28ª Sessão Ordinária - 02/05/2001
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, gostaria de saudá-lo por sua volta à Casa, pois esteve nos representando no Canadá, em Quebec. Foi isso Presidente?
Venho a esta tribuna hoje, primeiro, para comunicar o falecimento de um grande Criciumense, um grande empreendedor de Santa Catarina e do Brasil, um homem a quem o Sul do Estado de Santa Catarina deve muito pelo seu empreendedorismo, pelo seu vigor, pela sua capacidade administrativa e que, infelizmente, nos deixou.
É o grande empresário, Santos Guglielmi. Este empresário, que sempre foi orgulho para o Sul do Estado de Santa Catarina, no último final de semana, infelizmente, Criciúma teve de conduzi-lo à sua última morada. Mas permanecem suas obras, seus ensinamentos, tudo aquilo que fez pelo desenvolvimento da nossa região. É dos últimos empresários baluartes da pujança da economia do Sul do Estado de Santa Catarina.
Deixa um grande patrimônio. A Mina Carbonífera Metropolitana, um hospital, a Empresa de Água Mineral da Guarda, o grande empreendimento turístico em Laguna, o Laguna Tourist Hotel e outros.
Este grande empresário, vindo da agricultura, homem simples, um verdadeiro empreendedor como diz o jornal "Diário Catarinense", do dia 30 de abril - que mostra toda a sua carreira, era irmão do ex-Deputado Estadual Antônio Guglielmi Sobrinho, em quem nos inspiramos, eis que foi o primeiro Deputado Estadual que conheci na minha vida.
Tenho, até hoje, uma Constituição do Estado, da época, assinada por ele, o famoso Nico Guglielmi, irmão, falecido há bastante tempo e que não teve a mesma sorte de viver o quanto viveu o Sr. Santos Guglielmi, que contava com 89 anos, quase um século de vida. Um homem forte, que tinha uma visão sempre para a frente do mundo de querer acreditar.
Disse-me um amigo, Édio Castanhel, que construía para ele nas Termas da Guarda, que quando estava a construir uma obra mandava plantar árvores e dizia que daquelas árvores iria comer os frutos. Já era um homem de bastante idade empreendendo para o futuro. Tinha projeto para um outro hotel, com uma grande marina em Laguna.
Um homem que acreditava no Sul do Estado de Santa Catarina e investiu todo o seu recurso, todo o seu dinheiro na nossa região e por isso foi um verdadeiro empreendedor. Fica então nossa homenagem a todos os familiares, aos filhos, netos, a esposa que ainda vive, desse grande empreendedor da nossa cidade de Criciúma e do nosso Sul do Estado de Santa Catarina. A família Guglielmi receba nossas homenagens.
Encaminhamos requerimento para que seja hoje aprovado e despachado pelo Sr. Presidente, remetendo nossas condolências à família.
Mas, Srs. Deputados, estamos também nesta tribuna para tratar de assunto de extrema importância, que deixa toda a Região Sul do Estado, principalmente a cidade de Criciúma, estarrecida e preocupada com a falta de segurança.
Viemos outras vezes e falamos da falta de contigente da Polícia Militar, de estrutura para a Polícia Civil nas investigações mais complexas, que tanto necessita para desvendar crimes e gangues que atuam como só se vê em filme policial americano.
Por exemplo, um caso que aconteceu em Criciúma, de uma senhora cujo desaparecimento já passa de dois anos e não se sabe que fim levou. Recentemente um caso gravíssimo de uma mulher..., até na igreja em que eu estava, na semana passada, o padre colocava o estranho desaparecimento de Regina Helena Búrigo, irmã de um amigo seu, Deputado Gilmar Knaesel, que é o chefe da fiscalização em Criciúma, o popular Cascão, seu amigo pessoal.
Não a encontravam, não se sabia onde estava e acabaram encontrando seu corpo boiando num rio amarrada com arames. Encontraram-na nesta situação. Esta professora aposentada, infelizmente... Deputado Jaime Duarte, V.Exa. também sente esta situação em Joinville - a insegurança que impera, porque não se descobre exatamente quem são esses bandidos, esses facínoras que a sociedade precisa coibir e prender.
E peço ao Governo do Estado que dê uma atenção especial para Criciúma e para a região Sul. Precisam melhorar a segurança porque as pessoas - os jovens, a senhoras, o cidadão - não podem mais sair as ruas. Esta senhora foi receber, Deputado Jaime Duarte, pela venda de um imóvel, R$7.000,00 e, a partir daquele dia, desapareceu.
Essas pessoas têm que estar bem informadas. Devem fazer parte de uma gangue e precisamos ter estrutura na polícia para investigar esses bandidos que estão cercando a nossa cidade, a nossa região, colocando em risco a vida das pessoas.
Por isso queremos fazer um pedido especial para o Sr. Secretário da Segurança Pública, para o Sr. Comandante da Polícia Militar e para o Sr. Governador, que dêem mais atenção para a segurança pública da nossa região, porque precisamos... Não podemos mais estar diante de um situação dessa. Oito horas de tensão no Presídio Santa Augusta! O que acontece em São Paulo está se copiando também no Presídio Santa Augusta.
E fiz nesta Casa, no dia 18, uma indicação para a construção de um presídio agrícola na região Sul do Estado e recebi até a crítica de Vereador da cidade de Araranguá no sentido de que não queria lá um presídio agrícola! Eu não disse que era para Araranguá. Disse apenas que precisamos ter uma estrutura penal, para que possamos fazer com que o preso, que as nossas prisões, que as nossas penitenciárias não se transformem numa universidade, numa pós-graduação do crime, onde um cidadão que é condenado por um crime menor, porque a lei tem que ser cumprida, vai para a cadeia de um presídio ou de uma penitenciária e sai de lá um criminoso especialista, porque parece que a cadeia o transforma. É uma escola de aperfeiçoamento do crime.
Precisamos fazer com que as prisões sejam um local de trabalho, onde o preso, no final do dia, esteja cansado de tanto trabalhar não tendo tempo para pensar mais no que vai fazer depois que sair da prisão. Se vai voltar a roubar ou cometer algum crime.
Precisamos de segurança e segurança é começar dando condições para o Judiciário ter onde colocar os presos, dando condições de segurança para o cidadão, dando mais equipamento, colocando mais pessoal, colocando mais investigadores, com melhores estruturas, porque vivemos num mundo moderno e não se consegue descobrir quem são os criminosos.
Em Criciúma os bandidos jogaram num poço de uma mina, a cento e poucos metros de fundura, vários corpos e estão lá até hoje, porque não se conseguiu resgatar a fim de saber... Porque no Direito brasileiro existe o corpo de delito: você não tem a prova material de quem matou determinada pessoa.
E sem as condições técnicas da Polícia Técnica, você não pode prender e condenar o criminoso.
O Sr. Deputado Nelson Goetten - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Pois não!
O Sr. Deputado Nelson Goetten - Queria lhe cumprimentar pelo discurso e quero ser solidário com Criciúma.
São dois Municípios em que a prática do crime decorre bastante dos estados vizinhos. Em Joinville quase sempre do Paraná e, em Criciúma quase sempre do Rio Grande do Sul.
É verdade que temos que ter um cuidado maior com essas duas regiões. Está certo V.Exa.! Esta questão da penitenciária... Realmente as penitenciárias são hoje uma escola de formar bons bandidos!
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Gilmar Knaesel - V.Exa. dispõe de mais 30 segundos para concluir o seu pronunciamento.
O Sr. Deputado Nelson Goetten - A penitenciária agrícola é realmente a solução!
Outra coisa. Quero concordar com os Deputados Jaime Duarte e Heitor Sché que diziam que temos que tirar a Polícia da fiscalização do trânsito e colocá-la para fazer segurança. Isso é fundamental!
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)