91ª Sessão Ordinária - 15/10/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados e sras. deputadas, quem nos acompanha pela TVAL, Rádio Alesc Digital ou pessoalmente nesta Casa, nesta tarde de quarta-feira.
Eu queria voltar, sim, ao tema das eleições e agradecer novamente todos os apoios que tivemos nesse processo eleitoral. Aqui mesmo, de diversos trabalhadores deste Poder. Trabalhadores de todo o estado de Santa Catarina, preciso dizer que a gente, apesar do úmero insuficiente de votos para obtermos um resultado vitorioso, tivemos a oportunidade de dialogar com outros setores da sociedade.
Nós que, até aqui, vínhamos falando mais apenas com os servidores públicos, especialmente da área da Segurança Pública, o que também nos gratifica e possibilita um trabalho futuro sem qualquer pretensão de caráter partidário ou eleitoral, mas de articulação das bases da sociedade para, permitam-me dizer desta forma, uma retomada da boa forma de fazer política, que tanto se faz necessário na sociedade brasileira de hoje.
Agradeço cada apoio, cada manifestação, ao Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL, pela possibilidade de ter concorrido ao Senado da República e por isso ter um espaço maior do que qualquer espaço que já tive no passado de fazer um debate com mais setores da sociedade de forma mais ampla, apesar dos 30 segundos que tivemos de Programa Eleitoral Gratuito.
Mas 30 segundos, ao longo de 45 dias, dia sim, dia não, portanto, 19 programas repetidos duas vezes por dia, foram mais tempo do que todo o tempo que eu tive de oportunidade de me manifestar através dos grandes veículos de comunicação de massa. Ou seja, os dois mandatos de deputado estadual aqui nesta Casa não deram tanta visibilidade quanto aqueles 19 programas em rede estadual de TV e de rádio, deputado Ismael dos Santos.
E tivemos, portanto, a oportunidade de fazer um grande trabalho, de dialogar com os setores com os quais já dialogávamos e com outros setores da sociedade também. Também gostaria de fazer o registro de que, além da grande quantidade dos servidores desta Casa, que votaram neste deputado, creio até que se tivesse uma urna aqui no hall da Assembleia Legislativa e outra lá no centro de Imbuia, eu teria sido eleito senador. Vários profissionais dos meios de comunicação, jornalistas, os mais diversos, com os quais pudemos conversar, também compreenderam, evidentemente que dentro da sua ética profissional jamais poderiam e nem podem manifestar, mas compreenderam a nossa candidatura como a candidatura mais adequada para representar a sociedade catarinense no Senado da República.
Gostaria de fazer o registro de agradecimento, como já fiz, mas de forma muito rápida, aos amigos de infância e amigos de juventude da cidade de Imbuia, porque lá nas oito urnas do centro de Imbuia eu fui o mais votado. Aliás, ficando em segundo no geral, porque no interior do município o PMDB é forte.
Mas agradeço aos amigos de infância, de juventude, de todos os partidos, diga-se de passagem, que decidiram, parece que quase num congresso local, fazer do sargento Soares o senador mais votado naquele local, na cidade de Imbuia.
Agradeço dizendo que entendo como uma forma fraterna de reconhecer as vezes que a gente fez informar a sociedade catarinense da existência das qualidades da nossa cidade aqui desta tribuna.
Mas queria voltar ao meu pronunciamento de ontem, quando manifestei o meu voto à reeleição da presidente Dilma. Fiz isso de forma individual, de forma pessoal, como militante, evidentemente. Nem era essa a minha intenção, na tarde de ontem, até tinha outro script, mas em virtude do debate aqui, acabei entrando daquela forma.
Eu quero hoje registrar que esta não é uma posição individual apenas, essa é uma posição que expressa uma deliberação coletiva do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes, do qual faço parte. Sou integrante, militante desta organização de caráter partidário, embora não partido, desde a década de 90, e tivemos a posição coletiva de, no segundo turno, votar em Dilma Rousseff com o objetivo de derrotar Aécio Neves.
Eu citei aqui e reitero três motivos importantes pelos quais vale votar em Dilma Rousseff: neste momento seria a ampliação da rede de Institutos Federais de Ensino Superior, Ifes, que dobraram em quantidade em relação às escolas, ao número de vagas nesses últimos períodos de governo, e que estavam congelados no governo de Fernando Henrique, por lei. O governo federal estava proibido de investir na criação, na construção de escolas técnicas profissionais com caráter público, que achávamos que deveria ter.
Isso é real, é fato, e podemos trazer aqui o número da lei que no governo de Fernando Henrique proibia o governo federal de criar novas escolas técnicas e que hoje chama de Instituto Federal de Ensino Superior.
Outra razão pela qual voto Dilma é a criação da Universidade Federal da Fronteira Sul, sediada em Chapecó, universidade pública e gratuita. A criação de uma universidade pública e gratuita é sempre motivo de aplauso em qualquer lugar do mundo e, evidentemente, aqui no nosso país também.
E o terceiro motivo é a criação do programa Mais Médicos que, entendo, e acho que todos entendem, como paliativo, como uma situação de urgência que um dia precisará ser superada pela capacidade do próprio povo brasileiro, do estado brasileiro e do poder público brasileiro de garantir o número suficiente de médicos para atender bem o conjunto da população, especialmente no atendimento básico em saúde, pelo SUS, Sistema Único de Saúde.
Há uma quantidade insuficiente de médicos, porque eles preferem as cidades grandes, especialmente no litoral, e dedicar a maior parte do seu tempo a clínicas particulares para atender 1/3 da população que tem condições de pagar, quando, na verdade, 75% do povo catarinense e brasileiro não têm plano de saúde.
Então, o Mais Médicos aponta nessa direção e é um recado, inclusive, para as corporações médicas e para as elites brasileiras de que é preciso mudar a política de organização da saúde no Brasil. É um paliativo! Precisa-se avançar muito também nessa direção aqui no Brasil. Evidente que temos um conjunto de críticas e temos feito essas críticas desde 2003 aos governos federais dirigidos pelo Partido dos Trabalhadores. Nós, o Polo Comunista Luís Carlos Prestes, já no primeiro semestre de 2003, definimos que esse era um governo do qual não participaríamos e não apoiaríamos em virtude de alguns posicionamentos e de alguns direcionamentos, e até dizíamos, na época, que não era avaliando o governo federal, já no primeiro semestre do governo do Lula, no primeiro mandato do Lula, e que não era uma questão de ritmo o problema, mas, sim, uma questão de rumo, um rumo que não era o mesmo que entendemos e entendíamos ser necessário para as imensas massas do povo brasileiro.
Agora, evidentemente, existem diferenças, que não são desprezíveis, entre os governos dirigidos pelo Partido dos Trabalhadores, o governo da Dilma Rousseff, hoje em dia, com os governos de Fernando Henrique Cardoso, na década de 90. Alguns elementos, já citei aqui, poderiam ser abordados do ponto de vista econômico, macroeconômico e é preciso que sejam bem avaliados, mas, com certeza, em todos esses pontos de vista existem alguma diferença considerável com os governos do PSDB na década de 90. E, portanto, a nossa posição, sim, é de não ficar em cima do muro e pedir, orientar o voto em Dilma Rousseff nesse segundo turno.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)