Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Lício Mauro da Silveira

62ª Sessão Ordinária - 05/08/2009

O SR. DEPUTADO LÍCIO MAURO DA SILVEIRA - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, vamos falar de uma forma bem resumida sobre a maior empresa estatal do estado de Santa Catarina, as Centrais Elétricas, na qual tive a honra de trabalhar por muitos e muitos anos.

Solicito à assessoria que proceda à exibição do material que preparei para ilustrar minha fala.

(Procede-se à exibição de vídeo.)

Vamos abordar o tema da Celesc num contexto nacional, para v.exas. terem idéia da importância da empresa, pois foi premiada durante décadas.

Essa é a galeria de prêmios de satisfação dos clientes em 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, pela Abrace. Essa associação abrange todas as empresas de distribuição do Brasil e a Celesc teve a satisfação de ser a melhor distribuidora no âmbito de Brasil na avaliação do cliente nos anos de 2000, 2006, 2007 e 2008, e a melhor distribuidora da região sul em 2004, 2005, 2006 e 2007.

Só o que foi mostrado para v.exas. demonstra a importância dessa empresa, cuja bonita história começou em 1955. Lá nasceu a Celesc, em 9 de dezembro, quando o governador era Irineu Bornhausen, pai de Jorge Bornhausen, que também foi governador do estado. Na época o estado possuía empresas isoladas: em Joinville era a Empresul; em Blumenau, a Força e Luz, que ia até São Bento do Sul; em Florianópolis e São José, a Elfa.

Em 1970 começou o grande trabalho da Celesc, ocasião em que iniciou o Centro de Formação e Aperfeiçoamento - Cefa -, que substituiu o Centro de Treinamento de Ilhota. Só para v.exas. terem uma ideia, a Celesc faz o treinamento dos seus recursos humanos desde 1967, ou seja, há 42 anos a empresa trabalha com a formação e o aperfeiçoamento dos seus servidores. Eu tive a honra de chefiar esse centro de treinamento durante sete anos e meio.

Depois ela foi-se consolidando com as novas técnicas, com linhas energizadas; montou o laboratório de medição de energia elétrica em linha viva. Energia viva é o trabalho em redes energizadas de 25kw, 34kw, ou seja, 35 mil volts ou 34 mil volts. Além disso, atuou fortemente na expansão e operação do sistema na eletrificação rural; foi para a expansão das agências regionais, com escritórios por todo o estado.

Neste momento, srs. deputados, gostaria de fazer um parêntese: em 1995 foi criada a Invesc. Por que quero fazer esse parêntese? Porque muita gente lê nos jornais que essas ações foram a garantia da Celesc quando da criação da Invesc. Apareceu diversas vezes nos jornais esse julgamento da ação da Planner, que é a agência judiciária de diversas empresas que compõem esse grupo de ações compradas da Invesc; muita gente pensa que a Celesc pode perder, ser privatizada.

Não tem nada a ver com privatização! A Invesc é uma coisa, privatização é outra coisa. São duas situações totalmente distintas. Infelizmente, as notícias foram criadas nos jornais no sentido de que a Celesc poderia ser privatizada, caso perdesse a Invesc. Isso não existe!

A Celesc é proprietária de 51% da SCGás. Vejam a importância dessa empresa! E ela tem parcerias privadas na parte de transmissão de energia na Usina D. Francisca, tem participação na Casan, na usina de Cubatão, além de outras participações.

Quanto à área de concessão, a Celesc atua em 92% do território de Santa Catarina, ou seja, atende 260 municípios, de um total de 293; assim, somente 33 municípios estão nas mãos ainda de algumas empresas particulares ou cooperativas - a maior parte é de cooperativas.

No que concerne à estrutura, a Celesc tem 2,22 milhões de consumidores; 3.846 empregados; 132 mil quilômetros de rede; 16 agências regionais; 16 centros de operações de distribuição; um centro de operação do sistema elétrico; 181 lojas e escritórios para atendimento comercial e o call center para atendimento integrado de todo o sistema no estado de Santa Catarina.

A arrecadação neste semestre foi de R$ 2,52 bilhões brutos, que incluem convênios, por exemplo, taxas diversas de algumas entidades que fazem os convênios, aluguel de postes, Cosip, que é a taxa de iluminação pública. No primeiro semestre deste ano, somente através da Cosip foram recolhidos R$ 22,6 milhões, que é um dinheiro entregue diretamente às prefeituras para que elas administrem os seus sistemas de iluminação pública.

O total do faturamento da Celesc previsto para o ano de 2009 é de R$ 5,1 bilhões. Ela tem ainda um faturamento atrasado, mais de 180 dias, de R$ 340 milhões. Na Justiça tem R$ 244 milhões, e a cobrar tem R$ 96 milhões. Está difícil conseguir esses recursos, mas estão atuando fortemente na recuperação. A arrecadação do ICMS está em torno de R$ 1,2 bilhão e o PIS e a Cofins somam R$ 170 milhões.

É bom esclarecer também que de cada R$ 1,00 arrecadado, R$ 0,80 destinam-se à compra de energia, pagamento de impostos e encargos setoriais, sobrando R$ 0,20 para encargos gerenciais, que chamamos de PMSO - Pessoal, Operação, Manutenção e Investimentos. Significa que ela tem R$ 1 bilhão para pagamento de pessoal e outras operações inerentes à empresa.

Quanto ao mercado de distribuição, para os senhores terem uma idéia, 77% dos consumidores da Celesc são residenciais, mas o maior consumo é industrial, com 47,12%. Então, são 77% de consumidores residenciais, e quem mais consome são os empresários, as indústrias, que representam 47,12%.

Agora, há dois dados que nós comparamos empresa por empresa em todo o Brasil. Comparando mais de uma centena de empresas no Brasil a respeito da duração de desligamento por consumidor, que é uma interrupção instantânea que leva de dois a três minutos - é colocada em gráfico a somatória desses valores -, em nível nacional a Celesc tem um desempenho bem melhor, ou seja, está abaixo da média do Brasil. Nós não só controlamos a duração da interrupção, mas também a frequência, ou seja, quantas vezes a energia foi interrompida ao consumidor. Nos dois quesitos a Celesc se destaca nacionalmente. Então, é uma empresa realmente forte, conveniente.

Quanto ao índice de perdas técnicas, que se refere às perdas do sistema elétrico; e quanto ao índice de perdas comerciais, que é o que chamamos de fraude, o conhecido "gato", o furto de energia,

comparando a Celesc com as outras empresas do país, vemos que no Brasil é de 17%, ao passo que a nossa empresa tem um número bem abaixo desses patamares. Ou seja, realmente é uma empresa altamente equilibrada tecnicamente.

Nós vivemos um momento muito importante para a empresa diante do aspecto da privatização. No meu modo de entender, não há mais clima para a privatização e acho que todos os eletricitários e toda a população têm que saber disso, porque a Celesc, dentre 100 empresas, tem a quinta tarifa residencial mais barata do Brasil. Isso...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)