Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sandro Tarzan

15ª Sessão Ordinária - 11/03/2014

O SR. DEPUTADO SANDRO SILVIA - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, funcionários da Fatma, pessoas que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, gostaria de falar sobre os frequentes casos de racismo ocorridos nos estádios de futebol do Brasil. Três casos aconteceram nos últimos 15 dias que foram contra os jogadores Tinga, do Cruzeiro, Arouca, do Santos, e contra o árbitro gaúcho Marcio Chagas.

Esses casos que acontecem no Brasil, hoje, com mais frequência é de se espantar porque parece que a intolerância tanto no trânsito quanto racial começa a aflorar nas pessoas e não se sabe o motivo. Isso já acontece há muito tempo na Europa também com os jogadores negros. E agora começa a acontecer com mais frequência no Brasil e também na Copa Libertadores da América, como aconteceu com o Tinga.

Eu quero dizer que é louvável todas as manifestações contra isso, pois é a maior demonstração de mediocridade do ser humano, achar que a cor da pele é que vai ser determinante para a submissão ou prepotência de uma raça sobre a outra. É de causar náuseas e de sentir vergonha de ser humano neste momento.

O que se viu, nos estádios, de manifestações de combate ao racismo é de fato o que se espera, já que também no futebol o número de negros é visivelmente maior e, infelizmente, é uma das poucas profissões que o negro consegue espaços de destaque, consegue se sobressair.

Agora, quero fazer uma reflexão sobre o ocorrido com o jogador Tinga, do Cruzeiro. O que seria do futebol se não fosse a atuação do negro como jogador? Dá para imaginar o futebol brasileiro sem Pelé, sem Garrincha, sem Jairzinho, sem Dadá? É impossível imaginar o futebol brasileiro sem esses atores, sem esses jogadores atuando pelo futebol brasileiro.

Mas a minha pergunta e questionamento são os mesmos que fiz ontem na rede social, facebook, pela manhã, ou seja, o grande problema de racismo nos estádios é que ele não fica apenas nos estádios. Ou será que alguém consegue imaginar que aquele que grita macaco para um jogador ou juiz negro deixa de ser racista no dia a dia? Duvido que ele deixe de ser racista no dia a dia. Esse mesmo racista que berra macaco para um jogador coloca banana no carro de juiz pratica o mesmo racismo apenas de forma silenciosa, sorrateira e covarde no dia a dia. Ele continua praticando, apenas não berra macaco, negro e crioulo. Ele faz isso silenciosamente.

Esse racista que berra macaco nos estádios é o recrutador de empresa, é dono de empresa, é o professor também que de certa forma acaba discriminando. Esses racistas estão no dia a dia agindo veladamente, como se pôde ver no ano passado, através de uma matéria que saiu no jornal A Notícia. E falarei do mercado joinvillense onde a pesquisa foi feita.

Em Joinville as pessoas preferem pessoas brancas, homens e jovens. Então, esses racistas dos estádios estão lá.

Presenciei nos estádios, quando o Max era goleiro do Joinville, que também foi do Botafogo, torcedor xingando-o de macaco. Então, mais do que manifestações durante os jogos de futebol quero dizer que elas são válidas, mas é no dia a dia que isso precisa ser combatido. É um racismo silencioso, covarde, medíocre, que se pratica e esse mesmo racismo é o que segrega, maltrata e seleciona.

Antes mesmo desses episódios, presenciamos vários deles, como a da cabeleireira xingada, porque uma australiana não queria ser atendida por ela. E um haitiano esta semana foi expulso ao procurar emprego. Assim as pessoas reconhecem que existe o racismo, sabem que tem, mas quando se empreende programas, projetos, para o combate ao racismo, não apenas dos estádios, mas no dia a dia, as pessoas se levantam contra esses programas.

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO SANDRO SILVA - Pois não!

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - Quero parabenizá-lo pela sua fala e ser solidária à sua manifestação. É lamentável que aconteçam episódios como esses por causa da cor da pele ou qualquer outra forma de discriminação, pois lutamos também na questão das mulheres.

Por isso, sou solidária ao seu posicionamento, e é lamentável que aconteçam situações dessa natureza. Temos que ser intolerantes com isso, e parabéns pelo seu pronunciamento.

O SR. DEPUTADO SANDRO SILVA - Muito obrigado, deputada Ana Paula Lima.

Sr. presidente, gostaria de dizer mais uma vez que é importante, sim, que no dia a dia nos estádios se faça esse combate, mas também é importante reconhecer esse racismo que existe na hora de recrutar um funcionário, de escolher as pessoas que vão figurar uma propaganda do governo ou de uma empresa. Então, esse racismo precisa ser combatido.

O Sr. Deputado Neodi Saretta - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO SANDRO SILVA - Pois não!

O Sr. Deputado Neodi Saretta - Deputado Sandro Silva, eu não poderia deixar de pedir um aparte pela importância do assunto que v.exa. aborda. Penso que esses casos que aconteceram no meio esportivo servem para realmente fazer essa reflexão que v.exa. está fazendo. E a solidariedade é boa e é importante. Mas nesses casos não bastam somente a solidariedade.

Acredito que a CBF, no caso específico do esporte, tem que tomar uma medida punitiva. Se não tiver medida punitiva aos clubes, aos responsáveis, para que identifiquem isso, a coisa vai ficando. E as empresas onde têm essa discriminação devem tomar medidas punitivas, sim. Mais do que nunca está provado que precisamos avançar muito ainda, deputado Sandro Silva.

Parabenizo v.exa. pelo seu discurso e somos solidários a essa luta.

O SR. DEPUTADO SANDRO SILVA - Muito obrigado, deputado Neodi Saretta.

Volto a lembrar de que por mais que sejam punidos os crimes de futebol, os racistas nos estádios continuarão sendo racistas. Estarão no meio de nós.

Muito obrigado!

(Palmas)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)