Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sandro Silva

100ª Sessão Ordinária - 31/10/2013

O SR. DEPUTADO SANDRO SILVA - Sr. presidente, srs. deputados, pessoas que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, gostaria de agradecer o convite que recebi dos jovens empresários da Acij para participar da segunda edição do Café com Autoridade. A reunião foi em Joinville, onde pude falar um pouco do meu trabalho, da minha história e também responder algumas perguntas feitas pelos presentes.

Foi uma ótima reunião e quero dizer que sempre estarei à disposição.

Eu tenho dois assuntos a tratar que estão relacionados.

O primeiro diz respeito a uma notícia publicada pelo jornal ANotícia, há duas semanas, dando conta de que a seção de Joinville da ABRH divulgou o perfil desejado para trabalhar na cidade, seja na indústrias, no comércio, em serviços e assim por diante. E o perfil ideal é o seguinte: homem, branco, entre 20 e 39 anos.

Ora, sr. presidente e srs. deputados, isso é machismo! Por que a preferência por homens? Isso também é racismo! Por que somente brancos? Além de tudo, é preconceito também porque discriminaram os mais jovens e os mais velhos!

No entanto, colegas, quando se faz uma entrevista, o selecionador não diz que o candidato não serve porque é mulher ou porque é negro ou ainda porque tem mais de 40 anos ou menos de 29. Ele não fala, mas ia coisa está posta de forma velada. Eu imagino que exista um acordo entre a empresa e a selecionadora para não citar esses impedimentos.

Essa foi uma notícia que nos deixou triste, porque mostra que de fato existe preconceito, existe machismo e existe racismo na cidade de Joinville quando se trata de contratar um trabalhador.

Há alguns dias, ao usar o Facebook, via que uma empresa de divulgação precisava de meninas de pele branca para fazer a divulgação de determinado produto. Eu não sei por que meninas negras não podem fazer o mesmo trabalho que as brancas!

Desejo referir-me agora à liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina ao pedido feito por 12 entidades de Joinville no intuito de suspender o feriado de 20 de novembro em Joinville. Primeiramente alegaram que o feriado é inconstitucional, porque já há muitos feriados municipais o que causa, segundo eles, um prejuízo de R$ 10 milhões à cidade.

No entanto, sr. presidente e srs. deputados, o projeto de lei que criou o feriado do Dia da Consciência Negra foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de Joinville. Em seguida, foi sancionada pelo prefeito Udo Döller. No entanto, nem o Executivo municipal nem o Legislativo joinvilense fizeram qualquer cerimônia para comemorar a aprovação da matéria. Não chamaram nem o movimento negro de Joinville. Por quê? Acho que existia, de certa forma, uma jogada ensaiada entre a Câmara de Vereadores, a prefeitura municipal e as entidades empresariais, no sentido de que assim que a lei fosse sancionada, haveria uma ação judicial pedindo liminarmente a suspensão do feriado. E foi o que aconteceu.

Considero, catarinenses, muito importante a existência do feriado, porque ele marca e relembra para a população como um todo o sofrimento de uma raça, de um povo. Vejam o exemplo de Israel, em relação ao holocausto; da África do Sul, com referência ao apartheid; do Japão, em relação às bombas de Hiroshima e Nagasaki! Vejam também o caso de Martin Luther King, nos Estados Unidos. Para todos esses fatos tenebrosos vividos pelos povos há um feriado para lembrá-los, a fim de que nunca mais aconteçam.

E o Dia da Consciência Negra, que deveria ser feriado nacional, também serviria para a reflexão de todos sobre o sofrimento imposto à raça negra, escravizada no Brasil durante vários séculos.

Então, é preciso realmente que o Brasil reconheça seus problemas sociais graves. Coloquei no Facebook que eu até troco o feriado, se essas mesmas entidades que pediram a sua suspensão passarem a não olhar a cor da pele, o gênero, o sexo, a idade e o credo das pessoas. Eu trocaria, sim, o feriado por essa consciência social e por essa promessa de não mais discriminar ninguém. Eu trocaria o feriado também se eles passassem a ir aos bairros oferecer cursos de capacitação para as crianças pobres e negras. Porque não conseguiria encher os dedos de uma mão se contasse quantas dessas entidades admitem em seus quadros de funcionários trabalhadores e trabalhadoras negras.

Então, antes de pedirem o cancelamento do feriado, seria bom se investissem parte desses R$ 10 milhões que vão ganhar no dia 20 de novembro em campanhas de conscientização, para que realmente não haja preconceito na hora da admissão de empregados nas empresas da cidade de Joinville.

Registro isso com tristeza, porque o município de Joinville não avança e perde a oportunidade de discutir as diferenças sociais que lá existem.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)