13ª Sessão Ordinária - 20/03/2002
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, volto à tribuna nesta tarde para, caso V.Exas. não tiveram a oportunidade de fazer a leitura da Revista Carta Capital desta semana, recomendá-la, porque esta revista traz uma reportagem bastante extensa - e eu não vi o mesmo tratamento nas demais revistas semanais - com relação à questão do que a revista intitula O Jogo do Milhão.
Donos da mídia nacional reagem à “operação salva Globo”. Chamam de esquema, de escândalo em época eleitoral, de acerto, de pré-pagamento, de pagamento antecipado. E o Bóris Casoy inclusive se referiu ao dinheiro do BNDES repassado à Globo nos seguintes termos: “A dívida total das Organizações Globo é de um bilhão e oitocentos milhões”.
É claro que essa é uma operação de ajuda e é claro que quando o BNDES faz uma operação desse porte está aguardando, obviamente, Deputado Ivo Konell, algo em troca.
Então, recomendamos, a quem puder, fazer a leitura da Carta Capital desta semana, que ela é muito elucidativa. E, inclusive, não só sobre essa matéria, mas ela tem uma outra que valeria a pena ser lida, porque temos uma CPI aqui na Casa tratando da questão do contrato no Porto de São Francisco do Sul.
Quero alertar o Deputado Afrânio Boppré, que é o representante do PT naquela CPI, que na Carta Capital desta semana tem mais uma coisa relativa ao Porto de São Francisco do Sul, que é aquele esquema do fundo de pensão dos portuários ou Portos que está absolutamente à deriva, tem um rombo fenomenal, monumental, tem envolvimento de algumas personalidades já nossas conhecidas e, inclusive, uma delas, que é a Assembléia Legislativa, aprovou para ser homenageado o Sr. Eliseu Padilha.
E na questão da Portos com o Ministério dos Transportes tem a questão de uma outra obra na mira das investigações, que é a do Terminal Portuário de Cargas de São Francisco do Sul. A obra absorveu 38 milhões e a Portos é dona de 58% de empreendimento. O problema é que após a construção descobriu-se que o mar ao redor não tinha profundidade para receber navios de grande porte. O terminal virou área de desembarque de pesca e hoje dá prejuízo.
Então, já que temos uma CPI tratando de algumas coisas relacionadas ao Porto de São Francisco do Sul, talvez valesse a pena ir atrás um pouco dessa situação também.
Mas vou voltar à questão da Globo, porque é ela que me trouxe à tribuna, porque em menos de um mês, Deputado Ivo Konell, a população brasileira assistiu, estarrecida, a uma operação vinda do Palácio do Planalto, que se utilizou de toda estrutura de Poder em benefício da candidatura daquele ungido pelo Planalto para ser o candidato da continuidade nesta disputa eleitoral deste ano.
Vejamos, em menos de um mês tivemos uma ação da Justiça Eleitoral, do TSE - Tribunal Superior Eleitoral -, que aprovou a verticalização.
Todos sabemos que essa verticalização teve como principal objetivo ajeitar a situação das candidaturas da base governista para beneficiar a candidatura do Serra, até porque a Justiça Eleitoral leva quase um ano para se pronunciar sobre uma consulta e, muito convenientemente, o faz quando isso beneficia o candidato do Palácio do Planalto.
No dia seguinte, dois aparatos de poder são utilizados, a Justiça comum e a Polícia Federal, para fazer a apreensão lá na Empresa Lunus, de sociedade da Governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e do seu esposo, Jorge Murad. Não que não houvesse toda uma situação de investigação de problemas envolvendo as atividades do Sr. Jorge Murad e da Sra. Roseana Sarney, que há muito tempo estão na mira e sob investigação da Justiça e da Polícia Federal.
Mas a conveniência de ter aquele procedimento naquele momento, inclusive com a suspeita da arapongagem, das escutas telefônicas... Porque está cada vez mais óbvio que a batida naquele dia tinha uma razão de ser: era porque naquele dia iria se encontrar o dinheiro. E isso só pode ser feito, Deputado Ivo Konell, se tem-se escuta telefônica. Inclusive, está sendo debatida no Congresso Nacional a contratação, pelo Ministério da Saúde, com somas vultosas, de uma empresa que, em tese, é para fazer o rastreamento das ligações telefônicas. Mas todos sabemos que pode muito bem ter sido usada para fazer a dita arapongagem, a escuta telefônica.
Então, Justiça Eleitoral, Justiça comum, e Polícia Federal. E agora temos um órgão de financiamento público, o BNDES, financiando, emprestando dinheiro para a Globo Cabo, para uma das empresas do conglomerado Globo que está numa situação de pré-falência e que recebe algo que deve chegar R$1 bilhão.
Portanto, um órgão de financiamento público, o BNDES, é acionado para beneficiar uma empresa que, indiscutivelmente, é a maior empresa de comunicação do País e que todos sabemos que influi decisivamente nos processos eleitorais.
Então, em menos de um mês o Planalto se utiliza de diversos esquemas, de diversas instituições e de espaços de poder para beneficiar a candidatura ungida pelo Planalto, a do Ministro da Saúde, José Serra.
E o Macaco Simão, na Folha, inclusive na sua maneira de dizer, de falar e de comentar os acontecimentos políticos, disse que a Globo Cabo agora foi alçada à condição de Globo Cabo eleitoral, porque depois de receber quase R$1 bilhão do BNDES, obviamente - e todos já sabemos -, vai ter que dar resposta, dar troco, vai ter que pagar, retribuir esse benefício de quase R$1 bilhão do BNDES.
E nós, que estamos iniciando o processo eleitoral e assistimos a toda essa utilização de poder feita pelo Planalto para tentar alavancar a candidatura do ungido, só podemos fazer dois tipos de avaliação: a primeira é que a utilização de todo esse poderio é também uma demonstração inequívoca de fraqueza, porque se Fernando Henrique estivesse tão confiante na sua sucessão, tão confiante na aprovação do povo brasileiro à sua política, não precisaria adotar esse tipo de expediente.
É óbvio que quando Fernando Henrique, o Planalto, adota esse tipo de procedimento, utiliza a Justiça Eleitoral, a Justiça comum, a Polícia Federal, o BNDES e a Globo, é porque ele está, do meu ponto de vista, convencido de que há uma forte ressonância na opinião pública, na população brasileira, para mudanças do rumo deste País, para uma outra forma de gerir a coisa pública neste país, para um projeto que, indiscutivelmente, valorize o mercado de consumo brasileiro para que possamos ter soberania nacional.
Hoje, estamos assistindo estupefatos os Estados Unidos tentando obrigar o Brasil a exonerar o Embaixador que faz a defesa do fim das armas químicas.
Então, este tipo de País submisso, sem soberania, sem que tenha valorização da sua gente, do seu parque produtivo, da sua nação, não quer mais continuar nesse rumo. O País quer mudanças e estamos convencidos de que a mudança virá no dia 06 de outubro. Tem esse potencial colocado, indiscutivelmente, na população brasileira para a mudança do rumo deste País.
Portanto, é claro que quem não tem confiança, nem segurança e já percebeu que na sociedade o debate não lhe é favorável, porque as conseqüências da política econômica, dos processos de privatização, do desgaste, do desmonte e do desemprego não lhe beneficia, precisa se utilizar de tudo ao seu alcance para eliminar a possibilidade de derrota.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)