Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

25ª Sessão Ordinária - 27/03/2014

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. presidente, srs. deputados e público que nos prestigia nesta manhã, gostaria de fazer aqui um relatório de sofrimento, inesquecível sobre a vida dos cidadãos do sul do estado.

Há dez anos, fizemos uma caminhada de Osório até Palhoça. Foram 348km. Um grupo de pessoas nos acompanhava, junto com o presidente da Câmara de vereadores de Içara, Wagner Pizzetti. Em cada município, um grupo de pessoas nos esperava com as bandeiras e andávamos até o município seguinte. Lá, no outro município, os vereadores nos esperavam com a população e assim fizemos por 348km, numa luta que marcou a história da duplicação da BR-101.

Nessa luta, estávamos passando por Tubarão, quando o governador Luiz Henrique da Silveira nos ligou e disse: "Para essa caminhada, volta para Araranguá, pega os ônibus e tira todo o pessoal dos balneários que vai haver um furacão, com ondas de 5m de altura que podem destruir a região inteira."

Eu fiquei em choque e na hora não acreditei muito, mas em seguida recebi outro telefone do governador perguntando: "Vocês já estão voltando?" Então nessa hora eu percebi que tinha que acabar com a caminhada e voltar. E foi o que fiz.

Voltei para Araranguá - inclusive à época, a Rede Globo anunciou que nada iria acontecer, mas tratava-se do furacão Catarina - para tirar as pessoas do balneário, das casas, mas ninguém quis acreditar, nem minha esposa, filhos e netos. E, eu, sem saber o que fazer e recebendo muitos telefonemas, fiquei aguardando um pouco. Por volta das 21h ainda estava tudo calmo, e a todo instante eu ia até a praia para ver com estava a maré, que até aquele momento estava baixa, cheguei até a pensar que era um equívoco.

Em seguida começou um vento diferente e esquisito, que não dava para saber de onde vinha, ele fazia um redemoinho. Saí correndo e fui novamente à praia - neste momento ocorreu um apagão - olhar o mar, e, para minha surpresa, a água já estava alcançando os prédios. Então eu saí correndo e mandei todos descerem. O meu filho saiu dirigindo na frente, eu atrás, e fomos para Araranguá. Quando eu, juntamente com a minha família, passamos pela divisa entre Araranguá e o Arroio do Silva, avistei uma coisa preta e pensei: meus Deus, é um tornado! Não era um tornado, mas um eucalipto grande que caiu na frente do meu carro trancando a passagem. E eu pensava: e a onda de 5m? Então saí do carro e tentei quebrar alguns galhos para liberar a passagem, porque estava num carro grande, uma 4 x 4, e consegui, passei pelo barranco da estrada. Durante todo o trajeto havia muitos eucaliptos caídos e fui passando por cima de todos. Quando cheguei no posto do Corpo de Bombeiros não havia ninguém, porque o vento havia levado, inclusive, o posto.

E quando cheguei na minha casa, em Araranguá, para deixar a minha família - e naquele momento o vento tinha aliviado -, o alarme da caminhonete disparou e eu pensei: será que estão tentando roubar meu carro? Na verdade o alarme disparou por causa do vento, que havia voltado, fazendo com que outdoors e placas fossem pelos ares.

Havia pedaços de cobertura de postos de gasolina e placas quebradas por todos os lados. Era algo assustador. Na BR-101 não transitava mais ninguém, os eucaliptos trancaram tudo, foi algo que marcou muito a população da minha região. Voltei ao Corpo de Bombeiros, tinha um menino de mais ou menos seis anos que dizia que não sabia para onde ir, pois sua casa havia caído. Era um desespero total, havia casas com telhados arrancados, derrubadas.

As plantações de eucalipto foram derrubadas, não restou nada. Destruiu a região sul, mas para a nossa sorte o furacão desceu um pouco para o mar e não veio com toda velocidade, conforme o previsto, porque ondas de 5m parariam lá na serra, destruiriam tudo, pois nossa região é toda plana e não há 2m entre o mar e a região.

Hoje, dez anos passados, muitas pessoas têm marcas. Ontem, fiz aqui algumas considerações de agradecimento e reconhecimento ao secretário de Educação, que esteve aqui ontem, sr. Eduardo Deschamps, porque depois de dez anos está havendo investimentos para recuperar área a física das escolas, pois não deu para recuperar tudo que foi destruído ainda.

Assim, a região sul, hoje, tem problemas, pois além do furacão Catarina que destruiu o vale do Araranguá, teve o quarto tornado que deu em Forquilhinha, o segundo tornado em Criciúma, que arrancou o telhado das casas, e ainda, houve outro tornado que deu em Tubarão, mostrando que a região tem que ter um trabalho de prevenção muito forte, porque esses fenômenos estão sendo frequentes.

Mas hoje podemos dizer que conseguimos superar tudo isso e reconstruir a região. Agora é a questão da educação. O governador não mediu esforços com o secretário para enviar recursos às escolas e ginásios de esportes.

Então, é importante, dez anos depois, fazer um registro do sofrimento, do choro, do desespero que aconteceu na região do vale do Araranguá. Nós vivemos vários episódios de sofrimento, muitos problemas, mas nenhum parecido com aquele que levou tanto desespero como o furacão Catarina, que praticamente destruiu toda região sul de Santa Catarina. Não poderíamos deixar de fazer esse registro do sofrimento, de angústia e desespero das pessoas.

Assim, não podemos duvidar de mais nada e se o sofrimento não foi maior, devemos, à época, ao governador, Luiz Henrique da Silveira, que alertou e fez de tudo para que não acontecesse o pior na região do extremo sul de Santa Catarina, no vale do Araranguá.

Então, quero aqui, deixar registrado este momento marcante de sofrimento e de angústia ocorridos há dez anos. Tivemos três mortes e pela proporção da desgraça ocorrida é um número relativamente baixo, graças a Deus este número não foi maior, tendo em vista a destruição que o furacão Catarina causou.

Quero aqui deixar registrado, como parlamentar, que nós devemos ter um cuidado cada vez maior e devemos nos preparar para estes grandes momentos de sofrimento.

Quero agradecer aos meus pares desta casa que na época não mediram esforços para ajudar, ao governo que tem contribuído e ajudado, à população que tem superado tudo isso através do trabalho, garra e força. Aquela região hoje que está crescendo, gerando emprego, renda e melhorando a qualidade de vida das pessoas. O sofrimento, a angústia e o desespero ficam de lado e a esperança fica viva para continuarmos lutando. Esse é o grande compromisso do Parlamento Catarinense.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)