88ª Sessão Ordinária - 08/10/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, telespectadores da TVAL, público presente, nem queria e vou tentar não ir na direção de fazer avaliações ou comentários sobre as últimas frases do deputado Nilson Gonçalves, mas para discutir sobre a realidade política e a política representativa no Brasil precisaria ir nesta direção, porque temos aqui uma democracia representativa, que cada vez mais se constitui como representativa dos banqueiros, das empreiteiras, do agronegócio, como por exemplo, da Friboi, da Klabin e outras tantas empresas. Então, a democracia representativa brasileira é representativa desses setores.
Não adianta nada nós, que ainda estamos com mandato eletivo, ficarmos falando na reforma política como se fosse uma coisa que fosse ser realizada, porque evidentemente que para os setores que venceram a eleição, já venceram e venceriam de qualquer forma, porque financiaram as três grandes candidaturas que disputavam a Presidência da República e continuam financiando as duas, e financiaram a maioria dos deputados federais que foram eleitos.
Aliás, eles financiaram a imensa maioria, a quase totalidade dos deputados federais e senadores que foram eleitos.
Quem está mandando e irá mandar no Congresso Nacional na legislatura que vem serão justamente esses setores que têm mandado! E para eles está muito bom assim! Já pensou o que seria para os banqueiros, para as empreiteiras, para a Friboi e outros se efetivamente houvesse soberania popular no Brasil? Se a vontade popular fosse soberana neste país, com certeza eles iriam, pelo menos, parar de parasitar de forma tão intensiva o suor do trabalho da imensa maioria do povo brasileiro. No mínimo, isso.
Então, não adianta ficar aqui falando o que defendemos na reforma política. Todo mundo diz um monte de coisa bonita que defende na reforma política, só que não vai acontecer! Ela só vai acontecer se o povo se organizar desde as bases da sociedade e empurrar de baixo para cima contra tudo e contra todos, porque o estado é um aparato e será um aparato para tentar manter o status quo da forma como ele está.
Esta é a lamentável realidade e talvez o que eu tenha mais importante a dizer depois desse processo eleitoral e de ter sido candidato ao Senado.
A soberania popular está aviltada no Brasil, mais de uma forma tão irremediável que não será uma pequena reforma de detalhes, mudança de detalhes nos códigos eleitorais que poderá alterar este quadro, infelizmente.
Eu falei ontem aqui - evidentemente que este meu discurso pode parecer que é um discurso de quem não venceu a eleição, embora mesmo no processo eleitoral e antes nós falávamos nessa mesma direção - que seguiremos falando, independentemente do espaço onde estivermos, da nossa derrota, não porque não me elegi senador, porque a eleição deste deputado, isolado dentro deste Parlamento ao Senado, seria um acidente da história, mas por não termos eleito deputados.
Eu avalio que nós conseguiríamos eleger na nossa chapa pelo menos um deputado estadual, e trabalhamos para isso. Aliás, eu fui candidato ao Senado também para fortalecer a chapa e para contribuir nesse espaço. E ainda bem que fui candidato, porque se não tivesse sido talvez eu próprio estivesse hoje me culpando pela chapa inteira não ter tido êxito, que se estivesse saído candidato ao Senado teria sido eleito pelo menos um deputado na chapa do PSOL para continuar a política de defesa de certas posições dentro deste Parlamento. Evidentemente que esse candidato a ser eleito seria, como foi o mais votado, o soldado Elisandro Rotin de Souza, companheiro presidente, agora licenciado da Aprasc.
Então, a nossa derrota é, principalmente, esta. Mas, não obstante o insuficiente êxito eleitoral, pegando uma carona aqui no discurso feito pelo deputado, presidente em exercício até anteontem, Joares Ponticelli, que foi candidato a vice-governador na chapa de Paulo Bauer, as pesquisas eleitorais influenciam e manipulam a vontade popular. E olha que no meu caso, 3%, que o Ibope dizia que eu tinha foi o que eu acabei tendo, assim como Raimundo Colombo foi eleito no primeiro turno, como o ibope também disse que seria. Mas mesmo assim o deputado Joares Ponticelli veio falar desse fenômeno. E eu senti esse fenômeno como nunca tinha sentido.
A cada 20 dias uma pesquisa do Ibope jogava a nossa candidatura e a nossa campanha por terra, e a minha tarefa, deputado Moacir Sopelsa, era tentar juntar os cacos de volta. Quando já estávamos lá novamente com o grupo que fazia um volume andando pelas ruas, 20 dias depois vinha outra pesquisa do Ibope e jogavam a nossa candidatura e a nossa campanha por terra.
O fato mais lamentável é que colocava na nossa frente candidaturas que evidentemente tinham menos expressão na sociedade, como a prática e as urnas confirmaram, como que dizendo: "Olha, o Soares não tem chance mesmo, ele está atrás de todos os outros, inclusive de gente das quais nunca se ouviu falar na política catarinense".
Então, tem um "q" que se precisa pensar. Aliás, não se vai pensar também, porque o modelo atual favorece as candidaturas oficiais, e permitam-me dizer dessa forma, ou pelo menos a maioria, e, portanto, isso também não vai ser mudado, porque se favorece os poderosos, continuará prevalecendo.
Mas para quem não está nas chapas oficiais chega a ser desumano o processo de manipulação dos resultados de pesquisa. E isso é lamentável e também ajuda a aviltar a soberania popular, que a nossa Constituição diz que é a vontade soberana e majoritária da sociedade e dos governos.
Mas, enfim, não obstante toda a situação, toda a peleja que vai continuar aqui ou em qualquer tribuna, evidentemente, é preciso agradecer aos companheiros e às companheiras que caminharam conosco pelas ruas, apesar das pesquisas e da ausência absoluta de recursos e de condições, e nos horários de folga, ou da aula ou do trabalho, porque essa era a realidade das pessoas que estiveram conosco na campanha.
Quero fazer o registro de servidores da Segurança Pública, especialmente praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, que se empenharam na campanha; servidoras e servidores da Saúde Pública do Estado, que tinham a candidatura a deputado estadual e que abraçaram, de forma até apaixonada, a sua candidatura e também a nossa candidatura ao Senado; da juventude e dos estudantes; dos profissionais liberais; de servidores públicos e até autoridades do serviço público dos mais diversos setores que apoiaram a nossa candidatura ao Senado. E, inclusive, pequenos agricultores e comerciantes. Porque, felizmente, conseguimos estabelecer alguma relação e dizer que o grande inimigo da sociedade brasileira e da soberania popular são os monopólios, os banqueiros, as empreiteiras, o latifúndio, o agronegócio, o sistema financeiro internacional e a sua dominação imperialista sobre a sociedade brasileira. E caminhar nessa direção é o que vamos fazer por todos os outros dias da nossa vida daqui até o último dia.
Por fim, quero agradecer a todos que contribuíram e ajudaram, inclusive aos que estão aqui até muito próximos de nós neste Parlamento. E se me permitem, agradeço especialmente à cidade de Imbuia, pois lá fui o segundo mais votado e quase venci a eleição ao Senado em Imbuia. Evidentemente que apoiado por amigos de infância de todos os partidos. No centro de Imbuia, em oito urnas, eu fui o mais votado.
Portanto, quero deixar esse abraço. Entendo que isso foi uma demonstração de carinho daqueles que, por saber da nossa honestidade e conhecer a nossa história de vida e de luta, e também da nossa família, resolveram fazer esse resultado bonito também para nos alegrar e para garantir que o futuro pode ser diferente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)