39ª Sessão Ordinária - 24/04/2014
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, cumprimento todos os colegas deputados e deputadas, os visitantes que estão nesta Casa, os que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital. Quero falar hoje sobre o momento político que vivemos no Brasil e em Santa Catarina, quero trazer uma avaliação que temos feito em vários setores da sociedade catarinense sobre o modelo político que o Brasil vive, deputado Taxista Voltolini, e hoje, quando abri os jornais de Santa Catarina, ficou claro, deputado Silvio Dreveck, o que está acontecendo no nosso Brasil.
Ontem acompanhei na imprensa a fala do pré-candidato à Presidência da república, o Eduardo Campos, que falou uma bobagem muito grande. Ele disse: "Quando eu for presidente da República meus ministérios não serão divididos entre os partidos.
Mas como ele vai fazer? Ele precisa de apoio, de alianças de partidos. Eu quero ver o milagre desse modelo político que é formado de partidos políticos, que disputam as eleições, formam suas bases e fazem alianças. Então, é bobagem falar que não vai dividir os seus ministérios com os partidos que o apoiam, porque neste país, lamentavelmente, a política está indo para o rumo do fisiologismo, dos cargos, e as pessoas criam partidos, criam grupos de pessoas para buscar cargos, para literalmente, vender os seus horários partidários, ter alguém que paga suas campanhas para depois ter algum cargo no governo.
Por isso que neste país estamos deteriorando os partidos políticos, estamos tendo uma perda imensa da democracia. Não há democracia num país sem partidos fortes.
Cada vez mais cresce, inclusive, o número de pessoas que dizem que votam na pessoa e não no partido. Mas que compromisso essa pessoa tem ao dar o seu voto a um político se os partidos já estão com dificuldade de manter os seus projetos? Imaginem as pessoas! Então, defendo, sim, o fortalecimento dos partidos.
Se este país não fizer uma reforma política, e aí que vem a grande questão, quem fará essa reforma política? Porque eu não acredito que o Congresso Nacional vá fazer uma profunda reforma política.
Se não enfrentarmos esse debate do financiamento das campanhas eleitorais, vamos continuar tendo o poder econômico ditando as rédeas da política brasileira. Ou seja, o dado é concreto, a subcomissão do Congresso Nacional que tratou do tema da reforma política fez um levantamento dos 513 deputados federais mais votados, 330 foram os que mais gastaram, oficialmente, sem olhar para as formas diferenciadas de gasto. Mas é o que foi apresentado oficialmente ao Tribunal Eleitoral.
Assim sendo, está claro que os políticos têm um vínculo hoje majoritariamente com os grandes grupos econômicos que os elegem, que os financiam. E aí temos outro problema, que é a questão do fortalecimento dos partidos políticos.
Olhando para a imprensa de hoje, eu falei isso ontem para alguns amigos, mas nada intencional, nada tendencioso, sobre o que está saindo das pesquisas eleitorais da semana passada e desta semana sobre as páginas de jornais que dão para uma liderança, deputada Ana Paula Lima, que inclusive já está nomeando os nossos candidatos ao Senado. Nem falo do seu partido, do debate interno que haverá este final de semana, que na minha avaliação deveria ser extremamente democrático, mas da forma que está sendo conduzida essa convenção do próximo final de semana.
Não quero entrar na questão de como funcionam os partidos, porque cada partido tem que construir os seus mecanismos democráticos. Nós fizemos uma prévia no ano passado, em que nossos filiados foram chamados para votar! Fizemos uma eleição! Inclusive, muita gente achava que a nossa ministra iria ganhar a eleição. A militância votou contra, inclusive à ministra Ideli Salvatti, pois não foi a chapa dela que ganhou a eleição e sim a do deputado Cláudio Vignatti. Foi uma eleição democrática, em que os filiados foram chamados para votar.
É isso que nós defendemos! Temos que ouvir a base com democracia, seja nas eleições ou internamente, nos partidos.
Sobre a reforma partidária, em que inclusive o Partido dos Trabalhadores está discutindo o voto no partido para justamente fortalecer os partidos políticos, alguns dizem que os caciques dos partidos é que vão mandar. Como eles vão mandar? Se vamos reformar os partidos, por que não podemos construir democracia interna neles? "Ah, hoje é assim: quem tem mais dinheiro manda mais". Opa, isso precisa ser discutido! Se quisermos fazer uma reforma política na sociedade sem fazer uma reforma política nos partidos não iremos a lugar algum, porque não teremos partidos fortes e não haverá jeito de construir uma reforma partidária.
Então, este é o grande debate que temos pela frente. Eu fico até assustado sobre o movimento que se está construindo em Santa Catarina, e me parece que a grande imprensa está sendo servida com essa estratégia de construir uma espécie de partido único. Quem é contra essa direção vamos isolar, vamos excluir e vamos destruir, com todas as forças!
Não é assim que funciona! Democracia é diferente. Temos que respeitar os que pensam diferente!
Eu entendo que não deveria haver aliança entre partidos no primeiro turno. No primeiro turno os partidos deveriam mostrar a sua força e o seu projeto para a sociedade escolher os melhores. Agora já estamos começando a construir alianças no primeiro turno, já estamos acertando tudo no primeiro turno, inclusive os cargos. E não me digam que os cargos já não estão sendo discutidos!
Por isso, precisamos criar em Santa Catarina - e nós, não, porque não apoiamos isso - 36 secretarias Regionais. E dependendo das alianças que vão ocorrer, população que nos acompanha, precisamos criar mais umas dez secretarias Regionais para acomodar todos os partidos. Precisamos criar mais umas dez secretarias Regionais para acomodar os aliados que nos vão ajudar na campanha, porque, infelizmente, é assim: quando vão para fazer uma aliança, antes, já começam a discutir quantos cargos vão ter.
Por isso, Eduardo Campos está falando uma bobagem absurda para ganhar aplausos dos empresários e da sociedade dizendo: "Ah, eu não vou botar os partidos nos ministérios". Isso é uma baita bobagem de uma pessoa que, na minha avaliação, não está preparada para falar esse tipo de coisa e ser, inclusive, candidato a presidente da República, porque, pelo jeito, não conhece como é que funcionam os partidos e a política, hoje, no Brasil e em Santa Catarina, sem a reforma política, que poderia criar uma perspectiva de mudança desse tipo de coisa.
Então, lamento muito o que está ocorrendo neste estado, ou seja, querer forçar de todo o jeito. Não está sendo um debate democrático, tenho claro isso, e precisamos que haja democracia. Se tem uma página de jornal para um lado, tem que ter uma página de jornal para o outro lado. E ao querer nomear candidatos de outros partidos, está-se colocando acima, inclusive, de todos os partidos políticos essa figura chamada Luiz Henrique. Cuide do seu partido, construa uma eleição democrática internamente, que isso, com certeza, contribuirá muito para melhorar a política e o governo em Santa Catarina, porque o povo está esperando mais saúde, educação, investimentos na agricultura familiar e segurança. E que não intervenham, como falei ontem aqui, nos sindicatos porque estão reclamando. Não pode parecer que alguém está insatisfeito porque quer mostrar que este estado tem problemas sérios nas questões sociais e de infraestrutura.
Então, quem não se cala, quem não fica quieto, quem não está nessa visão de partido único, quem questiona, tem que ser destruído, inclusive com o apoio da Justiça. E é o que está acontecendo no Sintespe nesse momento.
Não pode ser assim! Nós queremos construir um país e um estado democráticos para que o povo tenha uma melhor condição de vida
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)