84ª Sessão Ordinária - 25/09/2013
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, pessoas que nos acompanham nesta tarde de quarta-feira pela TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, venho a esta tribuna, ainda na tarde de hoje, para tornar público, ou mais público, um fato que tem sido curiosidade de muitas pessoas, especialmente as preocupadas com as questões políticas partidárias etc., no nosso estado, para informar que ainda no final da semana passada fomos notificados, pela direção estadual do PDT, que no próximo sábado, dia 28, pela manhã, a referida direção irá se reunir para avaliar o relatório da comissão de ética que foi criada no ano passado e que realizou o trabalho nos primeiros meses deste ano, ou a partir do mês de abril deste ano, para avaliar a conduta deste deputado e que concluiu pela expulsão deste parlamentar do PDT.
Então, nós que avaliamos que talvez, deputado Padre Pedro Baldissera, eles esperassem passar o dia 5 de outubro para depois tomar alguma definição, fomos informados de que haverá a reunião, pelo menos, no próximo sábado, para debater esse assunto. E depois do que escreveram e do que se disse a respeito desse assunto, fica mais ou menos evidente uma tendência de qual será a decisão do PDT, ou da direção estadual do partido, até porque já estão desde o ano passado, inclusive através dos meios de comunicação, convidando-me a sair do partido.
Nessa conjuntura quero aproveitar para ler, nesta tribuna, um artigo do ex-deputado federal por dois mandatos, Vivaldo Barbosa, inclusive foi o líder da bancada do PDT na Assembleia Nacional Constituinte como deputado constituinte, foi também secretário de Justiça do governo Leonel Brizola, no Rio de Janeiro. Mesmo que ele tenha as posições diferentes das nossas, como já expressei aqui, temos outros entendimentos que não o trabalhismo clássico que era defendido por João Goulart e Leonel Brizola.
Embora compreendamos a importância desse fenômeno, movimento e espectro da organização político-partidária, ideológica, programática, da sociedade brasileira, das figuras como Leonel Brizola, temos posições de que é preciso uma concepção da classe trabalhadora que aponte numa outra direção, na organização da classe trabalhadora, para apontar pela construção de uma nova sociedade.
(Passa a ler.)
"Adeus, PDT!
Vivaldo Barbosa
O PDT é dirigido pela dupla Lupi e Manoel Dias, que, com a morte de Brizola, colocaram o livro de atas debaixo do braço e montaram uma estrutura de domínio do partido com a permissividade dada às direções partidárias pela legislação. Tem o assentimento das bancadas na Câmara e no Senado, pois distribuem o mando nos estados com os deputados e senadores.
Em troca do apoio ao governo federal, nas votações na Câmara e no Senado e no tempo de televisão nas campanhas eleitorais, a dupla recebeu o ministério do Trabalho, que é ocupado ora por um, ora por outro. Nos estados e nas prefeituras, independentemente da coloração política do governador ou do prefeito, reproduzem a mesma aliança: o PDT e o ministro indicam os secretários do Trabalho.
As verbas saem do ministério, vão para as secretarias administradas por secretários indicados por eles e são direcionadas para ONGs ocupadas por gente a eles ligadas, que recebem e repartem as verbas. O mesmo grupo de deputados, secretários, seus assessores, os dirigentes amigos das ONGs, ocupam o Diretório Nacional do PDT, fonte originária de todo esse esquema de poder para aproveitamento de verbas públicas. Dos mais de trezentos integrantes que compõem o Diretório Nacional, entre 10 e 20% são militantes trabalhistas e nacionalistas autênticos e originais.
Além do esquema das verbas do ministério do Trabalho, há o Fundo Partidário que deveria financiar atividades político-partidárias, hoje de valores elevados, a despertar a mesma cobiça. Mas o PDT não tem vida orgânica, é administrado por meio de comissões provisórias nos estados, que por sua vez as repetem nos municípios. Não promove estudos, nem debates, nada público. Ainda há a cessão de legenda e tempo de televisão nas eleições, outro espaço de negociação.
O PDT é um ambiente de procura de vantagens, não mais participa das lutas do povo brasileiro, está muito distante de ser um partido trabalhista e nacionalista como caminho brasileiro para o socialismo, como era o desejo e a esperança de Brizola.
Nós, de longa data de militância partidária, fundadores do partido, alguns, outros que foram colaboradores de muito tempo e muito perto de Brizola, organizamos o Movimento de Resistência Leonel Brizola para lutar pela volta do partido às suas origens e não permitir que fosse desviado de seus trilhos. Temos lutado durante os últimos anos, feito reuniões, manifestações, contatos com bancadas e outras instâncias, lançamos diversos documentos, até realizamos convenções nas ruas. Fomos à Justiça, mas nada adiantou. O PDT não tem mais jeito. Não nos resta mais esperança de ver o partido voltar ao seu leito histórico de honradez e princípios. Permaneceremos fiéis às lições de Brizola.
É com lágrimas de sangue e com dor de carne exposta que saio do PDT e tiro uma camisa que é como se retirasse a própria pele.
O artigo é de Vivaldo Barbosa, que foi deputado federal, líder do PDT e secretário de Justiça do governo Leonel Brizola, no Rio de Janeiro". [sic]
Este artigo mostra o sentimento de lideranças históricas importantes do PDT e indica, exatamente, a origem do problema que, como já disse aqui há alguns dias, é o fisiologismo doentio pelo qual o partido tem caminhado nos últimos anos de forma cada vez mais acentuada e menos vinculada a qualquer perspectiva programática.
O abandono do programa estatutário do art. 1º do Estatuto do PDT é a coisa mais evidente a se analisar, de acordo com as alianças eleitorais que o PDT tem feito no estado de Santa Catarina e pelo Brasil afora.
Sendo assim, por não termos conseguido ser fiéis aos infiéis, infiéis à linha programática do próprio partido deles, infiéis aos ensinamentos e às lições, tantas delas historicamente importantes para a sociedade brasileira, e lições e figuras como Leonel Brizola, essas condições colocam a necessidade de essa direção atual do PDT pedir a nossa desfiliação ou agora, e vão decidir no próximo sábado, provavelmente, se forem coerentes com a incoerência dos últimos anos, decidir pela expulsão.
E se é assim, deputado Padre Pedro Baldissera, temos orgulho de ter sido expulsos do partido justamente por não ter abandonado as bandeiras históricas, a luta ao lado e junto com a classe trabalhadora catarinense e brasileira, por não termos cedido a nenhuma forma de fisiologismo e de busca de vantagem pessoal.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)