Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

20ª Sessão Ordinária - 10/04/2001

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente, Sra. Deputada e Srs. Deputados, não poderia deixar de saudar a presença do grupo da Terceira Idade Esperança, dos Ingleses, que acompanham esta importante sessão legislativa.

Venho a tribuna e, coincidentemente, Sr. Presidente, vinha para falar de assunto ligado à agricultura.

Agricultura que, no nosso Estado, tem uma importância econômica e social fundamental. E, bem é verdade, que a situação em que vivemos hoje na agricultura nos traz grande preocupação. Traz grande preocupação porque o nosso agricultor, mesmo vivendo em pleno ano 2001, mesmo dentro desse choque de modernidade que temos no mundo hoje, não tem a esta tecnologia tido acesso.

Há grandes cientistas, pesquisadores, autoridades no conhecimento da agricultura, mas nosso agricultor continua dependendo da fumicultura para tratar os seus filhos, continua dependendo da rizicultura. O agricultor ainda não tem uma alternativa e continua a ser um produtor de produto primário. Quando a modernidade atingiu a nossa porta ao nosso agricultor não chegou essa oportunidade.

Preparam-se tantos técnicos, dá-se tantos cursos para técnicos, debate-se em tantas reuniões e não se tem tempo para fazer chegar estes projetos e o conhecimento até o agricultor.

A verdade é que damos estudos, pós-graduação e doutorado a tantos técnicos que quando se formam já está na hora de se aposentar. Chegam a ter tanto diploma que não tem mais como sujar o pé e ir na lavoura ajudar o agricultor, orientar o agricultor. Temos que dispor da melhor poltrona e do melhor gabinete para ele porque já é doutor.

Vivemos num Brasil da enganação! Vivemos num Brasil da fantasia! E para piorar isto no nosso Estado de Santa Catarina vivemos esta tal de municipalização da Epagri e dos serviços da agricultura. Formou-se uma verdadeira bagunça.

Sou defensor de que tenhamos que rever dentro do Governo, por uma decisão do nosso Secretário da Agricultura, urgentemente esta questão da municipalização. Não sabemos quem é o patrão hoje da estrutura governamental que temos. Do cidadão que trabalha com a Epagri, dos técnicos da Cidasc. Não sabemos quem manda neles. É uma verdadeira bagunça!

Estão só fazendo cursos. Estão só fazendo reuniões. É pouca ação no campo, porque falta a figura do patrão.

Esta é uma realidade, com exceção de alguns valentes, determinados, que se sobressaem nisso tudo. Sempre tem aqueles que temos que valorizar.

Mas, antes de encerrar o meu pronunciamento, pois quero muito falar sobre a agricultura, mas já faz três semanas que escutamos os discursos comandados por alguns Deputados da Oposição em relação a perseguição política. É um barbaridade termos que escutar isso! É uma barbaridade que agentes político-partidários venham fazer discurso demagogo dessa natureza!

Até parece que o PMDB quando administrou este Estado não mudou ninguém de função e de lugar. Até parece que não perseguiu ninguém.

Poderia ficar uma hora relatando as perseguições realizadas pelo Governo que passou. Mas só nessa empresa chamada Cidasc, da Secretaria da Agricultura, não só fecharam o escritório, não só transferiram funcionários, mandaram embora por perseguição política esses funcionários que hoje buscam na Justiça a sua reintegração. Cento e vinte e nove funcionários porque levantavam a bandeira de Ângela Amin. É uma barbaridade isso! É uma barbaridade o que escutamos aqui! Tudo tem um limite para tolerarmos. Até parece que fazemos de conta que somos políticos.

No meu Município, em Taió o PMDB governa. Pegou um operador de primeira linha e colocou a roçar beira de estrada. Pegou funcionários espetaculares e colocou fora da Prefeitura porque não queria vê-los lá. Contador e Secretário da Prefeitura transferiram para outra função e colocaram alguém de confiança no lugar. É uma vergonha estarmos escutando isso aqui! Até parece que não era político quem estava nessa tribuna.

Falar em trazer para a Comissão dos Direitos Humanos... Respeito o Sr. Deputado, Sr. Deputado Jaime Duarte, mas é uma barbaridade! Somos agentes políticos. Isto faz parte do processo político.

Não vejo perseguição. Acho que não sabemos ainda e não aprendemos a valorizar servidor. Servidor é um objeto! Temos é que tomar uma decisão: ou acabamos com a questão da estabilidade do serviço público ou aprendemos de uma forma ou de outra encontrar mecanismos para valorizar e prestigiar o servidor.

Esta prática acontece suprapartidariamente! Acontece em todos os Partidos Políticos. Concordo que alguns abusos até podem haver. Mas não posso me calar e concordar é que pessoas que praticaram a maior perseguição já vista em Santa Catarina no Governo passado, venham usar esse discurso dessa forma, posando de vítima.

Onde estão administrando vejam a vergonha que estão patrocinando! Vejam a perseguição que estão fazendo, porque esta prática sabem fazer bem! E vem aqui posar...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

O SR. PRESIDENTE (Deputado Gilmar Knaesel) - V.Exa., tem mais 30 segundo para concluir.

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - É só isto que não podemos aceitar. Sou um agente político e como tal cometo meus excessos e meus erros.

Com certeza esse Governo tem cometido os dele. Mas estou convencido de que está fazendo um grande esforço para respeitar o servidor, para resgatar a governabilidade e para, acima de tudo, devolver esperança ao povo de Santa Catarina e ao servidor do Estado.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)