12ª Sessão Ordinária - 10/03/1999
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, em primeiro lugar quero agradecer ao Deputado Pedro Uczai, porque o horário do Partido era dele. Ele estava preparado para o seu pronunciamento e presenteou-me; no dia de seu aniversário quem recebeu o presente fui eu, até porque, não poderia deixar de vir à tribuna responder ao que aqui foi dito.
Em primeiro lugar, eu queria registrar, Sr. Presidente, que no clipping da Assembléia não tem mais as matérias do Diário Catarinense, porque, pelo que sei, a Casa não está com o contrato renovado; portanto, a nossa Assessoria de Imprensa não o recebe e também os gabinetes não o estão recebendo.
Eu vou falar em cima de algo que não li, porque não li o Diário Catarinense do dia de hoje, porque inclusive no próprio clipping da Assembléia ele não se encontra. Eu vou falar em cima daquilo que o Sr. Deputado Onofre Santo Agostini se pronunciou aqui, nesta tribuna.
Eu tenho uma personalidade indiscutivelmente polêmica, tenho orgulho dela, tenho orgulho da maneira como eu faço política, porque faço política com paixão. Ninguém larga e coloca em segundo plano a sua família, a sua vida pessoal e seus filhos, se não for para fazer com paixão a atividade política.
Então, exerço a política como aquilo que há de mais profundo na minha alma, no meu coração, no entendimento que eu tenho do que é ético, do que é justo e do que é correto. E por fazer a política com paixão, eu falo, sim, o que vem à minha alma.
Muitas vezes já falei e, infelizmente, nas vezes em que falei acabei acertando, acabei fazendo prenúncios de coisas que depois vieram a se confirmar - coisas que amargaram a vida política de Santa Catarina, de forma indelével, porque tivemos um episódio que manchou a história do nosso Estado por uma ação do Executivo, aquele episódio até hoje não devidamente apurado até as últimas conseqüências, inclusive, na punição aos responsáveis, que foi o episódio das Letras.
O que aconteceu no episódio das Letras não manchou apenas o Executivo de Santa Catarina, o Governador Paulo Afonso e as pessoas que o assessoraram naquele procedimento. Não, o episódio das Letras e do impeachment também manchou este Parlamento. Isto é voz corrente, isto é indiscutível!
Perguntem a qualquer pessoa da população por que o processo de impeachment não passou nesta Casa. Por quê? Porque tivemos Parlamentares nesta Casa que mudaram o voto, que mudaram o que assinaram, que mudaram uma porção de coisas que estavam publicamente colocadas. E as mudanças de posição e de coisas assinadas nunca foram devidamente explicadas à população, nunca foram!
Houve colocações no sentido de que aqui na Casa muitas conversas - muitas conversas - foram feitas para dar o que não deu o processo de impeachment do Governador.
Eu já fui sondada, e na época não quis, mas talvez merecesse escrever um livro dos bastidores do processo tanto da CPI quanto do impeachment aqui, nesta Casa.
Se não fosse esta Casa... Basta ver o que acontece nos Parlamentos brasileiros, inclusive no Congresso Nacional, para saber o que é o cotidiano das negociatas de bastidores para aprovar as coisas, para aprovar emendas de reeleição, para saber que o que falamos é algo tão etério, tão longe, tão irreal, tão absolutamente irreal.
Eu não sei o que está escrito, eu não li o Diário Catarinense. Vou reproduzir na tribuna qual foi a minha linha de raciocínio feita com os jornalistas do Diário Catarinense.
O racha aposto no PFL! Que está rachado, eis que tem um Líder de Governo que não lidera, tem um Líder de Bancada que não lidera! Está posto o racha, e está público, está notório! E a partir deste racha de Parlamentares do PFL, com adesão de outros Parlamentares que têm muito a ver com o episódio, porque o episódio do impeachment não está encerrado, ele continua até hoje, está rendendo; está rendendo, inclusive, pagamento de favores que determinados Parlamentares fizeram naquela época...
Aos jornalistas referi-me a esse bloco de Parlamentares que passam a ter nesta Casa um poder decisivo - não por presidirem as Comissões pura e simplesmente de Justiça, de Finanças, disso ou daquilo, não! - porque passam a ser os votos decisivos na aprovação de todo e qualquer projeto que vier para esta Assembléia, os projetos que vierem para esta Casa...
Deputado Ivan Ranzolin, veja a minha preocupação, eu não deveria estar preocupada com o Governador Esperidião Amin, porque ele não é do meu Partido, mas eu coloquei e volto a colocar que o Governador Esperidião Amin passa a ser refém de um determinado grupo de Parlamentares aqui dentro da Casa, que ele vai ter que negociar a aprovação de projeto a projeto, como faz o Sr. Fernando Henrique no Congresso Nacional, que negocia projeto a projeto para vê-los aprovados.
E as negociações, nós sabemos muito bem que têm peso, que têm valor, ou não sabemos? Ou é um problema da malcriação da Deputada Ideli Salvatti, isto? Estou falando o quê? Ou acreditam em Papai Noel, ou acham que a emenda da reeleição passou porque não sei quantas centenas de Deputados gentilmente entenderam que era importante recolocar o Sr. Fernando Henrique? Ou aqueles 200 mil pagos por cada voto, que não foram apurados até hoje, nós esquecemos? Borrachinha na nossa cabeça!
É disso que nós estamos falando, é de voltar...
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini (Intervindo) - Sr. Presidente, eu não...
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Eu não concedi aparte! Espero que a Mesa me garanta a palavra e corte o microfone de apartes, porque eu não fui ao microfone de apartes!
O SR. PRESIDENTE (Deputado Heitor Sché)(Faz soar a campainha) - A palavra está assegurada à Deputada Ideli Salvatti, que tem três minutos ainda dentro do horário destinado ao Partido dos Trabalhadores.
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Agradeço ao Presidente da Casa. E quero dizer de forma inequívoca que espero, sinceramente eu espero, não estar certa mais uma vez.
Quanto à minha dita malcriação ou à minha "mal-amadice", como o Deputado Onofre Santo Agostini se referiu ao ex-Deputado Francisco Küster - aliás, eu nunca ouvi o Deputado Francisco Küster me chamar de mal-amada, até porque se ele me chamasse de mal-amada, imediatamente eu lhe daria um beijo na face -, eu gostaria de dizer que se tem alguma coisa que sou é uma pessoa extremamente afetiva e bem resolvida, ouviu, Deputado Onofre Santo Agostini?
Quanto à questão da biruta de aeroporto, foi um artigo que o Sr. Moacir Pereira fez, referindo-se ao Partido e não à minha pessoa especificamente. E isso foi devidamente respondido à altura da bobagem que ele estava dizendo naquele artigo.
Então, quero dizer de forma inequívoca que eu espero, sinceramente eu espero - viu, Deputado Ivan Ranzolin -, mesmo sendo Oposição ferrenha ao Sr. Esperidião Amin Helou Filho aqui nesta Casa, que a minha previsão, que o meu feeling esteja errado, pelo menos uma vez, e que o Sr. Esperidião Amin não seja refém, que ele não tenha que fazer a negociação projeto a projeto, como eu estou prenunciando que vai acontecer.
E V.Exa. sabe do que eu estou falando! V.Exa. sabe! V.Exa. vivenciou aqui, entende?! As pessoas que estiveram aqui no processo de impeachment sabem do que eu estou falando. Talvez os novos não saibam, talvez a Deputada Odete do Nascimento não saiba, talvez os Deputados Valmir Comin e Sandro Tarzan não saibam. Mas quem esteve aqui sabe do que estou falando; quando falo em peso e quando eu falo em vale, todo mundo sabe!
Eu espero sinceramente estar errada...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DA ORADORA)