55ª Sessão Ordinária - 02/06/1999
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Sr. Presidente, Srs. Deputados, vou utilizar o espaço reservado ao Partido Democrático Trabalhista para fazer algumas considerações a respeito de como está se conduzindo o Governo do Estado de Santa Catarina.
Não temos nenhuma dificuldade de compreender nem de registrar as dificuldades que o atual Governador encontrou como conseqüência das administrações anteriores, e há necessidade de se dizer, para que fique claro, que o volume da dívida do Estado não foi composto em quatro anos, tem um efeito histórico, tendo acumulado-se através das décadas, e hoje administra-se o limite do potencial de endividamento do Estado de Santa Catarina.
Iniciei o meu segundo mandato trabalhando no sentido de acreditar nas soluções eficientes e efetivas que o Governo tanto propagou durante a sua campanha eleitoral. E agora, na prática, usando uma figura de linguagem, vemos o Estado como se fosse um ônibus, tendo o Governador como motorista, a população de Santa Catarina como passageiros e, na bagagem, todos os desafios que a sociedade está enfrentando, para os quais os governantes e nós, juntos, temos a obrigação de encontrar soluções.
O que ocorreu? O eleitor entendeu que deveria trocar o motorista, porque ele não estava desviando dos buracos, não estava fazendo a curva direito, e assim foi feito.
O novo condutor, agora, precisa corrigir o que o outro não vinha fazendo de maneira correta. Só que, em vez de assumir o volante, olhar através do pára-brisa, acomodar a carga que está desajeitada e acelerar para que o ônibus efetivamente deslanche e cumpra o seu roteiro, o novo motorista não arrumou nada até agora e está com o olhar fixo no retrovisor para ver o que o ex-motorista vai fazer, se vai sentar no barranco, se vai sair a pé para o sul ou para o norte, se vai para a sombra ou se vai ficar no sol.
Eu não estou defendendo o Governo anterior nem condenando o Governo novo, o que estou querendo efetivamente dizer, com toda a clareza, é que nós temos que sair em busca de soluções, e não ficar aqui embromando (esse é o nome correto) sobre a questão dos salários atrasados.
Dizer que o Governo atual está pagando em dia, é brincadeira. Ele não mudou uma vírgula sequer do procedimento do Governo anterior. Nos últimos meses, o Governo anterior estava pagando um salário por mês em meados do mês, e o atual continua pagando, exatamente no mesmo período do mês, um salário por mês. Então, não mudou nada! A realidade do funcionário não mudou, até piorou, pelo aumento dos juros que vem pagando sobre suas contas atrasadas.
Srs. Deputados, o pagamento dos salários atrasados está virando uma celeuma e ficando cada vez mais embromado. Naquela reunião colegiada que ocorreu, a convite do Presidente da Assembléia Legislativa, para se encontrar uma solução para pagar os atrasados, eu fiz a seguinte proposta ao Governo: se o Estado tem em torno de R$8 milhões por mês de caixa para pagar os salários atrasados, em vez de parcelar o salário de todo mundo em quarenta meses, que pague todos partindo do menor salário, liquidando esses atrasados. Porque o Governo apresentar uma proposta deixando os de menor salário com um mês atrasado é brincadeira! Parece que quer manter o salário de todo mundo num conta-gotas!
Então, eu reafirmo a proposta que fiz anteriormente: que o Governo tenha a grandeza de começar a olhar através do pára-brisa desse ônibus que ele tem a obrigação de conduzir e liquide todas as pendências salariais, partindo do menor salário - e totalmente, não apenas pagando uma parte e deixando outra parte para trás -, até que se encontre uma alternativa extra-orçamentária para liquidar todos os salários em atraso de uma vez por todas. Assim, o Estado terá esse capítulo resolvido.
Temos que lamentar a postura do atual Governo, que está querendo construir uma colcha de retalhos na busca de soluções para manter o discurso que deveria ter terminado no dia 3 de outubro, dia da eleição.
Se o Governo não fizer isso, se não olhar pelo pára-brisa, se não pegar esse volante com determinação nem acelerar o necessário para fazer a viagem no tempo adequado, nós estaremos perdendo não só esse ônibus, que usamos como figura de linguagem, mas também o trem da história!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)