73ª Sessão Ordinária - 04/09/2008
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, telespectadores que nos acompanham pela TVAL e ouvintes da Rádio Digital Alesc, está acontecendo em Florianópolis um grande evento de oftalmologia. É o XVIII Congresso Brasileiro de Prevenção à Cegueira.
Na terça-feira esta Casa prestou uma homenagem a ilustres figuras da oftalmologia brasileira que estão em Florianópolis, num total de mais ou menos cinco mil congressistas. Então, eu queria analisar aqui pelo menos três aspectos importantes. Em primeiro lugar, quero referir-me ao trabalho da prevenção da cegueira.
Srs. deputados, 85% da nossa comunicação com o meio externo ocorre através dos olhos. Também se sabe que 15% das pessoas sofrem de alguma deficiência. Desses deficientes, podemos afirmar que 49% têm deficiência visual. Isso é para termos uma idéia do número de deficientes visuais. Há estimativa de que no Brasil exista um milhão de cegos e quatro milhões de deficientes visuais. Eu, por exemplo, sou deficiente visual porque preciso usar óculos para enxergar melhor, considerando que 85% da nossa relação com o meio externo dá-se graças à visão.
Ainda podemos imaginar qual é o efeito maléfico para as crianças que vão à escola e que não enxergam direito: elas começam a ficar atrasadas na escola, na primeira série, na segunda série e com o tempo começam a desanimar, achando que não podem aprender, ficando marginalizadas do processo. Alguns anos depois se descobre que tudo aquilo poderia ser corrigido somente com os óculos, algo extremamente barato, se o poder público abraçasse essa idéia.
Por outro lado, vocês podem imaginar um idoso em que o próprio tempo vai tirando-o do meio social pelo fato de estar aposentado, pelo fato de já não ter aquela relação do trabalho, pelo fato de não ter que sair de casa todos os dias para trabalhar, desligando-se das pessoas que encontra no dia-a-dia. E se ele ainda não puder enxergar, se ele tiver, por exemplo, catarata e não puder enxergar direito, ele começa a se afastar dos jornais, das revistas, enfim, vai-se desligando do meio e acaba sendo excluído progressivamente.
Por isso vocês podem imaginar, também, o efeito maléfico disso nas crianças, no adulto, sem citar naturalmente todos nós, cidadãos.
Vejo aqui o deputado Marcos Vieira, que tem um projeto tramitando nesta Casa, que precisa ser aprovado, obrigando os alunos das escolas estaduais, pelo menos os da primeira série, a serem submetidos ao exame de acuidade visual, para que aqueles que precisarem usar óculos sejam assim contemplados, a fim de que possam acompanhar bem os estudos na escola.
Agora nós estamos em campanha com os prefeitos e vereadores. O Brasil tem 5.600 prefeitos e haverá pelo menos 5.600 secretários de Saúde municipal. Sendo assim, nós teremos também alguns milhões de crianças que iniciarão o primeiro ano na escola. Então, essa seria uma grande oportunidade para adequar a acuidade visual dessas crianças, a fim de poderem acompanhar bem os estudos na escola.
Esse congresso que está acontecendo aqui tem um efeito muito grande, pois o primeiro trabalho é mobilizar não só os médicos oftalmologistas do Brasil, que são em número de aproximadamente 15 mil, como também os de Santa Catarina, cujo número está crescendo muito, até porque nós temos residência no Hospital Regional de São José e no Hospital Governador Celso Ramos. Há 15, 20 anos esse número era de 180, 200 oftalmologistas, no máximo. Hoje temos mais de 450 oftalmologistas espalhados pelo estado de Santa Catarina, naturalmente mais concentrados em Florianópolis e nas grandes metrópoles, como Blumenau, Joinville, Lages, Criciúma e Chapecó.
Assim sendo, o que deveríamos fazer? Seria importante que os candidatos a prefeito colocassem como prioridade em seus programas de governo a saúde e a educação. E nesse congresso isso talvez possa acontecer, para que no início do ano letivo o aluno seja matriculado na escola municipal, na escola estadual e seja feita a adequação da sua acuidade visual, que é imprescindível para que possa aprender adequadamente na escola.
Então, esperamos que esse congresso tenha esse efeito prático, pois se a idéia for abraçada pelos prefeitos e pelos secretários da Saúde, tenho certeza de que os números da exclusão certamente serão reduzidos.
O Sr. Deputado Carlos Hoegen - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Pois não!
O Sr. Deputado Carlos Hoegen - Muito pertinente esse tema, deputado Serafim Venzon. Tive oportunidade de administrar a minha cidade e aplicamos um programa muito parecido com esse que v.exa. defende e que, sem dúvida alguma, contribuiu para o aprendizado e a inclusão social que v.exa. destaca.
Por outro lado, também, no campo da medicina e da saúde estamos vivendo o mês de setembro em que se comemora, entre 27 de setembro e 1º de outubro, a Semana do Idoso. Entre os dois extremos há uma preocupação muito grande na área da saúde, e quem sabe v.exa., como deputado desta Casa, também lute para que tenhamos mais profissionais na geriatria, na gerontologia para cuidar dos nossos idosos.
A Saúde tem dois espaços muito carentes, a questão da criança, que é preciso prepará-la e conduzi-la para um futuro sadio e feliz, e a do idoso, que contribuiu, contribui, e precisa ser amparado e cuidado neste momento.
Parabéns pelo seu discurso!
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Muito obrigado pelo seu aparte!
Quero mais uma vez cumprimentar a organização do congresso que acontece em Santa Catarina, que trouxe mais de cinco mil médicos oftalmologistas. Tenho certeza de que isso vai ter, e espero que tenha, o efeito prático para podermos ajudar a melhorar a relação com o meio exterior através da visão das crianças, para aprenderem melhor nas escolas e para que os idosos continuem integrados à sociedade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)