84ª Sessão Ordinária - 24/09/2009
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, gostaria que todos nos ajudassem a formar uma corrente no sentido de sensibilizar os técnicos, as autoridades e até mesmo setores ligados à ciência, com relação à implantação do transporte marítimo em Florianópolis.
Durante a nossa administração na prefeitura de Florianópolis criamos duas cooperativas de transporte marítimo, que até hoje funcionam na Lagoa da Conceição. E o companheiro Edison Andrino, que também administrou a capital de todos os catarinenses, sabe da importância do transporte marítimo para quem vive numa ilha.
Por que eu estou falando isso? Porque há apenas um dia comemoramos o Dia da Mobilidade. Ora, a mobilidade vem sendo estudada e, inclusive, técnicos de outros estados estiveram aqui para mostrar como poderíamos melhorar o transporte público. Mas o tempo vai passando e não conseguimos explicar o fato de ainda não termos em nossas baías o transporte marítimo, apesar de tudo favorecer a sua implantação.
E temos exemplos práticos, pois dentre as alternativas futuras de mobilidade, o transporte marítimo é uma das melhores, das mais coerentes e corretas. E vou mais longe, se formos pensar no turismo, Florianópolis é o melhor destino turístico do país, Santa Catarina é o melhor destino turístico do país. Mas se um turista, ao chegar à nossa capital, quiser dar uma volta à ilha, que é tão bela e onde podem ser realizados excelentes programas, talvez os melhores do mundo, não vai encontrar nada organizado, pois não possuímos transporte marítimo. Aliás, nem para turismo, nem para transporte de massa.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Pois não!
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Sr. deputado, esse é um assunto para ser bastante debatido, mas é necessário que todos os partidos políticos e todos os movimentos sociais se organizem e pensem alternativas de transporte para a Grande Florianópolis. E o transporte marítimo é, possivelmente, a solução mais barata e menos poluente. Além disso, é bom tanto para a população, como para os turistas, que poderiam contar com linhas de passeios.
Pessoas nascem e morrem aqui sem nunca terem conhecido a nossa costa. Isso é um absurdo do ponto de vista social, do ponto de vista ambiental e, inclusive, do ponto de vista econômico porque se perdem grandes oportunidades.
Eu agradeço o aparte, deputado, e voltaremos a debater essa questão do transporte na capital.
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Srs. deputados, 23 escunas começaram a realizar o transporte marítimo após a construção do trapiche de Canasvieiras, e hoje já existe um roteiro seguro para visitar a baía dos golfinhos e a ilha de Anhatomirim, o que mostra que apenas organizando um pouco, as coisas podem acontecer.
Durante 89 dias também tivemos a experiência de transporte marítimo entre o trapiche da avenida Beira-Mar e Canasvieiras. Depois, contudo, o Deter proibiu. Chegou também a ser lançada a licitação para a rota marítima com saída da Passarela Nego Quirido, mas não foi adiante.
Quem teve a oportunidade de visitar a Exponáutica em Biguaçu sabe que o rio Biguaçu pode servir de ligação, através do transporte marítimo, entre os municípios da Grande Florianópolis, o que desafogaria sobremaneira a BR-101. Ou seja, podemos ter uma mobilidade maior entre os grandes municípios que ficam em torno da capital.
Eu tive a oportunidade de conhecer o transporte marítimo que faz a ligação entre Buenos Aires e Montevidéu, o buquebus, que enfrenta ondas com mais de quatro metros e que leva, inclusive, carros. Dentro do buquebus há free shop para os passageiros e ele desenvolve uma velocidade de até 105km/hora, pois o percurso de 210km entre as duas capitais é feito em duas horas.
E mais, recentemente em Istambul vimos navios maiores ainda do que aqueles catamarãs do tipo australiano que ligam Buenos Aires a Montevidéu. Em Istambul vimos carretas e mais carretas, caminhões, entrando direto nos navios e atravessando o estreito de Bósforo e toda aquela região do Chifre de Ouro sem problema nenhum, apesar das ondas enormes.
Nós aqui, durante três ou quatro dias por ano, no máximo, quando o vento sul entra muito forte, temos ondas de dois metros de altura. Portanto, sempre de forma tranquila as nossas baías têm condições de absorver esse meio de transporte. Inclusive, há embarcações disponíveis no mundo com tecnologia bem avançada. É necessário apenas colocar na internet, fazer a licitação, que aparecerão embarcações apropriadas para realizar de forma experimental ou de forma definitiva o transporte marítimo em nossas baías. E já existe demanda para isso.
Obviamente que falta um pouco de vontade. Por quê? Porque o poder público, seja estadual ou federal, nada vai gastar para viabilizar esse transporte. O transporte é uma concessão pública que se faz através de licitação, que se oferece como alternativa. Eu até estranho como os empresários de Florianópolis não se inscrevem, não procuram esse tipo de transporte, que poderia ser uma alternativa sem gasto nenhum para o setor público.
Deputado Edison Andrino, v.exa. que foi prefeito conhece a concessão pública do transporte coletivo de Florianópolis. E pasmem os senhores, a prefeitura ainda paga as empresas de ônibus mensalmente, a prefeitura dá um subsídio a elas. Ou seja, é como se uma pessoa que tem um quiosque na praça XV, um lugar público, uma concessão pública, ainda ganhasse um dinheiro para explorar o tal quiosque. Pois bem, as empresas de ônibus têm uma concessão pública e ainda ganham dinheiro do município para fazer o transporte. É inédito, é o único caso que eu conheço no país.
Discute-se mobilidade, discute-se ciclovia, discute-se outras alternativas. E temos essa possibilidade do transporte marítimo, que outras cidades não têm, como Curitiba, sem gastos públicos, simplesmente a prefeitura organizando em parceria com o governo estadual e com os municípios da Grande Florianópolis. Então, vamos continuar lutando por esse transporte marítimo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)