38ª Sessão Ordinária - 04/05/1999
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, enquanto eu estiver nesta Casa exercendo o meu direito de Deputado vou sempre lutar, trabalhar e defender os interesses do povo do Alto Vale, vou estar sempre usando esta tribuna para defender o povo de Santa Catarina. Por certo vou me transformar num Deputado muito chato, mas também muito persistente, muito dedicado às causas do povo catarinense.
Vou estar todo dia aqui para lembrar desse R$1,7 bilhão de herança, para lembrar dos três salários que os nossos servidores ficaram para receber. Usarei este microfone para lembrar aos Deputados e ao povo de Santa Catarina que quem governou este Estado foi condenado, na semana que passou, a devolver para o povo catarinense R$124 milhões, e parece que isso não é mais notícia.
Agora, Nelson Goetten de Lima está sendo responsabilizado por causa de R$2,5 mil, e tem gente que diz que merece ser condenado. Acredito que assim se faz justiça, pois quando se trata de R$2,5 mil realmente nós temos que denunciar. Mas R$120 milhões, que fez muita gente chorar em Santa Catarina, parece que não têm sentido nenhum! Pensem o que significa para o Estado de Santa Catarina esses R$120 milhões!
Portanto, eu vou estar sempre sendo chato, persistente, denunciando e falando dos absurdos que foram cometidos em Santa Catarina. Alguém tem que fazer esse papel, e eu sou um, porque estarei aqui para lembrar isso.
Se corrigido fosse, hoje seriam R$180 milhões, o que daria para pagar duas folhas de pagamento dos nossos servidores. Então, seriam dois problemas a menos que teríamos para resolver.
Só com a correção desses R$120 milhões, que foram roubados pela quadrilha que administrava Santa Catarina. E foi a Justiça que assim se referiu, foi a Justiça que disse que era uma quadrilha que administrava Santa Catarina. Eu não quero assumir essa responsabilidade, não quero ser culpado por usar essa palavra, mas quero repetir o que a Justiça disse: que essas pessoas roubaram R$120 milhões de Santa Catarina e foram condenadas por isso.
Estamos aqui, também, para prestar contas dos R$33 milhões. A equipe administrativa do Rio Grande do Sul fez os mesmos documentos, emitiu os mesmos títulos, colocou esses mesmos papéis no mercado e isso não custou nem um real para o Governo daquele Estado. Mas em Santa Catarina, pagou-se R$33 milhões por esse mesmo trabalho, porque pessoas que diziam conhecer o assunto foram buscar um picareta no Rio de Janeiro.
Vou repetir este assunto por muitas vezes nesta Casa, porque são R$33 milhões que fazem falta ao povo de Santa Catarina, mandados para o Rio de Janeiro num caminhão, tudo em nota de R$100,00.
E o que dizer daqueles vinte e tantos milhões, que hoje já representam mais de quarenta milhões para o Besc de Santa Catarina, que foram mandados para Alagoas? Até entendemos que aquele povo merece ser ajudado, mas não com o nosso suor, não com o nosso trabalho, não com a roubalheira que foi feita em Santa Catarina!
Portanto, não vou nunca deixar de falar nisso. Estarei aqui para ser o algoz daqueles que fizeram isso com Santa Catarina, mas que hoje vêm querer cobrar saídas para Santa Catarina de um Governo que assumiu este Estado há pouco mais de cem dias.
Como muito bem disse ontem na tribuna, e assim também o fez o Deputado Heitor Sché, nós vamos cobrar do Governo, vamos ser solidários ao Governo, vamos ajudá-lo a buscar alternativas, saídas e soluções para Santa Catarina, porque esse é o nosso papel; agora, queremos que as pessoas sejam tolerantes devido ao momento de dificuldade que vivemos. O Governador Esperidião Amin tem competência suficiente para buscar uma saída para Santa Catarina, e é isso o que anseia o nosso povo.
Tive a oportunidade de, ontem, dizer o que significou para o nosso servidor essas três folhas de salário atrasadas, o desespero que isso trouxe às suas famílias. Muitos servidores dependem única e exclusivamente desse salário para tratar e vestir seus filhos, para pagar a água e a luz, para trazer o básico para dentro de casa. Já imaginaram a dificuldade dessas famílias?! E muitos servidores, quando foram fazer compras no mercado, na farmácia, no supermercado, enfim, daquilo que é o dia-a-dia da cada um, não tinham mais crédito! E os que recorreram ao cheque especial, para pagar suas contas, também estão hoje numa situação crítica.
Por isso, Srs. Deputados, é que vamos estar sempre nesta tribuna, para manter viva e forte a lembrança do que aconteceu com o Estado de Santa Catarina, porque senão corremos o risco de que isso caia no esquecimento, como é o desejo de muita gente.
Santa Catarina ocupa apenas 1,1% do território nacional e tem 3% da população brasileira; contudo, pelo povo empreendedor que tem e pela capacidade dos seus cidadãos, é o quinto maior exportador do País.
Este Estado causa-nos orgulho pela capacidade do seu povo, mas foi humilhado, enxovalhado, envolvido em escândalos por uma administração que deixou uma dívida de mais de R$1,6 milhão. E é nisso que vou persistir, é essa a lembrança que sempre vou trazer para o nosso cidadão, é esse o papel que vou desempenhar nesta Assembléia, porque quero, sim, contribuir com Santa Catarina naquilo que for mais pertinente, mais importante, mais necessário.
Eu tenho orgulho de estar aqui entre os 40 Deputados que representam o nosso Estado. Juntos, haveremos de desenvolver um trabalho em benefício do povo catarinense, porém com muita responsabilidade, com muita seriedade. Apesar do meu limitado conhecimento, este é o meu objetivo de trabalho, está é a minha vontade: contribuir com o povo de Santa Catarina. Daí eu estar nesta tribuna sempre, para manter vivos esses fatos importantíssimos.
Acredito no Governador Esperidião Amin, no nosso País, no nosso Estado e, acima de tudo, acredito que, junto com os demais Deputados e com a sua equipe do Governo, poderemos desenvolver um grande trabalho em favor do desenvolvimento de Santa Catarina.
Nós temos casos gravíssimos na Saúde, que é uma coisa importantíssima. No Alto Vale, foi construído o maior hospital do Sul do Brasil, um dos mais modernos, mas nesses últimos quatro anos não havia recursos sequer para mantê-lo.
Disse um Deputado aqui há alguns dias que nunca viu tanta ambulância vir do Oeste para a Capital. É lógico, pois quando não se resolve o problema do cidadão na sua cidade de origem temos que colocá-lo dentro de uma ambulância e andar com ele para baixo e para cima. Contudo, nós queremos um Governo responsável, que resolva o problema do cidadão onde ele mora, onde ele vive, onde ele trabalha. É isso o que nós queremos do Governo: responsabilidade e respeito para com as coisas do povo, e isso nós vamos estar sempre cobrando desta tribuna.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)