transmissoras de TV. Tiveram, então, que rebaixar o chapéu para que o carro conseguisse passar. E ainda houve outro fato a destacar, o tombo da apresentadora Ana Hickmann. Eu não sei, mas acho que a bruxinha estava solta mesmo!
Tenho certeza de que todos os que militam na área cultural - e o jornalista Moacir Pereira também fez referência, em sua coluna - sabem que Franklin Cascaes tem sido muitas vezes esquecido. Há o museu, todos os seus livros, sua biografia, todo um material sobre essa questão e muitas vezes nós, catarinenses, esquecemos esse lado místico, saudável e importante, que faz parte do cotidiano dos ilhéus.
Queremos destacar ainda, ao final, o Carnaval de Florianópolis, porque ao longo dos últimos oito anos, como secretário, sempre incentivamos os festejos momescos de Joaçaba, de São Francisco do Sul, de Laguna e de tantas cidades que transformaram o Carnaval num evento cultural. Uma questão que precisa ser preservada.
Em Florianópolis os desfiles das escolas de samba vêm crescendo a cada ano. Este ano uma escola nova, da Lagoa da Conceição, a União da Ilha da Magia, foi vitoriosa logo no seu terceiro ano de apresentação. Enfim, essa referência é importante, mais um ponto de destaque na mídia nacional e internacional.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)