71ª Sessão Ordinária - 03/07/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, quem nos acompanha pela Rádio Alesc Digital e TVAL.
Queria falar sobre o assunto já abordado pelo deputado Jailson Lima. É claro que existe uma sensação de alívio geral, porque a Copa do Mundo tem sido bem desempenhada e bem desenvolvida. Eu ouvi, não obstante, e não quero questionar nenhuma frase do deputado, até um crítico da Copa, o Juca Kfouri, dizendo em rede nacional, no primeiro dia da Copa, que estava no Itaquerão e estava muito contente, porque tudo aquilo que ele próprio previu que pudesse acontecer de ruim, não aconteceu. Ele próprio fez essa avaliação reflexiva ou até autocrítica, porque não dizer, é uma sensação de fato de alívio. Naquele dia, teve a queda do sinal de internet, meio que teve quase um pânico de quem trabalha com comunicação, mas, enfim, nada grave aconteceu.
Evidentemente, muitas coisas podem ser ditas a respeito da Copa e, inclusive, que as empreiteiras chantagearam bastante e levaram mais do que seria necessário para se produzir uma Copa do Mundo.
Quero dizer também e voltar ao debate, que na quinta-feira passada, deputado Kennedy Nunes, quando v.exa. falava da seleção de Gana e do avião carregado de dinheiro com comboio, numa cidade importante do Brasil, fez-me lembrar de uma situação das Copas de 1990 e 1994. Em 1990 ocorreu um boato, até que intensidade é verdade não sabemos, de que o técnico Lazaroni autorizou a presença das famílias, das esposas, das namoradas, na concentração da seleção brasileira na Copa da Itália. E que um dos problemas de instabilidade emocional da equipe, dos atletas, foi o fato de que as esposas estarem discutindo o bicho. Qual o jogador que tinha que ganhar o bicho maior, o prêmio em dinheiro, bicho, na linguagem do futebol, porque de repente alguém não sabe o significado. O prêmio em dinheiro pela vitória, pelo título etc, que todo time de futebol tem. Então, as esposas estavam lá discutindo, na Itália, na Copa de 90, dentro da concentração, que o jogador tal teria que ganhar o prêmio maior, porque fazia mais gols, porque defendia mais, porque era o melhor goleiro do mundo e, provavelmente, não somente isso, mas isso ocasionou uma seleção fraca, que foi logo eliminada da Copa pela Argentina. O Maradona driblou três, veio todo mundo em cima, ele tocou para o Caniggia, que fez o gol e tirou o Brasil da Copa de 90, na Itália.
Em 94 teve um baixinho que foi para Copa, como craque, chamado Romário. Aliás, sou suspeito para falar, porque os Vascaínos e Avaianos são fã dele. Ele é meu ídolo. O Romário antes de sair do Brasil para ir para a Copa, lá na Granja Comary, reuniu todos os jogadores - ele era o mais famoso da época, era o Neymar daquela safra - e disse: "O valor do prêmio, do bicho, será igual para todos nós, desde o roupeiro ao artilheiro, será o mesmo. Não somente aos jogadores, mas para toda a equipe, incluindo o roupeiro." Ele falou dessa forma.
E aí também não sei se foi por isso, provavelmente não, mas o Brasil foi campeão.
É preciso colocar a paixão do povo brasileiro acima de qualquer interesse e aí com respeito à opinião da sociedade brasileira, do povo brasileiro, que gosta e pratica futebol. Não se pode jamais deixar que os interesses monetários, e aí concordo com a sua crítica, porque tudo é interesse monetário, mas se isso fica acima da paixão nacional, da paixão do brasileiro pela sua seleção, pela camisa amarela, pelo futebol, com certeza, está-se no caminho errado. Por isso disse que, se fizesse parte do governo de Gana, diria para eles não voltarem. Teria dito: o dinheiro está aí, vocês não precisam voltar não, porque precisamos aqui de gente que defenda a sociedade, que represente a sua nacionalidade, que represente o seu povo!
Falam do futebol, dos interesses monetários do futebol, das cifras milionárias da Fifa, de obras e de atletas que valem mais que um país, dependendo do país, mas isso que estou dizendo vale para o futebol e, em hipótese alguma, poderia valer para a política. Mas, parece que andam muito parecidos os interesses do futebol com os interesses da política.
Isso é apenas uma reflexão para quem tiver uns minutos de folga em condições de refletir sobre o processo eleitoral e a importância indevida, criminosa do poder econômico nos processos eleitorais.
Mas quero falar, ainda, sobre uma notícia que está acontecendo aqui no estado de Santa Catarina, sobre um debate, que pretendem impor como uma verdade absoluta, de que o serviço público não funciona porque é público e que para funcionar precisa entregar para uma entidade de direito privado, e falo especificamente, concretamente, do Hospital Universitário, porque tem uma avalanche da grande mídia aqui de Santa Catarina para dizer que o referido hospital está ruim, porque a administração central da UFSC, a Reitoria, não aceitou e não acatou ainda a determinação do governo federal de que tem que se submeter à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, a EBSERH.
Então, dizem que tem leito fechado no HU porque a Reitoria ainda não aceitou a empresa que o governo designou para mandar no Hospital Universitário. Mentira absoluta! Mas, querem que passe por verdade absoluta que o hospital está fechado porque a Reitoria não se submeteu ao governo. Isso é uma mentira absoluta! É um posicionamento ideológico e de direita afirmar que o serviço público não funciona porque é público.
Com essa afirmação deveríamos dissolver o estado, inclusive este Parlamento, irmos embora trabalhar, se esse argumento for verdadeiro. E esse argumento pega convence a maioria, como convence a maioria no Congresso Nacional. O serviço público não funciona, em grande parte, em muitos lugares, por responsabilidade exclusiva dos gestores, que colocam os cargos comissionados como segundos e terceiros interesses e, inclusive, para fazer caixa para a campanha. Essa que é a realidade e isso tem-se que falar, porque se tem um monte de regra, burocracia, lei, exigências de regras para fazer uma licitação, contratar servidor e comprar equipamentos e medicamentos, é porque há corrupção. É a maldita da corrupção no serviço público que faz com que seja necessário criar cada vez mais regras para tentar impedir a corrupção. Mas, parece que ela é um monstro que não se contém sob nenhuma regra.
Não é verdade que o Hospital Universitário tem leito fechado porque a Reitoria ainda não aceitou a empresa de direito privado que o governo federal está empurrando pelas costas, chantageando e dizendo que se não aceitarem não irá mais nenhum centavo para o HU. Se isso fosse verdade, os serviços entregues aqui a entidades civis de direito privado, como a SPDM no hospital de Florianópolis, de Araranguá e no Samu, seriam uma maravilha, e não é verdade. Lá também faltam servidores e é uma empresa privada. Falta servidor, medicamento, luva, falta tudo e o governo paga para uma empresa privada fazer, com maior eficiência, mas, na verdade, ela mostra menor eficiência do que os hospitais próprios.
E no Hospital Universitário faz anos que a Fapeu, que é uma Fundação de direito privado, contrata boa parte dos servidores que lá trabalham, por irresponsabilidade dos gestores e especialmente, do ministério da Saúde. Agora, vir um formador de opinião num grande meio de comunicação dizer que tem leito fechado porque a Reitora não aceita a empresa de direito privado que o governo está empurrando goela abaixo e ainda mais, sob a chantagem de que se não aceitarem a referida empresa, não terão mais recursos.
Se isso resolvesse, porque a Fapeu não preenche aquelas vagas e não mantém aqueles leitos abertos? Já tem leito privatizado no Hospital Universitário por conta desta fundação de direito privado que está lá dentro.
O Hospital Florianópolis, o Hospital de Araranguá e o Samu estão cometendo crimes contra a sociedade catarinense! Todo mundo sabe e ninguém faz nada.
Muito Obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)