Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

85ª Sessão Ordinária - 16/10/2007

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, servidores deste Poder Legislativo, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, quero justificar a minha ausência no grande expediente de hoje por estar representando este Poder, a pedido da Presidência, na abertura da VII Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, evento que está sendo realizado hoje e amanhã, aqui na capital, no Estreito, com participantes, com delegados de todo o estado de Santa Catarina.

Quero registrar também e fazer a nossa homenagem singela ao Dia do Professor, ocorrido ontem, e lamentar o fato de ser uma categoria tão desprestigiada pelos diversos e sucessivos governos, e tão desprestigiada, por que não dizer, pela sociedade. Porque uma sociedade que admite que o professor e a professora recebam um salário de fome, é uma sociedade triste e que está fadada a não construir uma realidade diferente no futuro. Quero lamentar o fato de, aqui em Santa Catarina, pagarmos o 23º pior salário de todo o Brasil aos nossos professores.

Quero lamentar o desrespeito à gestão democrática, o desrespeito aos acordos que haviam sido realizados no ano passado com a então secretária de Educação, no que tange à eleição direta para diretores das escolas públicas.

Fazer homenagem aos professores todo mundo faz, mas na hora de respeitar as demandas que a categoria, de forma organizada, coloca na pauta, aí a situação é bem diferente! Assim como são homenageados os demais servidores públicos, e também nós policiais e bombeiros militares, mas na hora de valorizá-los, a sociedade civil, a sociedade política, os governos e o estado, tendem a considerar como servidor que não merece ser bem tratado e ter respeitados todos os seus direitos.

Mando um abraço, uma saudação a todos os praças que estão me ouvindo neste momento, em especial ao presidente da Aprasc, Manoel João da Costa, nosso J. Costa que está agora nos acompanhando. Ele está fazendo uma campanha, em nível estadual, para divulgar a luta pela conquista da Lei n. 254, que é uma luta da qual ninguém irá desistir, nenhum praça. Ele elaborou também este bonito adesivo, pedindo a Lei n. 254 para o governo do estado, que está sendo espalhado em todo o estado de Santa Catarina.

Em virtude do pouco tempo e de muitos afazeres, tenho que seguir com outros assuntos. Registro também, para aquelas pessoas que gostam da história e a consideram importante, porque mesmo sendo fatos passados são elementos importantes da vida da sociedade, que hoje, dia 16 de outubro, comemora-se 77 anos da Batalha da Serra da Garganta. Aquele acontecimento político, importante para a história do Brasil, conhecido como a Revolução de 30, que no período de um mês e alguns dias varreu o país de norte a sul e de leste a oeste instituindo o governo Getúlio Vargas. Fez vítimas também em Santa Catarina.

E a Batalha da Serra da Garganta, talvez o episódio mais dramático daquele grande movimento ocorrido na nossa cidade vizinha de Anitápolis, deixou cinco praças da nossa Polícia Militar, a então Força Pública Catarinense, no solo daquela localidade.

Nossa homenagem a todos os irmãos caídos em todos os tempos. Mesmo que naquele episódio - registrado muito bem no livro do ex-comandante da Polícia Militar, coronel Valmir Lemos - a Força Pública tenha se colocado do lado contrário da história, na minha forma de compreender o desenvolvimento das relações sociais, é preciso lamentar todos os irmãos que caíram em combate, e registrar a passagem dos 77 anos da Batalha da Serra da Garganta, aqui em Anitápolis.

Por último, gostaria de comentar e também justificar a nossa ida ao extremo oeste do estado nos dias 10 e 11 deste mês, semana passada, consternados pelo trágico acontecimento que ceifou a vida de 27 pessoas na BR-282, entre as cidades de Maravilha e São Miguel d'Oeste, num bico do município, no território de Descanso. Certamente o acidente mais trágico do oeste catarinense e talvez de todo o estado, senão pela extensão e pela quantidade de vítimas, pela forma, pelo inusitado como as coisas aconteceram.

O primeiro acidente, que já havia matado 12 pessoas, estava sendo atendido por bombeiros, motoristas de ambulância e populares e registrado por fotógrafos e jornalistas, quando um caminhão desgovernado, uma hora e meia depois do primeiro acidente - portanto não se coloque nenhuma responsabilidade sobre as instituições de segurança, porque o local estava sinalizado e já bloqueado há uma hora e meia -, aparece e mata mais 15 pessoas. Essas 15 pessoas, todas elas estavam trabalhando, a maioria delas de forma voluntária, souberam do acidente ou estavam passando e foram lá para ajudar, para socorrer vidas.

A última semana foi dramática para nós, milicianos do estado de Santa Catarina. De quarta até sexta-feira este parlamentar esteve no velório e sepultamento de sete praças. Os cinco que morreram no acidente no extremo-oeste junto com três jornalistas, dois motoristas do Samu, agricultores, funcionários da Cooperalfa, caminhoneiros, moradores da região e duas crianças.

Do Corpo de Bombeiros morreram - o cabo Roberto Inácio Borghetti; cabo Leonir Francisco Bagatini; o soldado Carlos Francozi; o soldado Evandro Daltoé; o bombeiro voluntário Élio Moss e o soldado da Polícia Militar Ilvânio Marcos Schnem.

Todos eles nossos companheiros, nossos amigos, gente que tem participado das nossas lutas nas mesmas estradas, nas mesmas viagens cansativas do extremo-oeste até aqui e daqui até o extremo-oeste para reivindicar as nossas demandas, camaradas que merecem a nossa homenagem e o nosso respeito. Outros tantos feridos, alguns de forma grave ou muito grave.

No dia seguinte, ou na tarde que estávamos em São Miguel d'Oeste sepultando esses companheiros, falecia em acidente de automóvel também, o cabo Antônio Alves da Silva, que trabalhou comigo aqui na penitenciária durante sete anos. Foi sepultado em Chapecó na quinta-feira.

E nessa quinta-feira à tarde, fazendo uma escolta de presos na região de Tijucas, entre Tijucas e Brusque, deputado Dagomar Carneiro, faleceu em acidente com uma viatura o sargento Carlos José Vitorino, que sepultamos na tarde de sexta-feira.

Quero nesta tribuna lamentar essas mortes e fazer uma homenagem a esses bravos companheiros - honra e glória a todos os irmãos de farda tombados no bom combate a serviço da população de Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)