49ª Sessão Ordinária - 27/06/2007
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Quero cumprimentar a nobre presidente, os nobres deputados, dos quais fiquei quase 20 dias afastado por ter participado de uma missão na China, de onde cheguei esta madrugada, local em que eu fiquei a par de uma série de experiências, visitando uma série de empresas, juntamente com alguns empresários organizadores dessa missão.
Estaremos aqui provavelmente na semana que vem apresentando os resultados dessa experiência. Um deles foi a visita ao Departamento de Assuntos Internacionais do Partido Comunista da China, que funciona como uma empresa. Fomos recebidos pelo presidente do departamento, numa estrutura física de um palácio que é maior do que o palácio do governo, em Brasília, com 800 funcionários.
Saímos de lá com um acordo para estabelecer uma relação de Santa Catarina com o Instituto Confúcio, que é um instituto de ensinamento do mandarim, porque um dos grandes problemas do empresariado brasileiro quando vai à China é a comunicação. Logicamente que temos também o inglês, mas a relação em mandarim é fundamental para as negociações.
Estivemos visitando uma empresa em que a tecnologia médica surpreendeu-me porque eu não conhecia. Desenvolveram um equipamento para tratamento de câncer à base de ultra-som, deixando de utilizar a radioterapia com todas as suas conseqüências e efeitos colaterais.
É um equipamento que custa em torno de U$ 2 milhões e o primeiro lote será exportado para a Austrália. E eu, como médico, que não conhecia esse equipamento, pedi que me fosse dada a literatura que tratava do assunto, porque hoje à noite estaremos em Joinville com o ministro da Saúde na abertura do Conasen e mostraremos para eles o avanço que representa a China em todos os setores.
Ao mesmo tempo, ao visitarmos uma feira na área de medicamentos, é fantástico observar os avanços na área de produção de genéricos com os seus custos reduzidos e hoje sendo exportados para o mundo inteiro.
A grande surpresa é de que é falácia o que nós ouvimos neste país de que na China tudo é barato porque a mão-de-obra é escrava. E nós estaremos mostrando aqui de que se trabalha muito lá, assim como se trabalha muito aqui e em muitos outros países, mas a carga horária na construção civil lá é de seis horas, em quatro turnos, perfazendo 24 horas, pois a China não pára! Trabalha-se o dia inteiro com quatro turnos e são dados 30 dias de férias coletivas para os trabalhadores da construção civil porque é um setor extremamente puxado. Ou seja, se eles trabalham diuturnamente e nós trabalhamos apenas um turno, o que nós levamos quatro anos para construir, eles constroem em um ano. Isso é matemática! E é interessante a relação de latinidade do povo chinês na recepção, diferentemente do europeu, que é seco, e do americano.
Por isso estaremos aqui falando sobre alguns avanços e sobre a intenção de (eu conversei com o deputado Joares Ponticelli sobre isso), juntamente com a Universidade Federal de Santa Catarina, estabelecermos uma relação com o governo chinês, para que tenhamos, em Santa Catarina, na universidade, junto com a Escola do Legislativo, o ensino do mandarim. Tranqüilamente, depois do inglês, será a língua oficial do mundo desenvolvido, pelo que se prevê nas perspectivas de construção e desenvolvimento do governo chinês.
Chegando ao Brasil e vendo a matéria em relação ao querido deputado Décio Góes, quero solidarizar-me com ele porque nós, prefeitos do PT, já estamos acostumados a apanhar. Eu ainda estou com os meus bens indisponíveis, deputado Pedro Uczai, e vejo aqui que o deputado Décio Góes está sendo denunciado. É a disputa eleitoral do ano que vem, deputado, e nós devemos estar preparados porque com a reforma política que se está fazendo no país, que o Congresso Nacional está aprovando hoje, está-se começando a fazer o debate.
Nós sabemos que o Partido dos Trabalhadores, pela pesquisa Sensus e pela percepção pública, continua sendo o preferido do povo brasileiro, com 21%. Isso mostra nitidamente que enquanto as distorções do Congresso Nacional acontecem, como o caso de Renan Calheiros, que tem de se explicar, e agora de Joaquim Roriz, que também tem de se explicar com a Polícia Federal por mais essa operação, a qual parabenizo pela intervenção constante do ponto de vista da moralidade pública, nós vemos que o nosso governo Lula continua nas alturas em termos de aprovação, inclusive com índices comparáveis aos de 2005.
E ontem mesmo, observando uma pesquisa do Iperj, que é um instituto que avalia as matérias que saem nos jornais brasileiros, nós vimos que todas as matérias dos nossos jornais têm manifestado e expressado, segundo a sua conotação e concepção, que 63% das pessoas são contra o nosso governo. Mas mesmo assim o governo Lula continua se mantendo sólido numa perspectiva de inclusão social, numa perspectiva de construção pública, principalmente de crescimento econômico com inclusão da pobreza, porque, como ele diz, é muito mais fácil resolver o problema do pobre, que muitas vezes a comida na mesa é a riqueza do seu dia, do que do empresariado, que vive reclamando da economia e do dólar, dizendo que está baixo, mas que está produzindo na China, para dizer que lá é mais competitivo e há trabalho escravo, o que não é, porque eu vi pessoalmente.
Nós temos que ter claro que a maturidade tem que nos fazer aprender com as diferenças e, principalmente, construir uma caminhada diferenciada. Eu tenho dito que quando tenho que ser crítico ao meu governo eu sou e quero aqui tecer a minha crítica ao senador Sibá Machado, que ontem no Congresso Nacional saiu da Comissão de Ética para não dar encaminhamento às resoluções em relação ao senador Renan Calheiros. Nós temos que cortar da própria carne quando temos que assumir posições e você, Sibá, não poderia ter feito isso, tinha que ter assumido a sua posição na Comissão de Ética, porque essa é a história do nosso partido, essa é a história da lisura e da moralidade, essa é a história de quem não é complacente com essas distorções neste país que nós sempre condenamos.
Quero também aproveitar para convidar o povo do Alto Vale para participar amanhã, às 9h, de uma audiência pública sobre biocombustível, deputado Pedro Uczai, encaminhada por v.exa., ocasião em que estaremos debatendo questões importantes do cenário catarinense e brasileiro. E à tarde estaremos em assembléia do Orçamento Regionalizado, discutindo a pauta do Orçamento do estado para o ano que vem. Esperamos que este Orçamento não seja apenas uma peça fictícia e um teatro da Casa, porque no ano passado, do Orçamento Regionalizado foram cumpridos apenas 16% do previsto. E nós, como parlamentares, deputado Antônio Aguiar, temos a tranqüilidade de defendermos as prioridades de cada região, assim como as lideranças políticas do Alto Vale estarão fazendo isso para a sua região.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)