Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

54ª Sessão Ordinária - 09/07/2008

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sra. deputada, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, servidores e servidoras deste Poder, gostaria, mais uma vez, de dar os parabéns ao governo do estado pela inauguração do asfalto entre as cidades de Leoberto Leal e Imbuia.

Imbuia agora também não é mais uma cidade que se vai. Ela fica num centro de deslocamento, pelo menos da população de Leoberto Leal em direção às cidades maiores, Ituporanga e Rio do Sul.

Assim como o deputado Carlão mencionou, é preciso que tenhamos preocupação com o trânsito, pois em uma rodovia que durante décadas não teve asfalto, a noção de velocidade, para quem está transitando por ela e para quem vai entrar nela, é bastante diferente. Lembro que quando foi feito o asfalto há mais de 20 anos, houve muitos acidentes, inclusive com mortes naquela rodovia.

Suponho que por isso a noção de velocidade, com máquinas agrícolas circulando ou atravessando no acostamento, levará a acidentes, até as pessoas se acostumarem com essa nova realidade do trânsito local, porque todas as estradas passam por áreas agrícolas, por comunidades rurais bastante povoadas.

Nós noticiamos, na tarde de ontem, o falecimento do terceiro-sargento Kunrath, na cidade de Maravilha, cujo sepultamento está acontecendo neste momento. A nossa solidariedade, os nossos pêsames e o nosso lamento a todos os amigos e familiares pela perda de mais esse irmão de farda num acidente de moto.

Queremos lamentar também aqui o falecimento, no último dia 27 de junho, do cabo Antônio Júnior Paes, nosso irmão de farda da cidade de Lages, que trabalhava na cidade de Bocaína do Sul. O cabo Paes é irmão da nossa companheira que trabalha aqui na Casa, a sargento Silvana, que tem na família quatro policiais militares. O cabo Paes foi fazer um favor, conduzir uma pessoa doente até o hospital de Lages, quando o veículo que dirigia foi atingido frontalmente por outro que vinha desgovernado no sentido contrário. Ele teve morte instantânea, lamentavelmente.

Queremos registrar os nossos pêsames a sargento Silvana - nós conhecemos a família inteira - pela perda desse companheiro. Sabemos a dificuldade desse momento e queremos nos solidarizar contigo e com a sua família e dizer que estamos à disposição, mesmo sabendo que uma solução não existe.

Gostaria de registrar o meu agradecimento à Silvana, aos demais servidores deste Poder, à Casa Militar, à Presidência, à Mesa Diretora desta Casa, quando do falecimento da minha irmã no ano passado. Quando estávamos naquele momento derradeiro de sair de casa e ir para o cemitério, para a igreja, naquela hora em que o mundo desaba - e aquela foi a primeira vez que aconteceu isso, em toda a minha vida, apesar de já ter perdido outros parentes, inclusive meu próprio pai -, chegaram ao local companheiros praças, diretores da Aprasc, amigos de todo o estado de Santa Catarina. E naquele momento específico chegou um grupo de servidores deste Poder, em nome da Assembléia Legislativa, em nome da Casa Militar, composto, que eu me lembre, talvez esteja enganado, pelo cabo Moacir, do nosso curso de cabo de 87, e pelo soldado Garcia. E peço desculpas se esqueci o nome de mais alguém que esteve lá naquele dia. Foi um grande conforto e uma alegria, contraditória e paradoxalmente, poder receber a solidariedade de tantos companheiros nessa hora.

Peço desculpas por não ter podido estar no sepultamento do teu irmão, mas tens a minha solidariedade. Estava em outra região distante, mas a solidariedade continua e é do mesmo tamanho.

Gostaria de falar da morte daquele menino de três anos, do Rio de Janeiro, que a imprensa tem noticiado e que foi vítima de um tiro disparado por um policial militar que imaginava estar atirando contra um carro de marginais, porque anteriormente seguia um carro com as mesmas características conduzido em fuga por eles.

O episódio lamentável demonstra o quanto nós precisamos progredir. E aqui no estado de Santa Catarina, felizmente, temos progredido no sentido de dar maior capacitação aos nossos servidores da Segurança Pública.

Na quarta-feira passada, há uma semana, nós tivemos esta Casa cheia de policiais militares. E nós falamos da importância das promoções, de aumentar o efetivo, dos direitos que os praças teriam. E talvez o fundamental que interesse para a sociedade é que esses direitos não são questões meramente corporativas para atender à vontade e à necessidade de promoção dos servidores, mas, sim, de um espaço, uma forma, um mecanismo institucional de capacitação do servidor policial.

Como já disse outras vezes aqui, é muito difícil ser policial, ter que discernir, em décimos de segundos, qual a ação correta. E não basta saber atirar bem, não basta saber acertar no alvo, não basta saber manusear, manipular uma arma ou uma metralhadora. É preciso tanto quanto, ou mais do que isso, saber a hora de atirar, saber em que circunstâncias atirar e agir. O uso da arma de fogo pode ser fatal. O que garante que o policial irá agir certo? É a sua condição emocional, a sua preparação técnica, o seu estado de espírito, o conhecimento das circunstâncias, a avaliação isenta de paixão. E nós sabemos o quanto é difícil o ser humano abstrair-se de paixões.

É preciso que o estado invista cada vez mais na capacitação dos policiais. Nós temos nesta Casa um projeto do deputado Nilson Gonçalves no sentido de que se faça acompanhamento psicológico dos servidores da Segurança. A matéria, que tem um substitutivo de nossa parte, está tramitando aqui e precisa ser discutida e aprovada, mesmo com custos para o estado, porque é fundamental que os servidores da Segurança estejam bem preparados para enfrentar as circunstâncias de um trabalho extremamente difícil, complexo.

O plano de carreira, a possibilidade de um soldado fazer curso de cabo, de o cabo poder fazer curso de sargento é que pode...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)