96ª Sessão Ordinária - 04/11/2010
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, deputado Jailson Lima, sras. deputadas e srs. deputados, com a aquiescência do deputado Gilmar Knaesel, vou falar em nome do PSDB.
Queremos saudar todos os partidos e os líderes partidários, que já colocaram as suas posições.
Certamente essa grande esperança de um país melhor começou há muito tempo, especialmente com a Constituição de 1988. Mas ela começou de fato a ser implementada no governo de Itamar Franco, quando o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, encaminhou para o Congresso, através de uma medida provisória, o Plano Real. E esse Plano Real, da mesma maneira, ainda continua sendo o projeto de estabilização da moeda, que, sem dúvida nenhuma, foi o maior projeto social que o Brasil já executou em todo o tempo da sua história, nos seus 500 anos.
Na sequência, com Fernando Henrique Cardoso tendo sido eleito presidente do Brasil em 1994 - e governou de 1995 a 2002 -, aquelas mudanças constitucionais que foram executadas provocaram essa grande transformação do Brasil das quais todos nós nos orgulhamos. E essas leis foram tão importantes que, apesar de na época, por uma questão partidária, o PT não ter aprovado nenhuma - e eu estava lá...
Quando Lula assumiu, deu um "peitaço" do PT e não tirou nenhuma vírgula de nenhuma daquelas leis que foram adequadas no governo de Fernando Henrique Cardoso. E para garantir que a estabilidade da moeda fosse mantida, colocou o deputado federal mais votado do PSDB do estado de Goiás, Henrique Meirelles, que ainda continua lá em Brasília. E, aliás, o presidente Lula até já pediu para a Dilma Rousseff que vá mexendo em tudo, que faça um governo como quiser, mas mantenha Guido Mantega e Henrique Meirelles, porque foram eles que mantiveram aquela política.
Então, eu quero dizer aos catarinenses que nos acompanham que o sonho de um Brasil melhor não é apenas de um partido. Ele existe há muito tempo, mas começou de fato a se concretizar quando alguém teve a coragem, através do Plano Real, de promover a estabilidade da moeda. E depois ainda houve um conjunto de mudanças que causou essa grande transformação de um Brasil melhor.
Tiramos o chapéu para o presidente Lula, porque ele teve a coragem, desrespeitando o próprio PT, de não apagar nenhuma lei daquelas. Ele continuou com elas, melhorou, evidentemente, a aplicação de todas as mudanças legais que foram feitas, e deixou, deputado Gilmar Knaesel, dois grandes projetos de lei que Fernando Henrique Cardoso, quando presidente, não conseguiu colocar em prática, pela grande mobilização contrária que estava sendo feita não só na Esplanada dos Ministérios, mas por todo o Brasil: a lei da mudança política e a mudança tributária. Inclusive, esse é um projeto que já está pronto. Dilma Rousseff não vai precisar nem fazer o projeto, basta levá-lo para ser votado.
Agora, deputado Gilmar Knaesel, foram eleitos 51 senadores da base do governo e mais de 520 deputados também da base do governo. Se nos primeiros 15 dias, antes de começar a brigar, levar lá para o Congresso Nacional a reforma que o Fernando Henrique já fez, que é a mesma que o Lula absorveu durante o mandato inteiro, basta colocá-la em votação que estarão resolvidas a reforma política e a reforma tributária. E tenham a certeza de que vai ser mais uma grande alavanca para o desenvolvimento deste país, do qual nos orgulhamos.
O Sr. Deputado Gilmar Knaesel - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Pois não!
O Sr. Deputado Gilmar Kaesel - Deputado Serafim Venzon, meu líder, gostaria de cumprimentá-lo, porque v.exa. coloca algumas questões que devem ser relembradas, inclusive todo o histórico do avanço econômico do país. É claro que nas últimas horas, nos últimos dois dias, há muita euforia por parte dos deputados do PT que estão comemorando a vitória. Precisamos reconhecer a competência, principalmente pelo marketing realizado, que foi o grande diferencial dessa campanha. Respeitamos isso, mas há alguns exageros.
O deputado Pedro Uczai, meu particular amigo, grande parlamentar, ontem, falava que o Brasil acabou de uma vez por todas com a política neoliberal. Eu queria saber como se chama essa política econômica do governo federal? Deputado Antônio Carlos Vieira, v.exa., que é um grande economista, sabe que hoje estamos com os juros mais altos do mundo, 5,3% ao mês. E para favorecer a quem? Aos banqueiros, enfim a toda essa estrutura.
Eu não sei qual seria o nome certo para essa política. Mas todos sabem o que houve na verdade. Eu gostaria até que o PT pudesse fazer uma avaliação melhor sobre a eleição no que diz respeito ao sul do Brasil. Por que o PT perdeu no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo? Será que a bolsa voto aqui não teve tanta influência como norte e nordeste?
Enfim, precisamos reconhecer os erros do PSDB, da estratégia de campanha, especialmente no que diz respeito ao marketing. Nós escondemos essas ações que v.exa. está lembrando aqui, mais uma vez. Não soubemos capitanear isso, temos que fazer mea-culpa, mas vamos devagar com o exagero aí.
V.Exa. coloca muito bem que o PT mais uma vez tem a grande oportunidade de fazer as reformas estruturais que não fez em oito anos, entre elas a reforma tributária, tão necessária para este país, a reforma política, por tanto tempo esperada, a reforma previdenciária e tantas outras que estão na pauta das necessidades e que não avançam, porque não há interesse político.
Então, vamos avaliar isso, fazer a nossa parte. E parabenizo mais uma vez a liderança do PSDB, por colocar essas questões mais uma vez neste momento tão importante de avaliação pós-eleição.
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Muito obrigado, pela sua contribuição.
Banqueiro nunca ganhou tanto dinheiro quanto no governo que se encerra agora, nos últimos oito anos. Eu tenho a grande esperança de que uma dessas reformas, dessas grandes mudanças que o Brasil está passando - tendo agora um coração de mãe, de avó, voltado principalmente, espero, para as classes mais reprimidas socialmente - seja a reforma tributária, porque sem dúvida nenhuma vai fazer a grande equalização social. A maior prova de que a Dilma não gosta de diferenças sociais seria mudar essa realidade.
Ainda hoje, e falo para os jovens que estão nos ouvindo aqui, a política privilegia aqueles que ganham mais. Os estados e os municípios mais ricos são aqueles que ganham mais retorno do governo federal e do estadual. E tudo isso pode, sim, ser corrigido através da reforma tributária. Enquanto não for feita a reforma tributária é tudo mera falácia. E agora é a vez da presidente Dilma, que representa o Brasil inteiro, tanto o sul quanto o nordeste e o norte, dar um "peitaço" no poder econômico, mandando a reforma tributária nos primeiros dias para o Congresso. Eu tenho certeza, com um número de deputados e senadores...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)