35ª Sessão Ordinária - 05/05/2009
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Sr. presidente e srs. deputados, assomo à tribuna neste horário mais individual para parabenizar, em primeiro lugar, o Avaí pela conquista do título e, em segundo, a Chapecoense pela torcida maravilhosa e pelo time. Lamentamos o resultado do último jogo, não fomos bem, mas conquistamos a Série D, conquistamos a Copa do Brasil e essa belíssima campanha que a Chapecoense fez.
Os torcedores do oeste, mesmo tristes, chateados com o resultado da última partida, pois gostariam de ser campeões catarinenses, reconheceu o esforço do time. Por isso, parabéns ao técnico, parabéns à diretoria e, principalmente, à torcida da Chapecoense.
Mas eu assomo à tribuna hoje também para manifestar a minha contrariedade à ação da Polícia Militar em Chapecó, que bateu em um torcedor do Avaí. E eu quero manifestar aqui a minha indignação com a atitude de alguns policiais da capital de se promoverem em cima de um torcedor da Chapecoense. Não está escrito em lugar nenhum, em nenhuma lei, que policial pode bater em cidadão! Cabe ao estado produzir a segurança ou a insegurança? O estado deve ser o promotor da paz ou o promotor da violência?
Eu peço que sejam projetadas as imagens, se isso for possível, para que possamos mostrá-las a v.exas. A RBS conseguiu captar as imagens de um grupo de policiais militares no momento da violência contra um torcedor, filho de um amigo meu, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Chapecó, sr. Armelindo Carraro.
(Procede-se à projeção de imagens.)
Eu quero manifestar-me porque há quem diga que as imagens mostram também um tenente-coronel, deputado Gelson Merísio. Portanto, são os superiores que estão permitindo esse tipo de violência. Como pensar em futebol, em torcida, quando o estado, que devia promover a segurança, a tranqüilidade aos jovens da Chapecoense, que já estavam sofrendo por causa da derrota, pratica esse tipo de violência?! Isso é inadmissível!
Então, o comandante da Polícia Militar tem que vir a esta Casa explicar o que aconteceu naquele dia. Além disso, tem que ser feita a apuração desses casos, ou seja, o de Florianópolis e o de Chapecó também.
A Polícia Militar, deputado Sargento Amauri Soares, que está três anos sem aumento, está sofrendo, está sendo oprimida e reprimida muitas vezes pelos comandantes. A maioria quer fazer o trabalho bem, mas esses comandantes da Polícia Militar do estado de Santa Catarina...
Onde está o direito de o cidadão torcer?! Vamos dizer que é verdade, vamos dizer que o torcedor tenha agredido o segurança do Avaí, mas não se justifica a violência contra o torcedor! A Polícia deve fazer o que a lei prevê. Como vamos discutir paz, discutir solidariedade, discutir divertimento, lazer e torcida quando um grupo da Polícia promove a violência?!
Eu ouvi agora, aqui na porta, o depoimento de uma pessoa que torce pelo Avaí e que estava indignada com essas cenas. Ela disse indignada: "Em público eles estão batendo em um torcedor. Imaginem o que eles fazem no morro, o que eles fazem com os pobres, o que eles fazem nos bastidores!"
Violência gera violência! O estado não pode ser o promotor da violência! Ele tem de ser o promotor da segurança pública! E quanto à torcida, a Polícia tem que garantir a sua segurança.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Pois não!
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Obrigado, deputado Pedro Uczai, pelo aparte.
Eu queria registrar que as imagens mostram tudo o que não poderia ter sido feito. Evidentemente que episódios anteriores já ocorreram para que houvesse aquela reação, mas da forma como está expressa ali, não encontra sustentação legal de nenhuma forma.
Então, é lamentável que isso aconteça. E vários episódios se repetiram, especialmente aqui na Grande Florianópolis e na capital, na mesma noite, na festa da vitória; outros episódios foram registrados, inclusive pelos próprios policiais militares. E nós perguntamos: o que está acontecendo? Será que as determinações vêm de cima? A presença de pessoas em cargo de comando no mesmo espaço onde isso está sendo realizado tem alguma coisa a ver? Qual o motivo disso estar ocorrendo, já que conhecemos o nosso pessoal e sabemos da sua boa vontade, pois com certeza estava trabalhando o dia inteiro para garantir a segurança daquele evento. Mas de repente descambou para um episódio dessa natureza, o que é inconcebível, pois acabou estragando um trabalho de um dia inteiro, de uma semana inteira.
É preciso repensar o comportamento que tem sido adotado pelos comandantes, especialmente na capital do estado.
Muito obrigado!
O Sr. Deputado Herneus de Nadal - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Deputado Herneus de Nadal, concedo também um aparte a v.exa..
O Sr. Deputado Herneus de Nadal - Deputado Pedro Uczai, foi um ato de selvageria, pois ao invés de tomarem as providências necessárias, se fosse o caso de detenção do torcedor, os integrantes da Segurança Pública, mais especificamente da Polícia Militar de Santa Catarina resolveram fazer justiça pelas próprias mãos.
É um caso lamentável, que coloca o estado de Santa Catariana como notícia negativa em nível nacional, pois depois de o torcedor ter sido agredido, ficando desfalecido no chão, é que a mãe e a irmã que o acompanhavam - se fosse uma pessoa de má índole ele não estaria em um estádio de futebol acompanhado da mãe e da irmã -, conseguiram socorrê-lo. Mas elas só subiram na ambulância à força, aos gritos e aos prantos.
Então, foi uma cena lamentável e todos nós estamos chocados. Esperamos, deputado Pedro Uczai, que a Corregedoria e, com certeza, o Ministério Público tomem providências para que fatos grotescos iguais àquele que nós vimos e que chocaram todos nós não ocorram mais no território de Santa Catarina.
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Obrigado, deputado, acolho as duas intervenções e manifesto a minha indignação ética. Tenho tios, tenho ex-sogro e parentes que são policiais, mas não admito esse tipo de violência.
O comandante tem que vir a este Parlamento explicar se ele cumpre ou não a lei e como foi feita essa atrocidade contra um torcedor...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)