57ª Sessão Ordinária - 08/09/2004
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA- Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, visitantes que vêm prestigiar a nossa sessão no Parlamento catarinense, tenho trabalhado durante 13 anos, através de muita mobilização, de muita paralisação, depois de muitos processos que respondo pelas paralisações, a fim de buscar uma solução para a questão da BR-101, que não é de Manoel Mota, é de todos, é de Santa Catarina, é do Rio Grande do Sul, é do Uruguai, é do Paraguai, da Argentina, do Paraná, enfim, é do Brasil.
A BR-101 está trazendo dificuldades à nossa região, ninguém está mais investindo nela, porque a situação de levar matéria-prima ou de escoar sua produção está muito difícil. Então, a região não cresce, evidentemente, e vai sofrendo com o desemprego, vai sofrendo com os problemas sociais.
Nessas mobilizações vários encaminhamentos feitos trouxeram uma luz, uma solução para a duplicação, e ela já vem de governos anteriores, é uma luta permanente. E eu me dispus, juntamente com o Ministro do meu Partido, porque entendo que a BR-101 representa uma bandeira muito forte, independente de cores partidárias, e isso é verdadeiro, a lutar pela duplicação.
Quando falo que quero a duplicação é em nome do povo. Nós temos uma comissão permanente, na qual fazem parte Deputados Federais, Estaduais, Prefeitos, vice-Prefeitos, Vereadores, associações comerciais, CDLs, igrejas, etc., onde o Ministério Público e o Poder Judiciário querem ser solidários com quaisquer movimentos que fizermos para buscar soluções para a BR-101.
Mas para a tristeza dos catarinenses e dos brasileiros, muda a cor do céu, deixa de ser azul e vira uma escuridão de fumaça. O Dnit estava recuperando os buracos, que não são poucos, na BR-101. Por isso ele teve de pedir aos motoristas que estavam viajando tranqüilamente que parassem na rodovia, mas de repente vem um motorista de uma carreta, que não se sabe se estava dormindo ou não viu que os carros estavam parados, e passa por cima de vários veículos, deixando seis mortos.
Foi um fato lamentável. Poderia ter acontecido em qualquer região, mas por que aconteceu na BR-101? Porque na BR-101 não se tem mais como trafegar. Ela é uma obra feita há 33 anos para o tráfego de dois mil veículos. Mas hoje ele chega no pico de 50 mil veículos. Eu mesmo passei uma nota que não foi verdadeira, porque o Deputado Miguel Ximenes, sabendo da razão da luta deste Deputado, disse: "já foram recuperados nove corpos. E eu passei ao nosso grande jornalista e colunista Moacir Pereira esse número de nove pessoas mortas, mas eram seis. É que as pessoas não apenas morreram, elas foram carbonizadas. Com certeza saía banco de todo o lado e estavam contando como pessoas. Mas na verdade foram seis pessoas.
Mas vocês sabem o que vale essas seis pessoas que morreram na BR-101? É uma obra que vai custar US$800 milhões, e isso é verdadeiro, mas será que só essas mortes não valem muito mais do que isso? Não há dinheiro que pague uma vida.
Não gostaria de, às vezes, tomar medidas duras, radicais, mas essas pessoas não têm nada a ver com isso, elas vêm de outra região e ficam trancadas ali, paradas, e às vezes penalizamos alguém que não tem nada a ver com tudo isso.
A verdade é que não podemos agüentar mais. A nossa região não tem como suportar mais viver sem a duplicação da BR-101.
Antigamente, quando viajávamos de Florianópolis para Itajaí, para Joinville ou para Curitiba, tudo se passava muito bem, mas quando chegávamos em Florianópolis dizíamos: "agora, vamos para o inferno, porque a rodovia era uma loucura". Hoje, se vai daqui para Joinville, Deputado Francisco de Assis, em uma hora e meia ou em duas horas. Mas antigamente cansávamos de levar quatro horas e meia a Joinville, quando não estava parado o trânsito na rodovia, senão levávamos de cinco a seis horas.
Agora a região Sul do Estado transformou-se também num inferno, e não dá mais para conviver com essa situação.
Recentemente, com a vinda do Presidente da República a Navegantes, reunimo-nos em Tubarão e fizemos uma carta muito pesada direcionada não apenas ao Presidente, como também ao Congresso Nacional, porque ele foi irresponsável quando tirou do Orçamento 15 milhões e do PPA 160 milhões. E nessa carta pedimos ao Presidente da República e ao Ministro dos Transportes para reverem essa situação, recolocando no PPA esses 160 milhões.
Quando levamos a carta ao Presidente, ele parou o seu discurso pela metade para chamar este Deputado e o Presidente da Câmara de Vereadores de Içara, a fim de recebermos o documento que encaminhamos a ele. Eu disse ao Presidente Lula que no seu governo nós não tínhamos paralisado nenhuma vez a BR, mas que no Governo passado não tínhamos nem a soma de quantas vez a tínhamos fechado, de tantas vezes que paralisamos. Porque nós estávamos acreditando na sua palavra, dando credibilidade ao seu governo, dando uma trégua, dar um prazo, pois o governo estava iniciando.
Mas eu disse que se não começasse essa obra, em nome da Comissão, em nome do Sul, em nome da sociedade, a BR-101 seria fechada, e se for fechada, eu disse, e repito, que a polícia não abriria a rodovia, só o Exército. E o Presidente olhou para mim, sorriu e disse: "Não vai precisar fechar, nós vamos iniciar a obra ainda este ano". Claro que voltei feliz, porque é o que queremos.
Há poucos dias veio o Ministro dos Transportes no centro administrativo e confirmou o mesmo encaminhamento do Presidente da República. Então, espero que não precisemos mais fechar a rodovia, porque isso traz problemas à sociedade.
Esperamos que essa obra se inicie para não vermos mais a cor do céu mudar; para não vermos mais tristeza e choro. Quantas vezes vi cortarem a lataria dos carros e serem tirados de dentro deles, em pedaços, amigos meus. O grande empresário Luiz Mendes, de Tubarão, que morava em Araranguá era um empresário que vinha crescendo, na Ponta da Cabeçuda, e num acidente desses perdeu a sua vida.
Do mesmo modo o Vereador Faraco, de Criciúma, que fazia parte da nossa Comissão, grande companheiro, lutador em todos os movimentos, que infelizmente, num movimento que feito no Rio Grande de Sul, na sua volta, perdeu a sua vida. Isso ocorreu no ano passado. Chamo isso de roleta russa, porque morre um hoje, e quem será o próximo? Morre outro amanhã, e quem será o próximo? Aqui não dá para dizer quem será o próximo, porque morreram no mesmo dia seis de uma só vez. Quem será o próximo?
Não dá mais para convivermos com essa situação, por isso pedimos a todos os Parlamentares a sua solidariedade. Este Parlamento sempre deu resposta e precisamos estar juntos para podermos ver acontecer, espero que aconteça, as obras da duplicação da BR-101, ou seja, que nos próximos dias seja acesa uma luz e instaladas as máquinas, a fim de serem iniciados os trabalhos na BR-101.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)