69ª Sessão Ordinária - 09/08/2011
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas e pessoas que nos acompanham neste plenário, estava inscrito para falar, no horário do PT, o deputado Volnei Morastoni, mas como ele não pôde chegar a tempo, vou substituí-lo neste momento.
É com muita alegria que trago algumas informações noticiadas pela imprensa sobre o que vem ocorrendo, em nível nacional, nos últimos dias, a respeito do momento que o Brasil vive. Um momento muito importante de continuidade da política que o ex-presidente Lula implantou neste país, mas que somos obrigados a conviver com os grandes impactos da crise internacional, com as bolsas despencando, com países em recessão. Hoje, inclusive, pela manhã ouvimos o ministro Guido Mantega falando sobre a estratégia do governo brasileiro para enfrentar esse momento de crise.
O ministro avalia que os impactos da crise internacional são inevitáveis em nosso país, mas, como disse o então presidente Lula na crise internacional de 2008, não impactará tanto o Brasil como impactará outros países. Por quê? Porque o nosso país adotou algumas políticas importantes que foram determinantes naquele momento de crise.
Isso se deu a partir de uma estratégia que o então presidente Lula adotou no país no sentido de fortalecer o estado brasileiro. Primeiramente, fortaleceu as empresas públicas, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Petrobras, depois continuou investindo, principalmente a Petrobras, em infraestrutura, e não reteve o investimento para continuar gerando emprego e renda. E nada melhor como exemplo do que a construção civil, seja através da habitação popular ou mesmo da classe média.
Isso deu uma condição diferenciada ao Brasil para continuar crescendo, continuar desenvolvendo-se, sofrendo menos impacto com a crise internacional.
A segunda grande estratégia foi a de investir em política social, em política de transferência de renda, dando oportunidade ao povo pobre de consumir a produção das nossas indústrias e da nossa agricultura.
Já a terceira grande estratégia foi valorizar o salário, dando condições ao povo brasileiro, aos trabalhadores brasileiros, aos assalariados, de continuar comprando. Muito ao contrário do que se pregava antes em tempos de crise, quando o estado brasileiro refreava o investimento, baixava o salário do trabalhador, fazendo com que a economia desse marcha à ré, como se diz na gíria.
É nesta perspectiva que o Brasil vem avançando, no sentido de continuar melhorando a renda dos trabalhadores brasileiros. E a presidente Dilma Rousseff vai incrementando a política de combate à fome, dando condições ao povo de se alimentar, consumir, mexendo, assim, na nossa agricultura. E estão aqui os prefeitos de Palmitos e de Tigrinhos, que são municípios formados por pequenas propriedades, cujos prefeitos não me deixam mentir.
Então, essa estratégia que o governo brasileiro adotou não foi por acaso. Fala-se por aí que o Plano Real é que gerou isso. Não é verdade! O que gerou isso tudo foi uma estratégia de desenvolvimento do governo do presidente Lula de não reter o investimento, não diminuir as políticas sociais. Pelo contrário! A tese que o ex-presidente Lula adotou e que a presidente Dilma Rousseff está adotando é justamente a de continuar investindo, porque o dinheiro vai gerando - o nosso país é capitalista, deputado Silvio Dreveck - novos recursos, empregos e desenvolvimento.
Então, essa estratégia tem dado condições para o Brasil competir, como também para manter sua economia crescendo e para desenvolver-se, gerando emprego e não desemprego, como em outros países. Os Estados Unidos estão com uma taxa de desemprego em torno de 20%, sendo que o Brasil tem um dos menores índices de desemprego de sua história, ou seja, 6%.
O Brasil está vivendo um momento de otimismo bastante importante, com a política acertada da presidenta Dilma Rousseff de continuar nessa estratégia de não deixar que a crise internacional derrube o nosso país. É claro, como dizia hoje o ministro da Fazenda, que é difícil o país escapar por causa da economia globalizada e não sofrer com os impactos. Mas já na semana passada o governo anunciou um conjunto de medidas destinadas a socorrer alguns setores da economia, principalmente aqueles que estão sofrendo os impactos da crise internacional e da desvalorização do dólar.
Foi realizado também, na última sexta-feira, o encontro do diretório nacional do PT, no Rio de Janeiro, ocasião em que se debateu o momento que o país vive. Um dos grandes temas elencados pelo nosso partido como prioritário nesse próximo período é o fortalecimento da economia, adotando estratégias internas para combater a crise internacional. E uma dessas estratégias é a reforma política, grande bandeira do PT para moralizar a política brasileira, mudar o seu rumo e fortalecer ainda mais os partidos políticos. Enfim, devemos fortalecer de fato a democracia em nosso país e essa é uma das estratégias que o partido adota com muita firmeza.
O Partido dos Trabalhadores tem uma grande liderança, um grande relator da reforma política do país, que é o deputado federal Henrique Fontana, do Rio Grande do Sul, que vem construindo, através da composição do seu relatório, um grande projeto acordado com os diversos partidos do país.
A sociedade clama por uma mudança na lógica política do Brasil; a sociedade quer, com certeza, um país mais democrático, um país que combata a corrupção geral e mais especificamente a corrupção eleitoral.
Infelizmente, nos últimos dias, temos visto grandes problemas em vários ministérios. Tivemos informações de que no ministério da Agricultura e em outros ministérios grandes empreiteiras financiadores de campanhas políticas no país acabaram influenciando muito as lideranças políticas. Por isso o partido está fazendo um trabalho para acabar com o financiamento privado das campanhas eleitorais, a fim de que elas sejam feitas com financiamento público, sendo que se houver financiamento privado, ele seja feito através dos partidos políticos e não diretamente aos candidatos.
Assim sendo, esperamos que o Congresso Nacional olhe de fato para o povo brasileiro, para os partidos políticos e consiga fazer uma reforma política digna do momento que vive a nossa economia, pois o Brasil tem capacidade para se desenvolver muito mais nos próximos anos.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)