Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

11ª Sessão Ordinária - 01/03/2011

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, em Camaquã, no Rio Grande do Sul, todos os anos, já é de praxe, o presidente da República e o ministro fazem a abertura da colheita de arroz. Saíram de Santa Catarina 40 ônibus de agricultores ligados à produção de arroz irrigado, ou seja, a área produtiva foi àquele encontro para levar o seu sentimento, que é o pior possível, quanto à comercialização da safra com algum lucro. Havia alguma possibilidade de lucro, mas entrou uma quantidade muito grande de arroz do Uruguai, produto que não tem a mesma qualidade do arroz brasileiro. Com isso, o preço da saca, que estava entre R$ 26,00 e R$ 30,00, caiu para R$ 20,00.

Hoje, os nossos arrozeiros se encontram num desespero total, numa desesperança sem limites, porque não poderão pagar o banco, comprometendo, assim, a propriedade da sua terra. Os nossos arrozeiros dizem assim: "Não paguem o banco! Vamos ter que negociar". Mas como vai ficar o avalista? Aquele que teve coragem de avalizar o empréstimo para financiar o plantio? Como ficará?!

Então, esse é um momento delicadíssimo, é um momento para refletir.

Nesse encontro no Rio Grande do Sul havia mais de 20 mil pessoas, mas a presidente da República não apareceu. Essa é a primeira fez que um presidente não vai àquele encontro! Mas o pior é que o ministro também não foi, num desrespeito total com a área produtiva! Isso não é bom! Isso é muito ruim, pois o filho do homem do campo que está fazendo faculdade vê seu pai passar por esse tipo de dificuldade e resolve, com certeza, não mais voltar para a agricultura.

Em Camaquã inúmeras pessoas deram sugestões aos arrozeiros, no sentido de que plantassem somente o necessário para sua alimentação e deixassem o governo correr atrás do prejuízo, ou seja, importar arroz na próxima safra.

É preciso, sim, muita luta, muito trabalho, é preciso muita coerência. Não podemos dizer uma coisa e depois fazer outra. O Mercosul é importante, mas me lembro que numa fase ruim a Argentina segurou a importação para manter o equilíbrio na sua balança comercial. O Brasil precisa tomar algumas medidas, não pode deixar uma área produtiva morrer, desaparecer. Não pode!

Eminente deputado Sargento Amauri Soares, os rizicultores vão levar 200 máquinas para colocar em cima da BR-101/sul. Se não conseguirem um preço mínimo para negociar, um juro mínimo para negociar com o banco, irão colocá-las sobre a pista de rolamento da BR-101 para que o trânsito pare.

E aí quem terá coragem de chegar lá? Incendiarão as máquinas? Não é preciso acontecer isso! O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, recebeu uma documentação e vai levá-la em mãos ao governo federal, que tem 30 dias para responder. Se não houver essa resposta, é evidente que medidas serão tomadas.

Quero implantar nesta Casa uma frente parlamentar em defesa da agricultura, em defesa desses homens que trabalham e lutam pela riqueza deste país e que merecem respeito das autoridades e a nossa solidariedade.

Sr. presidente, o restante do tempo será ocupado pelo deputado Aldo Schneider.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)